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COMENTÁRIO DO EVANGELHO DE DOMINGO
Jesus é a Ressurreição e a Vida - Jo 11,32-45
O sopro de Deus faz viver para além da morte.
O fundamento da fé da Igreja é a ressurreição de Jesus Cristo. A
celebração da memória de todos os fiéis defuntos é ocasião de suplicar a
Deus a graça da fé na ressurreição de Cristo, condição para crermos na
Páscoa eterna daqueles que já partiram deste mundo. É por essa razão
que, neste dia de finados, a Igreja nos oferece esse trecho do capítulo
11 de João, que é uma catequese sobre a ressurreição. Nosso relato (Jo
11,1-45) é o sétimo e último sinal que Jesus realiza. Isso significa que
ele é a plenitude dos sinais. A finalidade dos sinais, como de todo o
evangelho, é conduzir os discípulos, o leitor do evangelho, nós todos, à
fé em Jesus Cristo (cf. Jo 20,30-31). Com esse relato, o autor do
evangelho prepara o leitor para entrar com esperança nos relatos da
paixão, morte e ressurreição de Jesus.
O sopro de Deus faz viver para além da morte. No centro do texto do
evangelho, trecho que não lemos neste dia, está a afirmação de Jesus a
Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida” (v. 25). É pela fé que se
participa dessa vida nova, transfigurada. A pergunta que provoca e
desafia a fé de Marta e a nossa fé é a seguinte: “Crês nisto?” (v. 26).
Marta responde afirmativamente, pois ela é no relato símbolo do
discípulo perfeito que põe a sua confiança no Senhor. Ante a morte há,
segundo nosso texto, duas atitudes possíveis, representadas por Maria e
sua irmã Marta: ficar prisioneiro do círculo da morte e do luto (Maria)
ou romper com esse círculo pela adesão ao Senhor da vida (Marta). Quando
Marta ouviu dizer que Jesus estava próximo, saiu correndo ao seu
encontro; Maria, no entanto, permaneceu em casa, sentada, mergulhada no
luto e na tristeza. A presença do Senhor suscita a esperança. Permanecer
em casa é fechar-se à possibilidade da fé. Marta que crê na
ressurreição de Cristo, na vida que ele dá, será para sua irmã Maria
mensageira de um chamado do Senhor que a faz sair do mundo da morte para
estar diante daquele que é o Senhor da vida. A pergunta que se nos
impõe a partir do relato para a nossa reflexão é a seguinte: com qual
das duas irmãs você se identifica? Você é portador de que mensagem?
Carlos Alberto Contieri, sj
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