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domingo, 24 de dezembro de 2017

O Natal NÃO é a festa de aniversário de Jesus

Alguns pensam que celebrar o Natal é comemorar o aniversário de Jesus, e chegam até a cantar “parabéns pra você”. Mas esse nunca foi o sentir da Igreja a respeito deste tempo litúrgico.
Alguns pensam que celebrar o Natal é comemorar o aniversário de Jesus; alguns chegam até a cantar “parabéns pra você”! Coisa totalmente fora de propósito, contrária ao sentimento da Igreja e fora do sentido da celebração dos cristãos. Então, se não celebramos o aniversário de Jesus, o que fazemos no Natal?

Antes de tudo é necessário entender o que é a Liturgia, a Celebração da Igreja.

Vejamos. O nosso Deus, quando quis nos salvar, agiu na nossa história. Primeiramente agiu na história de toda a humanidade, guiando de modo secreto e sábio todos os seres humanos e sua história. Basta que pensemos nos santos pagãos do Antigo Testamento — santos que não pertenceram ao povo de Israel: Sto. Abel, Sto. Henoc, São Matusalém, São Noé, São Melquisedec, São Jó, São Balaão… Nenhum destes pertencia ao povo de Deus… e no entanto, Deus agia através deles… Depois, Deus agiu de modo forte, aberto, intenso na história do povo de Israel, com as palavras de fogo dos profetas, com a mão estendida e o braço potente nas obras maravilhosas em benefício do seu povo eleito.

domingo, 22 de novembro de 2015

Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo

cristo rei
O Ano Litúrgico encerra-se com a celebração da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Neste ano, meditamos principalmente acerca da vida, a pregação do Evangelho e o anúncio do Reino de Deus.
No último domingo do ano litúrgico, a Igreja celebra Cristo Rei do Universo. Não como mais um fim de ano que passou e mais outro que se iniciará, mas com um olhar de profundidade na nossa história, no devir de toda a humanidade, com uma perspectiva escatológica, ou seja, com um olhar ao futuro, por onde todos devemos nos deter que é o Reino de Deus. Esse é um olhar celestial, em que Cristo reinará para sempre, e nós cristãos participaremos do seu reinado, louvando com os anjos e os santos, morando juntos na civilização do amor.
No Evangelho de São João, apresenta-se o diálogo entre Pilatos e Jesus, entre um rei da terra e o Rei de todo o universo. O Rei dos reis, Nosso Senhor Jesus Cristo, aparece numa perspectiva humilde e silenciosa, sem querer advogar para si e nem reivindicar seu poder para absolvê-lo das acusações dos judeus, mas o servo sofredor, manso e humilde de coração, para salvar o seu povo, aponta misteriosamente a forma do seu reinado: “A minha realeza não é deste mundo (…) o meu reino não é de cá” (Jo 18, 36).

quinta-feira, 5 de março de 2015

3 regras fundamentais para os leitores da missa


Lay person at Mass proclaiming a reading from the ambo_
Pergunta do leitor
 
"Eu gostaria de saber se há indicações precisas do magistério ou da tradição que expliquem como um leitor deve se comportar durante a missa. As leituras do dia e os salmos não devem ser lidos, mas anunciados. Poderiam fazer um pequeno elenco dos erros mais comuns? Por exemplo, às vezes ouço "É Palavra do Senhor", ao invés de "Palavra do Senhor". Também há quem coloque muita ênfase em ler, às vezes mudando fortemente o tom de voz nos diálogos diretos... Há quem levante o olhar aos bancos e quem, ao contrário, mantém os olhos fixos no texto... Obrigado."
 
Resposta (Enrico Finotti, liturgista)
 
A Palavra de Deus na celebração litúrgica deve ser proclamada comsimplicidade e autenticidade. O leitor, em resumo, deve ser ele mesmo e proclamar a Palavra sem artifícios inúteis. De fato, uma regra importante para a própria dignidade da liturgia é a da verdade do sinal, que afeta tudo: os ministros, os símbolos, os gestos, os ornamentos e o ambiente".
 
Também é preciso solicitar a formação do leitor, que se estende a 3 aspectos fundamentais:

sábado, 31 de janeiro de 2015

Igreja celebra memória litúrgica de São João Bosco


Igreja celebra memória litúrgica de São João BoscoA Igreja celebra neste sábado, 31, a festa litúrgica de São João Bosco, santo italiano, fundador da Congregação Salesiana, que dedicou sua vida ao cuidado dos jovens.

Nasceu em 1815, no século XIX,  uma época de avanços da industrialização e da exploração humana nas fábricas. Naquela época, muitas crianças pobres desejavam ser sacerdotes para tornarem-se ricas e ajudarem a família. Mas, para João Bosco, a vontade de ser padre era para poder cuidar das pessoas, especialmente dos mais jovens. “Quando crescer quero ser sacerdote para tomar conta dos meninos. Os meninos são bons; se há meninos maus é porque não há quem cuide deles”, dizia o pequeno João Bosco, que, desde cedo, já tinha um chamado à vocação.

Ordenado sacerdote em 1841, escolheu como programa de vida: “Da mihi animas cetera tolle” (Gn 14, 21) e começou o seu apostolado no meio dos jovens mais pobres, fundando o Oratório e colocando-o sob a proteção de São Francisco de Sales.

domingo, 23 de novembro de 2014

Solenidade de Cristo Rei

Sabe-se que a Igreja encerra seu Ano Litúrgico com a Solenidade Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. No entanto, poucos se dão conta de que se trata de uma festa relativamente recente, pois só foi instituída em 1925, portanto há menos de cem anos.
Solenidade de Cristo Rei

Mas o que levou o papa Pio XI a dedicar a primeiríssima encíclica de seu pontificado à criação de uma festa de Cristo Rei? (cf. carta encíclica Quas primas, 11/12/1925).


No início do século XX, o mundo, que ainda estava se recuperando da Primeira Guerra Mundial, fora varrido por uma onda de secularismo e de ódio à Igreja, como nunca visto na história do Ocidente. O fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha, o comunismo na Rússia, a revolução maçônica no México, anti-clericalismos e governos ditatoriais grassavam por toda parte.


É neste contexto que, sem medo de ser literalmente “politicamente incorreto”, o papa Pio XI institui uma festa litúrgica para celebrar uma verdade de nossa fé: mesmo em meio a ditaduras e perseguições à Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo continua a reinar, soberano, sobre toda a história da humanidade.


Recordar que Jesus é Rei do Universo foi um gesto de coragem do Santo Padre. Com as revoluções que se seguiram ao fim do primeiro conflito mundial, em 1917, o título de Cristo Rei tornara-se um tanto impopular. Se o Papa tivesse exaltado Jesus como profeta, mestre, curador de enfermos, servo humilde, vá lá! Qualquer outro título teria sido mais aceitável. Mas Cristo Rei?!…

COMENTÁRIO DO EVANGELHO DE DOMINGO


Reflexão de Pe. César Augusto para Solenidade de Cristo-ReiO Evangelho da solenidade deste domingo é o das bênçãos e das maldições que estão em Mateus, trecho também conhecido como Juízo Final. O texto celebra a vitória da justiça ocorrida na ressurreição de Jesus e no momento em que o Senhor é declarado rei para sempre. A justiça, a verdade e a paz serão eternas.

Depois de uma vida sobre a terra, depois do anúncio feito por Jesus de que Deus é nosso Pai e de que todos os habitantes da terra são irmãos,
depois do Mestre ter anunciado a vocação de fraternidade e de ter promulgado as bem-aventuranças, depois do Senhor ter lavado os pés dos discípulos, depois do Redentor ter morrido na cruz e resuscitado, depois do Ressuscitado ter feito o envio de seus apóstolos a anunciarem o Evangelho, pregarem a conversão e o batismo, todos aqueles que responderam sim aos apelos amorosos de Deus, apesar do enfretamento a diversas dificuldades, serão acolhidos na Casa do Pai.

Como podemos apreender da atitude de Jesus, o Homem por excelência, o que conta para ser acolhido na felicidade eterna é e será sempre nossa atitude não apenas de soldariedade, mas de fraternidade, ou seja, uma passo a mais no relacionamento com o outro. Ele não é apenas alguém com quem divido o pão, o teto e os sentimentos, mas é alguém que tenho como da mesma família, da mesma origem, a quem estou unido por laços de afeto.

domingo, 2 de novembro de 2014

COMENTÁRIO DO EVANGELHO DE DOMINGO

Jesus é a Ressurreição e a Vida - Jo 11,32-45

O sopro de Deus faz viver para além da morte.

O fundamento da fé da Igreja é a ressurreição de Jesus Cristo. A celebração da memória de todos os fiéis defuntos é ocasião de suplicar a Deus a graça da fé na ressurreição de Cristo, condição para crermos na Páscoa eterna daqueles que já partiram deste mundo. É por essa razão que, neste dia de finados, a Igreja nos oferece esse trecho do capítulo 11 de João, que é uma catequese sobre a ressurreição. Nosso relato (Jo 11,1-45) é o sétimo e último sinal que Jesus realiza. Isso significa que ele é a plenitude dos sinais. A finalidade dos sinais, como de todo o evangelho, é conduzir os discípulos, o leitor do evangelho, nós todos, à fé em Jesus Cristo (cf. Jo 20,30-31). Com esse relato, o autor do evangelho prepara o leitor para entrar com esperança nos relatos da paixão, morte e ressurreição de Jesus.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Devo fazer uma reverência toda vez que passo na frente do altar?

A person bowing at the altar of a church_
Após uma fase na qual alguns ministros participaram das celebrações quase mostrando um entediante "rigor mortis", hoje em dia, em certas celebrações sacras, especialmente solenes, os ministros (em geral, acólitos bem preparados por padres com muito zelo), em seu caminhar pelo presbitério, gastam um excesso de exercícios cervicais e abdominais que poderia chegar até a afetar sua saúde.

É louvável o sentido de reverência que cresceu em nossos santuários, particularmente nos padres jovens e nos seminaristas.

Lembro de ter visto um sacerdote celebrar a missa com os braços cruzados sobre o peito, sem movê-los, a não ser para pegar o pão e o cálice. Um portento de expressividade!

Em outra ocasião, ouvi críticas a um comportamento similar durante um curso. Ou seja, progredimos para o bem, sem dúvida.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Íntegra da carta circular: ‘O Significado ritual do dom da paz na missa’ da ‘Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos’.


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A Santa Sé por meio da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou por ordem do Santo Padre Francisco um novo documento.
Neste documento a Santa Sé ordena que acabem com os abusos no momento da Paz, o popular “abraço da paz”.
- Nada de sair do lugar para dar a paz, mas dar-se-á apenas para as pessoas que estão mais próximas.
- Nada de músicas, pois isso além de não estar previsto, aumenta bastante um momento que não deve ser longo.
- Nada de o celebrante sair do presbitério para dar a paz a outras pessoas.
_____________________________________ 
 
 
CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS
CARTA CIRCULAR: O SIGNIFICADO RITUAL DO DOM DA PAZ NA MISSA

1. ”Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz”[1], são as palavras com as quais Jesus promete aos discípulos reunidos no cenáculo, antes de enfrentar a paixão, o dom da paz, para infundir-lhes a gozosa certeza de sua presença permanente. Depois de sua ressurreição, o Senhor leva ao termo sua promessa apresentando-se no meio deles, no lugar em que se encontravam por temor aos Judeus, dizendo: “A paz esteja convosco!”[2]. A paz, fruto da Redenção que Cristo trouxe ao mundo com sua morte e ressurreição, é o dom que o Ressuscitado segue oferecendo hoje a sua Igreja, reunida para a celebração da Eucaristia, de modo que possa testemunhá-la na vida de cada dia.

domingo, 13 de julho de 2014

Comentário Evangelho de Domingo



A parábola do semeador. - Mt 13,1-23

Por que a Palavra de Deus produz frutos em uns e em outros não?
O capítulo cinquenta e cinco do livro do profeta Isaías é o último capítulo do Dêutero-Isaías (40–55), cujos fatos podem ser situados em meados do século VI a.C. O tema central do texto de hoje é a Palavra de Deus, através da qual Ele revela seu plano de salvação. A Palavra de Deus é comparada à chuva que numa terra árida é uma bênção do céu que fecunda e faz germinar a boa semente. A Palavra de Deus realiza o que diz.
O capítulo treze do evangelho segundo Mateus é um discurso em parábolas. Trata-se de uma sucessão de sete ou oito parábolas, dependendo de como se as considere. Costuma-se caracterizá-las como “parábolas do Reino”. O tema que perpassa todas as parábolas é o mistério da acolhida ou rejeição da palavra de Jesus sobre o Reino de Deus.

domingo, 25 de maio de 2014

COMENTÁRIO DO EVANGELHO DE DOMINGO

Jesus promete o Espírito Santo. - Jo 14,15-21

Ano A - DIA 25/05

 A intensa alegria é dom do Ressuscitado.


No início do livro dos Atos dos Apóstolos, antes do relato da ascensão, Jesus promete o Espírito Santo, como força do alto para o testemunho. Na lista de lugares em que o Evangelho deve ser anunciado está a Samaria (At 1,8). A Samaria era desprezada pelos judeus por questões históricas e culturais. Lá havia outro templo onde os samaritanos adoravam o Deus único e verdadeiro. É na Samaria, junto ao poço de Jacó, que Jesus tem aquele diálogo maravilhoso com a mulher samaritana, que se tornou para os seus concidadãos testemunha de Jesus Cristo (Jo 4,1-41). É para lá que Filipe é enviado para anunciar Cristo (At 8,5). O seu anúncio corroborado por sua ação fez com que as pessoas daquela cidade sentissem uma intensa alegria (At 8,8). A intensa alegria é dom do Ressuscitado.
O amor dos discípulos a Jesus se exprime na prática do mandamento do amor fraterno. Para poder ajudar a viver o dinamismo desse amor, Jesus promete pedir ao Pai que envie, quando ele partir, “outro defensor”. Outro em relação a ele mesmo que, qual um pastor, cuida das ovelhas e as defende dos seus inimigos. O termo grego para caracterizar o Espírito é parácletos, que entre vários significados pode ser traduzido por auxiliador, ajuda, apoio. Assim como Jesus foi um auxílio, um apoio, para viver o amor de Deus e conhecê-lo, o Espírito continuará e levará a termo a missão do Senhor. O Espírito é, ainda, considerado “Espírito da Verdade”, pois é sua ação acolhida na vida do discípulo que faz compreender o sentido da vida de Jesus e o seu mistério profundo. Assim como Jesus é a verdade porque revela o mistério de Deus em sua pessoa, o Espírito levará ao conhecimento do Pai e do Filho. O mundo não é capaz de conhecê-lo porque ele não é apreendido pelo conhecimento racional. Os discípulos o conhecem, pois o experimentam, uma vez que o Espírito permanece neles. Pela “in-habitação” do Espírito da Verdade, os discípulos não sentirão como abandono a ausência de Jesus, pois é por ele que o Senhor continuará a falar com os seus e a ser contemplado pela fé (cf. At 1,1-2). Pela fé em Jesus ressuscitado dentre os mortos, os fiéis participam da vida divina.

Carlos Alberto Contieri, sj
Fonte: paulinas

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Reflexão sobre a Sexta-feira Santa

SalvationA tarde de Sexta-feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário. A cruz erguida sobre o mundo segue de pé como sinal de salvação e de esperança. Com a Paixão de Jesus segundo o Evangelho de João contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe traspassou o lado.
São João, teólogo e cronista da paixão nos leva a contemplar o mistério da cruz de Cristo como uma solene liturgia. Tudo é digno, solene, simbólico em sua narração: cada palavra, cada gesto. A densidade de seu Evangelho agora se faz mais eloquente. E os títulos de Jesus compõem uma formosa Cristologia. Jesus é Rei. O diz o título da cruz, e o patíbulo é o trono onde ele reina. É a uma só vez, sacerdote e templo, com a túnica sem costura com que os soldados tiram a sorte. É novo Adão junto à Mãe, nova Eva, Filho de Maria e Esposo da Igreja. É o sedento de Deus, o executor do testamento da Escritura. O Doador do Espírito. É o Cordeiro imaculado e imolado, o que não lhe romperam os ossos. É o Exaltado na cruz que tudo o atrai a si, quando os homens voltam a ele o olhar.
A Mãe estava ali, junto à Cruz. Não chegou de repente no Gólgota, desde que o discípulo amado a recordou em Caná, sem ter seguido passo a passo, com seu coração de Mãe no caminho de Jesus. E agora está ali como mãe e discípula que seguiu em tudo a sorte de seu Filho, sinal de contradição como Ele, totalmente ao seu lado. Mas solene e majestosa como uma Mãe, a mãe de todos, a nova Eva, a mãe dos filhos dispersos que ela reúne junto à cruz de seu Filho.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Liturgia aprofunda o mistério da Paixão de Cristo

ceia
A liturgia da Quinta-feira Santa é um convite a aprofundar concretamente no mistério da Paixão de Cristo, já que quem deseja segui-lo deve sentar-se à sua mesa e, com o máximo recolhimento, ser espectador de tudo o que aconteceu na noite em que iam entregá-lo.
E por outro lado, o mesmo Senhor Jesus nos dá um testemunho idôneo da vocação ao serviço do mundo e da Igreja que temos todos os fiéis quando decide lavar os pés dos seus discípulos.
Neste sentido, o Evangelho de São João apresenta a Jesus ‘sabendo que o Pai pôs tudo em suas mãos, que vinha de Deus e a Deus retornava’, mas que, ante cada homem, sente tal amor que, igual como fez com os discípulos, se ajoelha e lava os seus pés, como gesto inquietante de uma acolhida inalcançável.

domingo, 23 de março de 2014

COMENTÁRIO DO EVANGELHO DE DOMINGO


Jesus e a samaritana. - Jo 4,5-42


iluminada e saciada, ela se torna discípula.
Com o evangelho de hoje estamos, certamente, diante de uma das páginas mais belas do evangelho. Aquela mulher samaritana, ao redor do poço de Jacó, nasceu para a fé em Jesus Cristo, como nós na fonte batismal fomos gerados para a vida de fé, a fim de vivermos como um povo consagrado ao Senhor.
O trecho do livro do Êxodo nos recorda um momento da longa travessia do povo de Deus pelo deserto, ao longo de quarenta anos. O povo que empreendeu a travessia pôde experimentar, não obstante sua infidelidade e suas resistências, a fidelidade de Deus, sua paciência, sua generosidade, seu cuidado, sua ternura. O povo murmura porque não tem água. Nós que ouvimos o evangelho, e renascemos nas águas do Batismo, sabemos que aquela água que faltava ao povo e que lhe foi dada por Deus era a prefiguração da água dada por Jesus Cristo, uma água que mata definitivamente a sede. Sem água a vida está profundamente ameaçada. Não só a vida pessoal, mas a unidade do povo de Deus. Queriam, diz o nosso texto, apedrejar Moisés. Diante da dificuldade, duvidaram de Deus, da sua promessa e da sua fidelidade. Só põe em questão a fidelidade e a lealdade de Deus quem não é capaz de ser fiel e leal. É preciso, sustentados pelo cuidado de Deus que nos acompanha na travessia da história, lutarmos contra o medo, o desespero, a murmuração.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Epifania do Senhor

Epifania do Senhor


A Festa que a Igreja celebra, tem o nome de Epifania, isto é, aparição do Senhor, por apresentar-nos três grandes mistérios, em que Jesus Cristo se manifestou ao mundo como Filho de Deus e Salvador do gênero humano. O primeiro destes mistérios é a adoração que os três Magos prestaram ao Menino, em Belém. O segundo é o Batismo de Jesus Cristo no Jordão, ocasião em que o Pai celeste fez a apresentação de seu Filho, dizendo: “Este é meu Filho mui amado, em quem pus minha complacência”. O terceiro, finalmente, é a transformação da água em vinho, milagre que Cristo fez, por ocasião das bodas de Caná, para manifestar aos discípulos sua missão messiânica.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Oitava do Natal

Oitava do Natal

Entre os dias 25 de dezembro e 1º de janeiro a Igreja celebra a Oitava do Natal, ou seja, nesses oito dias vive-se a exultação da grande Festa do Nascimento de Jesus como um dia só.


Oitava tem dois sentidos no uso litúrgico cristão. No primeiro, é o oitavo dia após uma festa, inclusivamente, de forma que o dia sempre caia no mesmo dia da semana que a festa original. A palavra é derivada do latim octava (oitavo), com “dies” subentendido. O termo é também aplicado para todo o período de oito dias, durante o qual as ditas festas passam a ser observadas também.

domingo, 22 de dezembro de 2013

EVANGELHO DE DOMINGO


Anúncio do nascimento de Jesus - Mt 1,18-24

O Mistério de Deus
Quarto e último domingo do Advento. Estamos às portas de celebrarmos o Natal do Senhor, solenidade para a qual nos preparamos ao longo de quase quatro semanas.
Se Acaz se recusa demagogicamente a pedir ao Senhor um sinal de sua proteção contra o inimigo (cf. Is 7,12), o profeta anuncia um sinal de Deus: “Eis que a jovem conceberá e dará à luz um filho e lhe porá o nome de Emanuel” (Is 7,14). A Igreja nascida do mistério pascal de Jesus Cristo, relendo este texto de Isaías, vê nele a promessa do nascimento do Verbo de Deus.
O episódio do evangelho deste domingo apresenta-nos a missão de José. Se, no evangelho de Lucas, o anúncio é feito a Maria, no de Mateus o anúncio do nascimento de Jesus é feito a José em sonho (ver: Gn 37,5-9.19). Maria, prometida em casamento a José, se encontra grávida pelo poder do Espírito Santo (cf. v. 18). A atitude de José nem sempre é compreendida pelo leitor do evangelho, e esta falta de clareza quanto ao texto persiste nas pregações. Não raras vezes se traduz a atitude pretendida de José em relação a Maria como “repúdio”, como se ela tivesse cometido uma falta. A melhor tradução é “deixar ir livremente” (v. 19). José compreende que a gravidez de Maria é habitada pelo Mistério de Deus. Ele não quer tomar para si o que Deus reservou para ele. É exatamente por isso que o narrador diz que ele era “justo” (v. 19). Mas a palavra do anjo a ele permite-lhe compreender que Deus precisa dele. A ele cabe dar uma existência histórica ao Filho de Deus: “... tu lhe porás o nome de Jesus” (v. 21). “... não tenhas receio de receber Maria, tua esposa; o que nela foi gerado vem do Espírito Santo” (v. 20). A palavra do anjo a José muda, transforma a sua relação com Deus, pois ela encurta a distância entre o divino e o humano. O seu matrimônio com Maria não é incompatível com a consagração dos dois a Deus: “Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor tinha mandado e acolheu sua esposa”.

Carlos Alberto Contieri, sj

domingo, 24 de novembro de 2013

Sentido da festa de Cristo Rei

Sentido da festa de Cristo Rei

A festa de Cristo Rei foi criada pelo papa Pio XI em 1925. Instituiu que fosse celebrada no último domingo de outubro. Agora, na reforma litúrgica passou ao último domingo do ano litúrgico como ponto de chegada de todo o mistério celebrado, para dar a entender que Ele é o fim para o qual se dirigem todas as coisas.


A criação desta festa tinha uma conotação política de grandiosidade. Quem, dos mais antigos, não foi da Cruzada Eucarística? Roupinha branca, fita amarela com cruz e dois traços azuis para os melhores. Qual era o comprimento? – Viva Cristo! – Rei! Este amor a Cristo Rei sustentou os cristãos na perseguição do México. Quantos mártires não entregaram a vida proclamando: Viva Cristo Rei! Quem sabe nos falte uma definição maior para o Reino de Cristo.

domingo, 3 de novembro de 2013

COMENTÁRIO DO EVANGELHO DE DOMINGO

O sermão da montanha - Mt 5,1-12a

Vendo as multidões, Jesus subiu à montanha e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e ele começou a ensinar: “Felizes os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Felizes os que choram, porque serão consolados. Felizes os mansos, porque receberão a terra em herança. Felizes os que têm fome e sede da justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Felizes os puros no coração, porque verão a Deus. Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Felizes os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Felizes sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus”.

 Acolher a presença de Deus é o caminho da santidade.
 
A festa de todos os santos e santas de Deus é uma festa antiga. Já no segundo século, a Igreja celebrava a memória dos seus mártires para que, tendo presente o seu testemunho, a comunidade se mantivesse fiel no testemunho de Jesus Cristo. É uma festa para nós. A porta do céu se abre não para nos abstrairmos do mundo, pois, aqui, é o lugar de vivermos a nossa vocação à santidade, mas para considerarmos o compromisso próprio do nosso chamado a partir do céu, inspirados pelo testemunho daqueles que nos precederam na fé. Em todos os santos e santas de Deus se cumpre a Palavra do Senhor. À afirmação de Pedro: “Olha, deixamos tudo e te seguimos!”, que recompensa terão? Jesus responde: “Nessa vida perseguições e tribulações. Mas, depois, a vida eterna” (Mc 10,28-30).

domingo, 27 de outubro de 2013

Evangelho de domingo

Dois tipos de oração - Lc 18,9-14

Para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola: “Dois homens subiram ao templo para orar. Um era fariseu, o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim em seu íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de toda a minha renda’. O publicano, porém, ficou a distância e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem compaixão de mim, que sou pecador!’ Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, mas o outro não. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”.

 A salvação é dom de Deus.
Os destinatários da parábola deste domingo são “aqueles que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros” (v. 9). A “própria justiça”, aqui, diz respeito à prática da Lei. A teologia da retribuição reitera que o homem que cumpre de modo irrepreensível todos os mandamentos é salvo (ver Dt 28,1ss). Ora, a salvação é dom de Deus. O empenho de pôr em prática os mandamentos é reflexo da consciência de ter sido salvo. O reconhecimento do dom recebido, em Jesus, tem implicações para a vida prática de quem quer que seja. No tempo do Messias, nós não estamos mais sob o regime da Lei, mas da graça: “Ninguém é justificado diante dele pelas obras da lei […]. Agora, independente da Lei, a justiça de Deus foi manifestada; a Lei e os Profetas lhe dão testemunho. É a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos os que creem” (Rm 3,20-22).
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