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domingo, 14 de julho de 2019

De bêbado e viciado a santo padroeiro dos doentes e dos hospitais

São Camilo de Lellis
A trajetória de São Camilo de Léllis, entre os abismos da miséria e as alturas da misericórdia

São Camilo de Léllis, fundador da Ordem dos Ministros dos Enfermos, é o padroeiro dos doentes, dos profissionais da saúde e dos hospitais. Bem antes da criação da Cruz Vermelha, os religiosos da sua ordem, conhecidos como camilianos, se tornaram apóstolos da caridade de Cristo em um dos cenários mais angustiantes da existência humana neste mundo: o da enfermidade.

Dos traumas ao vício

Camilo nasceu em 1550 em Bucchianico, na Itália. Aos 17 anos, voluntariou-se no exército veneziano e, junto às tropas, testemunhou o drama dos enfermos que agonizavam diante das mais diversas e torturantes doenças. Ele próprio, nessa mesma época, passou a conviver com uma dolorosa úlcera no pé – que o acompanharia até o último dia de sua vida. Para aumentar as angústias, o jovem ainda sofreu nesse período a perda do pai. Sua vida então mudou drasticamente: Camilo enveredou pelos prazeres mundanos, inclusive o da jogatina, em que acabou se viciando.
Sem dinheiro nem saúde, ele não conseguia local para tratar-se. Partiu para Roma a fim de pedir socorro no Hospital Santiago: não tendo dinheiro, ofereceu-se para trabalhar como servente e enfermeiro. Mal cicatrizada a ferida, voltou a se juntar ao exército para combater os turcos otomanos, que, na época, estavam tentado expandir-se em direção à Europa ocidental.

Recuperação e… queda pior ainda

Aos 23 anos, já quase restabelecido economicamente, Camilo voltou a cair nos vícios mundanos e no jogo até perder tudo. Retornou a Nápoles e prometeu tornar-se religioso franciscano, voto que já tinha esquecido no ano seguinte, quando… estava novamente mergulhado na jogatina.
O jogo e a bebida eram vícios que o derrubavam com força brutal. Camilo, na miséria, partiu para Veneza. O frio, a fome e a indigência de quem sequer tinha teto para dormir não eram suficientes para afastá-lo do maldito vício: em mais uma das suas muitas derrotas no jogo, o rapaz teve de entregar como pagamento a própria camisa.

Dos abismos da miséria às alturas da misericórdia

Depois de muito perambular pelas ruas do mundo, Camilo conseguiu abrigo no convento dos capuchinhos. Foi quando, finalmente, começou de verdade a se converter.
As pregações iam pouco a pouco transformando o seu coração até levá-lo a se reconhecer como pecador necessitado com urgência da misericórdia de Deus. Ele ingressou na ordem dos capuchinhos, mas não pôde fazer a profissão dos votos religiosos por causa da enfermidade na perna. Dedicou-se então, no hospital de San Giacomo, a cuidar dos doentes – e chegou a ser superintendente do hospital.
Golpeado pelas dolorosas necessidades do próximo, Camilo fundou uma associação de pessoas dispostas a se consagrarem por caridade ao serviço dos doentes. Aos 32 anos, voltou aos estudos, sob o acompanhamento de ninguém menos que São Felipe Neri, e, aos 34, pôde enfim receber as ordens sagradas como sacerdote.

A Ordem dos Ministros dos Enfermos

A partir de então, o padre Camilo iniciou a Ordem dos Ministros dos Enfermos, junto com dois companheiros que, todos os dias, cuidavam dos doentes no Hospital do Espírito Santo. Sua motivação brotava do fato de enxergar neles o próprio Cristo. Além de tratá-los na dimensão física, procuravam também aproximá-los dos sacramentos, cuidando assim da sua alma.
Com o tempo, o serviço da congregação foi se ampliando. Os camilianos assumiram a missão de atender os prisioneiros doentes e os convalescentes em casas particulares. São Camilo passou ainda a enviar religiosos com as tropas do exército a fim de atenderem os soldados feridos.
Muitos religiosos morreram no cumprimento dessa missão sacrificada – alguns, inclusive, atingidos pela peste. São Camilo e seus irmãos, apesar disso, prosseguiram heroicamente. E prosseguem até hoje: os camilianos fundaram e mantêm uma grande quantidade de hospitais em vários países, inclusive em regiões nas quais, sem eles, o atendimento à saúde dos mais pobres estaria severamente comprometido – ou mesmo ausente.
CC

Finalmente, o descanso na Casa do Pai

O santo dos enfermos sempre sofreu as dores intensas da perna e do pé, e, pouco antes de morrer, as náuseas quase o impediam de comer. Ainda assim, se mantinha preocupado com os necessitados. Em 1607, renunciou à direção da ordem. Em 14 de julho de 1614, aos 64 anos, partiu finalmente para o descanso eterno na Casa do Pai.
O Papa Leão XIII o proclamou padroeiro dos enfermos junto com São João de Deus. Pio XI o declarou padroeiro também das associações dedicadas aos doentes.

O dia em que Padre Pio recebeu de Nossa Senhora de Fátima a graça de uma cura

FATHER PIO
Nesse instante, subitamente, ele sentiu um arrepio seguindo da sensação de calor e bem-estar e exclamou: "Estou curado! Nossa Senhora me curou!"
Muito devoto de Nossa Senhora de Fátima, o santo capuchinho Padre Pio de Pietrelcina atribuiu à intercessão dela a graça da cura de uma séria doença que o acometeu aos 72 anos de idade, em abril de 1959.
A pleurisia foi tão grave que ele teve de parar de ouvir confissões, dar a bênção do Santíssimo Sacramento e até celebrar a Missa. Em maio, a doença piorou. A partir de agosto, porém, tudo começou a mudar quando a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima chegou à Itália para percorrer algumas localidades.

Conselhos de Santa Teresinha para você aprender a lidar com pessoas antipáticas

COMP,RELATIONSHIP,ST THERESE OF LISEIUX
Ela também não foi uma pessoa fácil, mas aprendeu a dominar a arte da empatia
Santa Teresa de Lisieux era conhecida como uma mulher tranquila e modesta. E com ela aprendemos que não dá para apelidar de “pequena flor” alguém que propaga insultos no Twitter ou que publica críticas contras os outros.
Santa Teresinha desenvolveu a habilidade de lidar com gente desagradável com tanta doçura que essas pessoas antipáticas pensavam, erroneamente, que ela tinha um carinho especial por elas.

Todos temos pessoas chatas a nossa volta, não é mesmo? Às vezes não nos damos bem com elas, já que elas dão a impressão de que só existem para nos aborrecer.

Essas pessoas que nos fazem bufar estão sempre na mesma festa em que estamos. Assim, tentamos evitar qualquer contato visual quando cruzamos com elas e logo pegamos o telefone para fingir que estamos checando mensagens importantíssimas. Vai dizer que você nunca fez isso?

Porém, não conseguimos escapar completamente delas, porque, como mostra a experiência de Santa Teresa, elas estão por todas as partes, inclusive nos conventos. Santa Teresa dominou rapidamente a arte de tratar com pessoas difíceis e aprendeu a mostrar empatia por elas. Talvez porque a própria Teresinha tenha sido uma pessoa difícil em sua juventude.

A santidade de São Luís Martin e Santa Zélia Guérin

Ambos foram pessoas devotas desde muito jovens. Durante sua juventude e antes de se conhecerem, Maria Zélia queria levar uma vida religiosa no mosteiro e Luís Martin sentia o mesmo desejo de dedicar sua vida a Deus.

12 julho 2019
São Luís Martin e Santa Zélia Guérin, pais de Santa Teresa de Lisieux, foram o primeiro casal a ser canonizado em uma mesma cerimônia na história da Igreja.

“Os santos esposos (…) viveram o serviço cristão na família, construindo dia após dia um ambiente cheio de fé e amor; e, neste clima, germinaram as vocações das filhas, nomeadamente a de Santa Teresinha do Menino Jesus”, disse o Papa Francisco em 18 de outubro de 2015, durante a Missa canonização.

A família, depois de dezenove anos de matrimônio, ante à crise econômica que afligia a França, querendo garantir o bem-estar e o futuro a seus filhos, encontrou a força para deixar a cidade francesa de Alençon e se mudar para Lisieux.

Luís Martin trabalhou como relojoeiro e joalheiro, e Zélia Guérin como pequena empresária de uma oficina de bordado. Junto com suas cinco filhas, deram seu tempo e seu dinheiro a fim de ajudar os mais necessitados.

Luís Martin nasceu em Bordeaux (França) em 1823 e faleceu em Arnières-sur-Iton (França) em 1894. Enquanto Maria Zélia Guérin nasceu em San Saint-Denis-Sarthon (França) em 1831 e faleceu em Alençon (França), em 1877.

Desejo de dedicar sua vida a Deus
Ambos foram pessoas devotas desde muito jovens. Durante sua juventude e antes de se conhecerem, Maria Zélia queria levar uma vida religiosa no mosteiro das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, enquanto Luís Martin sentia o mesmo desejo de dedicar sua vida a Deus e foi para o mosteiro do Grande São Bernardo. Nenhum dos dois foi aceito, uma vez que Deus tinha outro plano para eles.

Os jovens se conheceram e o entendimento foi tão rápido que se casaram em 13 de julho de 1858, apenas três meses após seu primeiro encontro. Levaram uma vida matrimonial exemplar: missa diária, oração pessoal e comunitária, confissão frequente, participação na vida paroquial. De sua união, nasceram nove filhos, quatro dos quais morreram prematuramente.

Entre as cinco filhas que sobreviveram, estava Santa Teresinha, a futura santa padroeira das missões, que é uma fonte preciosa para a compreensão da santidade de seus pais: educavam suas filhas para serem boas cristãs e cidadãs honestas.

Quando sua esposa Zélia morreu em 1877, Luís se viu sozinho para seguir adiante com sua família e suas filhas pequenas. Mudou-se para Lisieux, onde morava o irmão de Zélia; deste modo, a tia Celina pode cuidar das filhas.

Entre 1882 e 1887, Luís acompanhou três de suas filhas para o Carmelo. O maior sacrifício foi se separar de Teresa, que entrou no Carmelo aos 15 anos e iniciaria seu caminho para a santidade.

domingo, 9 de junho de 2019

Frei Patrício: O Espírito Santo é sempre criativo e atual

No Pentecostes, recebe-se uma ordem por parte de Deus: sair ao descoberto, não ter mais medo, ir pelo mundo afora e anunciar para todos que Jesus não está morto, e que, na verdade, está vivo, Ressuscitado!

7 junho 2019
Nunca nos cansamos de celebrar as festas que são importantes na nossa vida, na Igreja, no mundo. Soam sempre cheias de novidades, de canto, de esperança. Nunca vi a Igreja se cansar de celebrar o Natal, a Páscoa, ou as festas de Maria. Todos os anos celebramos e nunca da mesma maneira. Há sempre um toque novo de alegria e de luz. Assim é o nosso aniversário, sempre com uma velinha a mais, uma flor diferente e alguém que canta os parabéns com um tom diferente e mais festivo. Mas se há uma festa, na vida da igreja, que tem um sabor diferente e que nos surpreende sempre é o Pentecostes.

Esta festa tem algo que mexe conosco, com os nossos sentimentos, e nos deixa sempre surpresos pela sua atualidade e novidade. A Igreja viveu o primeiro Pentecostes lá no Cenáculo de Jerusalém, onde estavam todos encerrados por medo dos judeus e por medo de ter o mesmo fim de Jesus, ou seja, de morrerem todos crucificados. Estavam em oração junto a Maria, quando se manifestou o mistério inaudito: a vinda do Espírito Santo, que vence todos os medos. O Pentecostes é a vitória para sempre sobre o medo. Seja qual for a sua causa, ele é, então, destruído, e a coragem, para dizê-lo com uma palavra que é bíblica, a parresia, igual à coragem e verdade, começa a fazer parte da vida de cada cristão.

Nestes últimos tempos da Igreja, somos espectadores desta vitória sobre seus medos internos e externos. Muitos falsos profetas querem dominá-la com o medo, enterrando problemas, “tapando o sol com a peneira”, fazendo de conta que tudo vai mal ou que tudo vai bem. A Igreja o vence com a luz do Espírito Santo, sabendo assim, discernir o que vai mal e, com força, tentar vencê-lo, e também sabe discernir o que vai bem e, com a mesma força, tentar salvá- lo e protegê-lo.

Uma nova evangelização
É tempo precioso o que estamos vivendo, o vento e o fogo do Espírito Santo descobrem os telhados de nossas cabeças, para infundir a eterna sabedoria que não conhece ocaso; os missionários continuam a ser enviados pelo mundo afora, tentando levar somente o Evangelho e com a força da paz da Cruz de Cristo chamar todos à conversão. Uma nova evangelização mais ousada, mais kerigmática, e mais humana e divina está penetrando em nossas igrejas, a fim de que os evangelizadores, fortes, com o Espírito de Deus, e inculturando o Evangelho onde forem enviados, sejam capazes de não trair a genuína mensagem de Jesus de Nazaré.

Você é uma pessoa humilde? Conheça os cinco tipos de ‘falsa humildade’.

Humildade deriva da palavra humus, terra, não só porque é humilde o homem que se reconhece terra, mas também porque a humildade é a terra fértil onde se cultivam as demais virtudes.1

A importância da humildade para avançar na amizade com Deus é expressa em diversos versículos bíblicos e também por muitos santos. Embora saibamos da importância desta virtude humana para avançar na vida espiritual, dificilmente refletimos se estamos trilhando, de fato, um caminho que leva à humildade. Neste texto, mostrarei cinco tipos de falsa humildade para que, a partir delas, possamos meditar se estamos ou não sendo humildes.

No paraíso há alguns que não foram mártires, nem contemplativos, nem virgens, mas não há nenhum que não tenha sido humilde. Santo Agostinho Roscelli
1- A humildade racionalista
Uma das formas de se alcançar a humildade (humana) é a razão. Basta observar a realidade, analisando o próprio passado, por exemplo, e perceberemos todas as vezes em que erramos, fomos fracos, insuficientes… Embora possa produzir bons frutos, a humildade puramente racionalista não é o bastante pois, por não estar fundada na fé, não consegue compreender a humildade dos santos que se alegraram ante a humilhação para imitar a Nosso Senhor!

sábado, 6 de abril de 2019

O santo que ajudava casais briguentos com água benta e um conselho

Hoje faz exatos 600 anos da sua partida para a eternidade, mas a essência do seu conselho continua perfeitamente válida
Nascido em 1350 em Valência, na Espanha, São Vicente Ferrer entrou na Ordem dos Pregadores (dominicanos) e se destacou no ensino de teologia e filosofia, promovendo com grande esmero a unidade da Igreja diante da dilaceração provocada pelo Cisma do Ocidente.

Como ele visitava muitos lugares para pregar e com isto impulsionava muitas conversões, costumava dar às esposas que discutiam muito com os maridos um pequeno frasco de água benta, juntamente com o seguinte conselho:

“Minha senhora, quando seu esposo chegar do trabalho, encha a boca de água e permaneça assim o maior número de minutos que puder”.

A ideia era prática: já que era muito frequente que muitos maridos chegassem nervosos, de cabeça quente, cansados e sem a menor sensibilidade para escutar, a proposta da “água de Frei Vicente”, naquele contexto cultural, era fomentar a atitude de não provocar a explosão. Haveria momentos mais oportunos para conversar, desabafar, propor mudanças de comportamento. Afinal, o que produz conflito não é o que se ouve da pessoa que está tensa, mas como se responde a ela no momento de tensão.

São Vicente Ferrer partiu desta vida em 1419, no dia 5 de abril, data em que é celebrada a sua festa litúrgica. Foi canonizado em 1455 pelo Papa Calisto III.


“Se desejas ser útil à alma do próximo, começa por recorrer a Deus de todo o coração, pedindo-Lhe, com simplicidade, que Se digne infundir em ti a caridade” (São Vicente Ferrer, 1350-1419).

segunda-feira, 25 de março de 2019

Padre Cantalamessa:“BEM-AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO, POIS VERÃO A DEUS.”

PRAYINGPe. Raniero Cantalamessa ofmcap
“BEM-AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO,
POIS VERÃO A DEUS.”
Primeira Pregação, Quaresma 2019

Continuando a reflexão iniciada no Advento sobre o versículo do salmo: “A minha alma tem sede do Deus vivo” (Sl 42, 2), nesta primeira pregação quaresmal gostaria de meditar convosco sobre a condição essencial para “ver” a Deus. Segundo Jesus, é a pureza de coração: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5, 8), diz ele em uma de suas bem-aventuranças.
Sabemos que puro e pureza têm na Bíblia, assim como na linguagem comum, uma grande variedade de significados. O Evangelho insiste em duas áreas em particular: a retidão de intenções e a pureza dos costumes. A pureza das intenções é contraposta pela hipocrisia, a pureza dos costumes pelo abuso da sexualidade.
Na esfera moral, a palavra “pureza” comumente se refere a um certo comportamento na esfera da sexualidade, marcado pelo respeito à vontade do Criador e à finalidade intrínseca da própria sexualidade. Não podemos entrar em contato com Deus, que é espírito, a não ser através do nosso espírito. Mas a desordem ou, pior ainda, as aberrações neste campo têm o efeito constatado por todos de obscurecer a mente. É como balançar os pés em um charco: a lama, do fundo, se eleva e enlameia toda a água. Deus é luz e uma tal pessoa “odeia a luz”.
O pecado impuro não deixa ver o rosto de Deus, ou, se o mostra, mostra-o todo deformado. Faz dele, não o amigo, o aliado e o pai, mas o antagonista, o inimigo. O homem carnal está cheio de concupiscências, deseja as coisas dos outros e a mulher dos outros. Nesta situação, Deus aparece para ele como aquele que bloqueia o caminho para os seus maus desejos por meio das suas ordens “Tu deves!”, “Tu não deves!”. O pecado desperta no coração do homem um ressentimento surdo contra Deus, a ponto de que, se dependesse dele, ele desejaria que Deus não existisse.
Nesta ocasião, porém, mais do que na pureza dos costumes, gostaria de insistir no outro sentido da expressão “puros de coração”, isto é, na pureza ou retidão das intenções, na prática, na virtude contrária à hipocrisia. O tempo litúrgico em que vivemos também nos orienta neste sentido. Começamos a Quaresma, a quarta-feira de cinzas, ouvindo novamente as admoestações esmagadoras de Jesus:
“Quando derdes esmolas, não toqueis trombeta diante de vós, como os hipócritas… Quando orardes, não sejais como os hipócritas… E quando jejuardes, não vos torneis tão melancólicos como os hipócritas” (Mt 6, 1-18).
É surpreendente o quanto o pecado da hipocrisia – o mais denunciado por Jesus nos evangelhos – pouco entre em nossos exames ordinários de consciência. Não tendo encontrado em nenhum deles a pergunta: “Fui hipócrita?”, tive que colocá-la por minha conta, e raramente passei incólume para a próxima pergunta. O maior ato de hipocrisia seria esconder a própria hipocrisia. Escondê-la de si mesmo e dos outros, porque não é possível de Deus. A hipocrisia é amplamente superada no momento em que é reconhecida. E é isso que nos propomos fazer nesta meditação: reconhecer a parte de hipocrisia, mais ou menos consciente, que está em nossas ações.
O homem – escreveu Pascal – tem duas vidas: uma é a vida verdadeira, a outra é a vida imaginária que vive na opinião, sua ou do povo. Trabalhamos incansavelmente para embelezar e preservar o nosso ser imaginário e negligenciamos o verdadeiro. Se possuímos alguma virtude ou mérito, temos o cuidado de torná-la conhecida, de uma forma ou de outra, para enriquecer nosso ser imaginário com essa virtude ou mérito, dispostos até mesmo a prescindir dela, para acrescentar algo a ele, a ponto de consentir, às vezes, de sermos covardes, com tal de parecermos valentes e a dar também a vida, desde que as pessoas falem sobre isso.
Vamos tentar descobrir a origem e o significado do termo hipocrisia. A palavra vem da linguagem teatral. No início significava simplesmente recitar, representar no palco. Aos antigos não escapava o elemento intrínseco de mentira que existe em cada representação cênica, apesar do elevado valor moral e artístico que lhe é reconhecido. Daí o julgamento negativo que pesava sobre a profissão de ator, reservado, em certos momentos, aos escravos e até mesmo proibido pelos apologistas cristãos. A dor e a alegria representadas e enfatizadas não são verdadeira dor e verdadeira alegria, mas aparência, afetação. A realidade íntima dos sentimentos não corresponde às palavras e atitudes externas. O que se vê no rosto não é o que está no coração.
Usamos a palavra ficção num sentido neutro ou até mesmo positivo (é um gênero literário e de entretenimento muito em voga hoje em dia!); os antigos deram-lhe o sentido que ela realmente tem: o do fingimento. O que havia de negativo no fingimento cênico passou para a palavra hipocrisia. De uma palavra originalmente neutra, tornou-se uma palavra exclusivamente negativa, uma das poucas palavras com todos, e apenas, os significados negativos. Há quem se vanglorie de ser orgulhoso ou libertino, ninguém de ser hipócrita.
A origem do termo nos coloca na trilha para descobrir a natureza da hipocrisia. É fazer da vida um teatro em que se atua para um público; é usar uma máscara, deixar de ser uma pessoa para se tornar um personagem. O personagem nada mais é do que a corrupção da pessoa. A pessoa é um rosto, o personagem é uma máscara. A pessoa é nudez radical, o personagem é todo vestuário. A pessoa ama a autenticidade e a essencialidade, o personagem vive de fingimentos e de artifícios. A pessoa obedece às próprias convicções, o personagem obedece a um guião. A pessoa é humilde e leve, o personagem é pesado e volumoso.
Essa tendência inata do homem é grandemente aumentada pela cultura atual, dominada pela imagem. Cinema, televisão, internet: agora tudo é baseado principalmente na imagem, disse Descartes: “Cogito ergo sum“, penso logo sou; mas hoje nós tendemos a substituí-lo por “apareço, portanto, sou”. Um famoso moralista definiu a hipocrisia como “o tributo que o vício presta à virtude”. Ameaça acima de tudo pessoas piedosas e religiosas. Um rabino do tempo de Cristo disse que 90% da hipocrisia do mundo estava em Jerusalém. A razão é simples: quanto mais forte for a estima pelos valores do espírito, da piedade e da virtude, mais forte será também a tentação de cortá-los para não se parecer privado deles.
Um perigo vem também da multidão de ritos que as pessoas piedosas estão acostumadas a realizar e das prescrições que se comprometem a observar. Se não forem acompanhadas por um esforço contínuo de colocar uma alma neles, através do amor a Deus e ao próximo, tornam-se cascas vazias. “Estas coisas – diz São Paulo falando de certos ritos e prescrições exteriores – têm uma aparência de sabedoria, com sua afetada religiosidade e humildade e austeridade em relação ao corpo, mas na realidade servem apenas para satisfazer a carne” (Cl 2,23). Neste caso, as pessoas guardam, diz o Apóstolo, “a aparência de piedade, enquanto negam a sua força interior” (2 Tm 3, 5).
Quando a hipocrisia se torna crônica, cria, no matrimônio e na vida consagrada, a situação de “vida dupla”: uma pública, evidente, outra oculta; muitas vezes uma diurna, outra noturna. É o estado espiritual mais perigoso para a alma, do qual se torna muito difícil sair, a menos que algo interfira de fora para romper o muro dentro do qual se está trancado. É a etapa que Jesus descreve com a imagem dos sepulcros caiados:
“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que pareceis túmulos caiados de branco: por fora estão lindos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão. Assim também vós: por fora pareceis justos diante dos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade” (Mt 23, 27-28).
Se nos perguntarmos por que a hipocrisia é tão abominável diante de Deus”, a resposta é clara. A hipocrisia é mentira. É esconder a verdade. Além disso, na hipocrisia o homem deve rebaixar a Deus, colocá-lo em segundo lugar, colocando as criaturas, o público, em primeiro lugar. É como se, na presença do rei, alguém virasse as costas para ele para se concentrar apenas nos servos. “O homem olha para a aparência, o Senhor olha para o coração” (1 Sam 16,7): cultivar a aparência mais do que o coração, significa automaticamente dar mais importância ao homem do que a Deus.
A hipocrisia é, portanto, essencialmente uma falta de fé, uma forma de idolatria, na medida em que coloca as criaturas no lugar do Criador. Jesus faz derivar dela a incapacidade dos seus inimigos de acreditarem n’Ele: “Como podeis crer, vós que vos gloriais uns aos outros, e não buscais a glória que vem somente de Deus? (Jo 5, 44). A hipocrisia falta também a caridade para com o próximo, porque tende a reduzir os outros a admiradores. Não lhes reconhece uma própria dignidade, mas os vê apenas em função da sua própria imagem. Números da audiência e nada mais.
Uma forma derivada da hipocrisia é a duplicidade ou insinceridade. Com a hipocrisia se procura mentir a Deus; com a duplicidade no pensar e no falar se procura mentir aos homens. Duplicidade é dizer uma coisa e pensar outra; falar bem de uma pessoa em sua presença e falar mal assim que ela vira as costas.
O juízo de Cristo sobre a hipocrisia é como uma espada flamejante: “Receperunt mercedem suam“: “receberam a sua recompensa”. Eles assinaram um recibo, não podem esperar outra coisa. Uma recompensa, além disso, ilusória e contraproducente também a nível humano, porque é muito verdadeiro o ditado que diz que “a glória foge de quem a persegue e persegue quem foge dela”.  
É evidente que a nossa vitória sobre a hipocrisia nunca será uma vitória à primeira vista. A menos que tenhamos atingido um nível muito elevado de perfeição, não podemos evitar instintivamente sentir o desejo de aparecer em boa luz, de causar boa impressão, de agradar aos outros. A nossa arma é a retidão de intenção. A reta intenção é alcançada através da constante e diária retificação de nossa intenção. A intenção da vontade, não o sentimento natural, é o que faz a diferença aos olhos de Deus.  
Se a hipocrisia consiste em mostrar também o bem que não se faz, um remédio eficaz para contrariar esta tendência é esconder também o bem que se faz. Privilegiar aqueles gestos escondidos que não serão desperdiçados por nenhum olhar terreno e que conservarão todo o seu perfume para Deus. “A Deus, diz São João da Cruz, é mais agradável uma ação, ainda que pequena, feita em segredo e sem o desejo de ser conhecida, do que mil outras feitas com o desejo de serem vistas pelos homens”. E ainda: “Uma ação feita inteiramente e puramente por Deus, com coração puro, cria um reino inteiro para aqueles que a fazem”.
Jesus insiste neste exercício: “Orai em segredo, jejuai em segredo, dai esmolas em segredo e vosso Pai, que vê no segredo, vos recompensará”. (cf. Mt 6,4-18). São iguarias para Deus que tonificam a alma. Não se trata de fazer disto uma regra fixa. Jesus também diz: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e dêem glória ao vosso Pai que está nos céus” (Mt 5, 16). É uma questão de distinguir quando é bom para os outros verem e quando é melhor para eles não verem.
O pior que se pode fazer, no final de uma descrição da hipocrisia, é usá-la para julgar os outros, para denunciar a hipocrisia que existe à nossa volta. É precisamente a eles que Jesus aplica o título de hipócritas: “Hipócritas, tirai primeiro a trave do vosso olho e depois vereis bem para tirar o cisco do olho do vosso irmão! (Mt 7,5). Aqui é verdadeiramente oportuno dizer: “Aquele dentre vós que não tem pecado, atire a primeira pedra” (Jo 8, 7). Quem pode dizer que está completamente livre de qualquer forma de hipocrisia? De não ser um pouco, também ele, um sepulcro caiado, diferente por dentro do que aparece por fora? Talvez só Jesus e Nossa Senhora tenham estado isentos, de forma estável e absoluta, de todas as formas de hipocrisia. O fato consolador é que, assim que se diz: “Fui hipócrita”, sua hipocrisia é superada.
“Se o teu olho é simples”
A palavra de Deus não se limita a condenar o vício da hipocrisia; ela também nos impele a cultivar a virtude oposta que é a simplicidade. “A lâmpada do corpo é o olho; portanto, se o teu olho é simples, todo o teu corpo será luminoso” (Mt 6,22). A palavra “simplicidade” pode ter – e tem ainda hoje – o sentido negativo de ingenuidade, superficialidade e imprudência. Jesus se preocupa em excluir este sentido; à recomendação: “Sede simples como as pombas” segue-se o convite a serem também “prudentes como as serpentes” (Mt 10, 16).
São Paulo retoma e aplica à vida da comunidade cristã o ensinamento evangélico sobre a simplicidade.  Na Carta aos Romanos escreve: “Quem dá, faça-o com simplicidade” (Rm 12, 8). Refere-se, em primeiro lugar, aos responsáveis, na comunidade, pelas obras de caridade, mas a recomendação se aplica todos: não só aos que dão dinheiro, mas também aos que dão do próprio tempo, do próprio trabalho. O sentido é não fazer pesar o que se faz pelos outros ou no próprio trabalho. Alessandro Manzoni, que no seu romance “Os noivos”, tão bem encarnou o espírito do Evangelho, tem uma cena muito delicada a este respeito. O bom alfaiate do país
“Interrompeu o discurso, como se estivesse se surpreendido por um pensamento. Parou um momento; depois juntou um prato com a comida que estava sobre a mesa, e acrescentando um pão, colocou o prato em um guardanapo, e pegando-o pelas quatro pontas, disse à sua filha maior: – tome aqui – . Deu-lhe um frasco de vinho na outra mão, e acrescentou: – vá até a Maria viúva; deixe isso com ela, e diga-lhe que deve estar um pouco alegre com seus filhos. Mas, com bons modos, viu; que não pareça que estás dando esmola”.
O apóstolo Paulo fala de simplicidade também em um outro contexto que nos interessa particularmente porque se refere à Páscoa.  Escrevendo aos Coríntios, diz:
“Livrai-vos do fermento velho para serdes massa nova, visto que sois sem fermento. Pois Cristo, a nossa Páscoa, já foi imolado. Celebremos, portanto, a festa não com o fermento velho, não com o fermento da malícia e da perversidade, porém com os pães sem fermento da pureza e da verdade. (1 Cor 5,7-8).  
A festa que o Apóstolo nos convida a celebrar não é uma festa qualquer, mas a festa por excelência, a única que o cristianismo conhece e celebra nos primeiros três séculos da sua história, a Páscoa. Na véspera da Páscoa, no dia 13 de Nisan, o ritual judaico ordenava que a anfitriã revistasse à luz de velas toda a casa, procurando em cada esquina, para fazer desaparecer qualquer pequeno vestígio de pão fermentado e assim celebrar o dia seguinte, a Páscoa com apenas pão ázimo. Para os judeus, o fermento era sinônimo de corrupção e o pão ázimo, símbolo de pureza, novidade e integridade. Neste sentido, Jesus chama a hipocrisia um fermento, “o fermento dos fariseus” (Lc 12,1).
São Paulo vê na prática ritual hebraica uma grande metáfora da vida cristã. Cristo foi imolado; ele é a verdadeira Páscoa da qual a antiga era uma expectativa; por isso é necessário vasculhar a casa interior, o coração, despojar-se de tudo o que é velho e corrupto, para ser “uma massa nova”; fazer, também dentro de nós, a grande limpeza da primavera. A palavra grega heilikrineia, traduzida como “sinceridade”, contém a ideia de esplendor solar (helios) e de prova ou julgamento (krino) e, portanto, significa uma transparência solar, algo que foi colocado contra a luz e encontrado puro.
A virtude da simplicidade tem o modelo mais sublime que se pode pensar: o próprio Deus. Santo Agostinho escreveu: “Deus é trino, mas não é triplo”. Ele é a própria simplicidade. A Trindade não destrói a simplicidade de Deus, porque a simplicidade diz respeito à natureza e a natureza de Deus é única e simples. São Tomás recolhe fielmente esta herança, fazendo da simplicidade o primeiro dos atributos de Deus.
A Bíblia exprime esta mesma verdade de modo concreto, através de imagens: “Deus é luz e nele não há trevas” (1 Jo 1, 5). A ausência de qualquer mistura é também um dos muitos significados do título divino Qadosh, Santo. Pura plenitude, pura simplicidade. A grande mística Santa Catarina de Gênova designa este aspecto da natureza divina, pela qual estava apaixonada, com nítido, claramente, um termo que indica, juntos, pureza e plenitude, plenitude e homogeneidade absoluta. Deus é “tudo num só pedaço”. A simplicidade de Deus é “pura plenitude”; a ele, diz a Escritura, “nada se pode acrescentar ou tirar” (Eclo 42, 21). Na medida em que é suma plenitude , nada lhe pode ser acrescentado; na medida em que é suma pureza, nada lhe deve ser tirado. Em nós, as duas coisas nunca estão unidas; uma contradiz a outra. A nossa pureza obtém-se sempre pela remoção de algo, pela purificação de nós mesmos, pela “remoção do mal das nossas ações” (cf. Is 1, 16).

Qualquer ação, ainda que pequena, se realizada com intenção pura e simples, nos torna “imagem e semelhança de Deus”. A intenção pura e simples reúne as forças dispersas da alma, prepara o espírito e o une a Deus. É o princípio, o fim e o ornamento de todas as virtudes. Ao somente tender a Deus e julgando as coisas em relação a Ele, a simplicidade rejeita e erradica o fingimento, a hipocrisia e toda a duplicidade… Esta intenção pura e simples é aquele olho simples do qual fala Jesus no Evangelho, que ilumina todo o corpo, ou seja, toda a vida e os atos do homem e os preserva imunes do pecado.
Aquela simplicidade é uma das realizações mais difíceis e mais belas da jornada espiritual. A simplicidade é própria de quem foi purificado por uma verdadeira penitência, porque é fruto de um total desapego de si mesmo e de um amor desinteressado por Cristo. Chega-se pouco a pouco, sem se desanimar com as quedas, mas com firme determinação de buscar a Deus por ele próprio e não por nós mesmos.
Se me permitem sugerir um propósito no final desta meditação, é o de procurar no Saltério, ou na liturgia das horas, o Salmo 139; recitá-lo lenta e repetidamente, como se o estivéssemos lendo pela primeira vez, ou melhor, como se o estivéssemos compondo nós mesmos ou fôssemos os primeiros a pronuncia-lo. Se a hipocrisia e a duplicidade consistem em procurar o olhar dos homens mais do que o de Deus, aqui encontramos o remédio mais eficaz. Recitar este salmo é como submeter-se a uma espécie de radiografia, como expor-se a raios X. Parece que estamos sendo atravessados de um lado para o outro pelo olhar de Deus. Lembro-me sempre da impressão da primeira que o recitei da forma como os estou dizendo. É assim que começa:
Senhor, tu me sondaste e me conheces e:
sabes quando me sento e quando me levanto,
de longe percebes os meus pensamentos.
Discernes minha caminhada e meu descanso
e estás a par de todos os meus caminhos.
A palavra ainda não chegou à minha língua,
e tu, Senhor, já a conheces toda…
Aonde irei para estar longe do teu espírito?
Aonde fugirei, longe de tua presença?
Se eu escalar o céu, aí estás;
se me deitar nas profundezas, também aí estás.
Se me apossar das asas da aurora
e for morar nos confins do mar,
também aí tua mão me conduz,
tua destra me segura.
Se eu disser: “As trevas, ao menos, vão me envolver
e a luz, à minha volta, se fará noite”,
nem sequer as trevas são bastante escuras para ti,
e a noite é tão clara como o dia,
tanto faz a luz como as trevas..

O maravilhoso é que esta consciência de estar sob o olhar de Deus não cria um sentimento de vergonha ou de desconforto, como aquele que se sente observado e descoberto em seus pensamentos mais secretos; pelo contrário, dá alegria porque se compreende que é o olhar de um pai que nos ama e quer que sejamos perfeitos, assim como ele é perfeito. De fato, o salmista termina a sua oração com o grito exultante:

” Sonda-me, ó Deus, e conhece meu coração!
Examina-me, e conhece minhas preocupações!
Vê se estou no caminho da mentira
e conduze-me pelo caminho da vida.”
Sim, vês, Senhor, se seguimos um caminho de mentiras e nos guie, nesta Quaresma, pelo caminho da simplicidade e da transparência. Amém.

Tradução Thácio Siqueira

As celebrações da Semana Santa 2019

O Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice notificou as cerimônias da Semana Santa 2019

A Semana Santa 2019 terá início dia 14 de abril, Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor e XXXIV Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Neste ano a JMJ terá uma celebração diocesana com o tema: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38)”. Na ocasião, o Papa Francisco presidirá a Santa Missa às 10 horas, ( 5 horas da manhã, hora de Brasília) na Praça São Pedro depois da Bênção dos Ramos.

Na Quinta-feira Santa, 18 de abril o Pontífice preside na Basílica Vaticana, às 9h30 (4h30, Brasília), a concelebração da Santa Missa Crismal, junto com os patriarcas, os cardeais, os arcebispos, os bispos e os presbíteros presentes em Roma.
Sexta-feira Santa, 19 de abril, celebração da Paixão do Senhor na Basílica de São Pedro. Neste dia, o Papa presidirá às 17 horas (12h, Brasília) a Liturgia da Palavra, a adoração da Cruz e o rito da comunhão. Às 21h15 (16h15, Brasília), o Papa irá ao Coliseu para a Via-Sacra, no final da qual dirigirá algumas palavras aos fiéis presentes e dará a bênção apostólica.

No Sábado Santo, 20 de abril, às 20h30 (15h30, Brasília), celebração da grande Vigília Pascal. No átrio da Basílica haverá a celebração da Luz, a bênção do fogo e a preparação do Círio Pascal. Segue a procissão até o altar da Cátedra com o Círio Pascal acompanhado pelo canto Exsultet. Em seguida, o Pontífice preside a Liturgia da Palavra, a Liturgia Batismal e a Liturgia Eucarística.

A Semana Santa terá a sua conclusão com a Santa Missa de Páscoa que está programada para o domingo, 21 de abril, às 10h (5h, Brasília) na Praça São Pedro. No final da celebração, do balcão da basílica, o Papa fará a bênção “Urbi et Orbi”.

Todas as celebrações presididas pelo Santo Padre serão transmitidas pela Rádio Vaticano – Vatican News, com comentários em português.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Um conto de esperança sobre os desígnios de Deus no Ano Novo

Sol em Áries:  Ano Novo Astrológico de 2018  começa em 20 de março
Baseado em uma história real

Esse conto de Ano Novo, baseado em fatos reais, é uma prova de que dias melhores sempre virão e que Deus sempre tem uma razão para o que escreve, mesmo que por linhas tortas.

Artur cresceu sem o pai, mas não era uma pessoa triste. Em vez de se revoltar contra a vida, tornou-se um homem de grandes valores e com muito amor para dar. Seu maior sonho era ter um filho para ser o pai que nunca teve. Por isso em seus votos de ano novo, sempre incluiu a resolução de se tornar pai.

Sofia nasceu em uma família pobre. Por falta de condições sua mãe a entregou para a adoção. Apesar de ser um bebê querido, não foi fácil encontrar uma nova família. Sofia não lembra do rosto dos seus pais, mas isso não a faz uma pessoa amargurada. Todo ano novo ela deseja felicidades para seus pais biológicos. E promete a si mesma que no dia que se tornar mãe, ficará com seu filho para sempre.

Arthur fazia trabalho voluntariado em um hospital infantil. Vestia-se de palhaço para levar alegria e ânimo para aquelas crianças enfermas. Uma delas tinha como babá, Sofia.  Foi então que se conheceram. Passaram a se encontrar e se apaixonaram. Logo o sonho de ter um filho se unificou e o amor os levou ao altar.

Valentina se fosse menina. Mas se fosse menino ainda teria de escolher entre Vítor ou Miguel. Porém, primeiro, Sofia se formou e Artur conseguiu um emprego melhor.

Com a vida estável, Sofia descobriu que estava grávida. Artur quase desmaiou quando soube da notícia. Abraçaram-se e choraram muito. Valentina, veio ao mundo perfeita para realizar o sonho e completar a vida de seus papais apaixonados. No primeiro Ano-Novo juntos, Artur não pediu um filho, ele já tinha Valentina e Sofia ratificou a promessa de ficar ao lado dela para sempre.

Valentina foi um bebê muito adiantado. Deu seus primeiros passos cedo. Aprendeu a falar muito rápido. Eram uma família muito feliz. Amavam demais a filha. Sofia até parou de trabalhar para poder cuidar melhor de Valentina.

Mas Valentina perdeu a animação. Pensaram seus pais que era o cansado do dia. Mas aquela prostração permaneceu. Então, resolveram levá-la ao médico. Valentina estava com leucemia. Foram meses de luta e sofrimento, até que, logo após completar 6 anos, a doce menina não resistiu e partiu. Partiu-se também o coração de seus pais. Artur e Sofia perderam seu chão e o sentido para a vida. Era difícil entender que Valentina havia completado sua missão.

Meses depois, ainda muito abalada, Sofia descobriu-se grávida novamente. A notícia não conseguiu animar casal que ainda tinha o coração despedaçado. Resolveram decidir o nome mais para frente.

No dia 31 de dezembro, estavam sentados na varanda do seu apartamento tentando decidir o que fazer na noite da virada. Ainda estavam muito tristes. Artur só queria ficar em casa, ainda mais que Sofia estava completando 8 meses de gravidez e sua barriga estava enorme.

– Vamos fazer algo, amor?

– Nada, amor. O Ano Novo não tem mais sentido para mim e nunca mais terá.

Sofia não respondeu porque também sentia o mesmo. Ficaram em silêncio por um tempo. Contemplando a paisagem tentando amenizar a saudade de Valentina e sem quaisquer resoluções para novo ano que chegava.

Foi, então, que o silêncio foi interrompido por um forte barulho de água caindo no chão. Era a bolsa de Sofia que havia estourado. Correram para o hospital. Às 2h45 do dia primeiro de janeiro, nasceu Victor e, cinco minutos depois, Miguel, seu irmão gêmeo.

E, então, o Ano Novo de Artur e Sofia nunca mais deixou de ter sentido.

Não importa o que aconteça, não esmoreça e sempre mantenha a fé e a esperança, porque, a injustiça não existe para Deus e apesar de não entendermos o sentido das dores, sempre haverá uma nova chance para recomeçar…

FELIZ ANO NOVO!!!

(via Provocações Filosóficas)

Ano novo: Deus é a novidade infinita

Imagens De Ano Novo 2019
Todos os dias, ligamos a televisão e as notícias chegam a cada momento em nossas casas através dos mais diversos jornais disponíveis. A velocidade da informação também chega nos smartphones em um piscar de olhos, e deslizando a tela do celular, descobrimos que o artista famoso morreu, que o acidente foi fatal, que o Brasil perdeu a copa do mundo e que geou no Rio Grande do Sul. A cada atualização, uma novidade, uma surpresa, um choque, uma mudança radical. Celebramos a vitória de um atleta, choramos com o alagamento das casas em nossa cidade, ficamos perplexos com os bombardeios mundo a fora e nos unimos às famílias que choram a perda de seus entes.


Mais do que nunca, vivemos a experiência da novidade em nossas vidas, e temos a sensação constante de que o mundo “não para” e que pertence a nós. A separação do casal famoso da TV faz a adolescente chorar, como se fosse a sua própria separação com o namoradinho da escola. As pessoas assumem para si, coisas que não necessariamente fazem parte de suas vidas. Existe uma sede de novidade. O novo atrai tanto, que é constantemente buscado, consumido, é overdose diária. A notícia impacta, transforma o dia-a-dia, vira assunto nas rodas de conversa e parece nos rodear de uma forma tão intensa, que comentar o mundo exterior parece já ter virado rotina. E de tanto olhar para fora, esquecemos, muitas vezes, da novidade infinita que acontece todos os dias dentro de nós.

Como assim?

Vou explicar.

Todos os dias, algo de muito novo acontece dentro de você. Em todos os sentidos. Você chora, ri, se alegra, fica com raiva, sonha, tem medo, acha que não vai conseguir e consegue, se decepciona, reacredita, cai, levanta, dorme, acorda… E diante de tantos acontecimentos, mesmo quando tudo parece mal, de uma maneira sobrenatural… você não desiste. E tenta. Tenta de novo. E de alguma forma, mesmo quando o mundo parece estar desabando ao seu redor, algo lá no fundo, ainda que às vezes meio abafado, parece dizer ‘isso não é o fim’. E tudo começa de novo. E, assim, ganhamos um novo vigor, uma nova página, um novo amanhã, que, na verdade, começa em nosso hoje. Acontece em nosso hoje. Só pode existir algo muito mais ágil e muito mais atual do que qualquer telejornal dentro de nós, já parou para pensar nisso?

E esse ‘algo’ é o próprio Deus. Na verdade, Ele é alguém.

Alguém que habita em nós de maneira tão intensa, Alguém que é tão presente, que faz novas todas as coisas em nosso hoje! Jesus é atemporal. Chegou na história de Madalena, e em um piscar de olhos transformou a prostituta em um testemunho de misericórdia. Transformou o pescador de peixes em ‘pescador de homens’, o incrédulo em um seguidor fiel e o ladrão preso à cruz a um eterno liberto no Reino dos Céus. Quando Jesus entra na vida de alguém, o Amor também entra na vida desse alguém, e é isso que dá sentido a todas as coisas.

E por que eu estou dizendo tudo isso?

Porque neste ano que já está acabando, você deve ter passado por muitas coisas, assim como eu. Deve ter achado que tudo estava errado várias vezes. Deve ter achado tudo confuso e difícil de se viver. Deve ter vivido alegrias intensas também, ou dado passos de fé que te fazem ter uma incerteza enorme do amanhã. Ô meu caro, eu sei o que é isso. E sei também que o desejo de ter uma nova esperança fica aflorado com a chegada de um novo ano. Fazemos promessas, propósitos, queremos o novo. De novo. E de novo. E de novo.

Esse nosso anseio pelo novo, na verdade, vem por um desejo de se saciar inteira e completamente pelo Amor de Deus! Sim, Ele é a novidade infinita! Ele transforma a lágrima em riso, a confusão em sentido, o ‘não tem jeito’ em ‘tem jeito sim!’. Com Ele, é possível mudar. É possível recomeçar, apertar o ‘F5’ definitivo na sua vida! E o que se atualiza com Cristo é sempre o Amor misericordioso dEle por você: que não passa, não acaba, e como diz em Coríntios 13, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Ele não desiste de você!

Por isso, meu caro amigo, nessa virada de ano eu quero lhe fazer uma proposta diferente: viva o novo a cada segundo do Amor de Deus por você. Ele está em você, está aí dentro, e brilha mais do que os fogos de artifício que soltam por aí. Ele é a luz que nunca apaga, que resplandece sempre, e não está muito longe, basta olhar para dentro de você. É o estoque que se renova e você nem percebe.

Em alguns anos como estudante de jornalismo, descobri, na verdade, que a notícia mais atual da minha vida é a que me faz ser misericordiada a cada segundo: DEUS ME AMA! DEUS TE AMA! Sim, com Ele tudo é novo sempre! Eu não preciso esperar a virada, ou os 365 dias para recomeçar. Eu recomeço com o Seu perdão, volto com o Seu abraço e choro no Seu colo de Pai, para assim sorrir novamente. É em Jesus que recarregamos as nossas energias!

Que nesse ano que se aproxima, você viva um novo a cada dia. E recomece quantas vezes for necessário! Permita-se descobrir que a maior atualização que existe é a da sua história de salvação que é o próprio Amor de Deus por você. Reconcilie-se com você mesmo nesse instante presente. Como Pai, de braços abertos, Ele está sempre a te esperar com os Seus mistérios de Amor. Volte ao essencial. Deus tem novidades a te contar.

Shalom! Feliz vida nova! Feliz 2019!

Cássia Carvalho

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

O dia em que Padre Pio segurou o Menino Jesus nos braços

Testemunhas confirmam as visões que ele tinha na época do Natal

Padre Pio adorava o Natal. Desde criança, ele tinha uma devoção muito especial ao Menino Jesus. 

De acordo com o padre capuchinho Joseph Mary Elder, “Na casa dele em Pietrelcina, o próprio [Padre Pio] preparava a manjedoura. Ele costumava começar a trabalhar já em outubro… Quando visitava a família, procurava pelas pequenas imagens de pastores, ovelhas e magos. Ele criava o presépio, fazendo e refazendo-o continuamente até que ele achasse que estava certo.”

Essa devoção permaneceu com ele durante toda a vida. Em uma carta a uma filha espiritual, ele escreveu: “Quando começou a Santa Novena em honra ao Menino Jesus, senti como se meu espírito estivesse nascendo de novo para uma nova vida. Senti como se meu coração fosse pequeno demais para abraçar todas as nossas bênçãos celestes.”

A Missa da Meia-Noite em particular era uma celebração alegre para o Padre Pio, que ele repetia todos os anos. Durante a Missa, a alma dele era elevada a Deus com grande alegria, uma alegria que os outros podiam ver facilmente.

Além disso, testemunhas relataram que viram Padre Pio segurando o Menino Jesus. Não era uma estátua de porcelana, mas o próprio Menino Jesus em uma visão milagrosa.


Renzo Allegri conta a seguinte história.

“Estávamos rezando o rosário enquanto esperávamos a Missa. Padre Pio estava rezando conosco. De repente, em uma aura de luz, vi o Menino Jesus aparecer nos braços dele. Padre Pio ficou transfigurado, seus olhos fitavam a criança brilhante em seus braços, seu rosto foi tomado por um sorriso atônito. Quando a visão desapareceu, o Padre Pio percebeu o jeito que eu estava olhando para ele e concluiu que eu tinha visto tudo. Mas ele se aproximou de mim e me disse para não contar para ninguém.”

Uma história semelhante foi contada pelo Pe. Raffaele da Sant’Elia, que morou ao lado do Padre Pio por muitos anos:

“Em 1924, eu me levantei para ir à igreja para a Missa da meia-noite. O corredor era enorme e escuro, e a única iluminação era a chama de uma pequena lamparina a óleo. Através das sombras, pude ver que Padre Pio também estava indo para a igreja. Ele havia saído do quarto e caminhava devagar pelo corredor. Eu percebi que ele estava envolto em um feixe de luz. Eu dei uma olhada melhor e vi que ele tinha o Menino Jesus em seus braços. Eu apenas fiquei parado, paralisado, na porta do meu quarto, e caí de joelhos. Padre Pio passou, todo radiante. Ele nem percebeu que eu estava lá.”

Esses acontecimentos sobrenaturais destacam o profundo e eterno amor de Padre Pio por Deus. Um amor marcado pela simplicidade e humildade, com o coração aberto para receber qualquer coisa que Deus tivesse planejado para ele.

Que possamos também abrir nossos corações para receber o Menino Jesus no dia de Natal e deixar que o amor insondável de Deus nos supere com alegria cristã.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Leve seus medos ao presépio e supreenda-se

LIVE NATIVITY SCENE
"Quem ama o rosto do Onipotente não temerá o rosto dos poderosos deste mundo”

Frequentemente, o medo me tira a alegria e me entristece. Tenho medo que me tratem de acordo com a minha fraqueza. Que descubram minhas carências e não me amem. Que me julguem culpado pelo delito da debilidade. 

E, então, perco o sorriso dos meus olhos e deixo de ter esperança. Saber que o Senhor cancelou minha condenação e expulsou meus inimigos me dá paz. Já não temerei, pois Deus me ama. Eu já não tenho nada a temer, nada a perder. O Advento me enche de esperança. Jesus vem reinar em minha vida. Vem ocupar o lugar central em meio às minhas angústias e os meus medos. Ele pode tudo. 

Quero colocar diante do presépio os medos que me turvam. As inquietudes que me tiram a paz e o sorriso. As feridas que doem no mais profundo da minha alma. 

Jesus me convida a ficar tranquilo.

Paz, ausência de temor, mesura, despreocupação. Isso é possível?  Vivo tão inquieto neste mundo. Vejo guerra, violência, escravidão. Não encontro paz. E o Advento me fala desta paz daquele que é dono de sua vida. Sou dono do meu caminho? Vejo-me querendo controlar meu futuro. Tenho medo de dar passos em falso. Temo não controlar todas as minhas decisões. 


Medo do fracasso, medo de não ser feliz, medo de perder o sentido? São medos tão humanos…

Quero controlar tudo o que me tira a paz. Não estou disposto a colocar minha vida nas mãos de Deus. É difícil deixar Jesus reinar na minha vida. Sem controle, sem seguranças. Ver a escravidão me dói na alma. Minha fragilidade não reconhecida me assusta. 

O Padre José Kentenich lembra as palavras de Santo Agostinho: “Santo Agostinho disse acertadamente: quem ama o rosto do Onipotente não temerá o rosto dos poderosos deste mundo”. 

Se eu amo a Deus e o coloco no centro da minha vida, deixarei de temer o rosto dos poderosos. Os outros nem querem meu mal. Sou eu que escolho o meu mal, muitas vezes fugindo por medo de sofrer. 

Acabo escolhendo o que me convém, o que me fere e me escraviza. Fujo de mim mesmo e não me encontro. 

Continuamente, encontro-me com uma imagem de Deus em meu coração – e isso me tira a paz. Eu pensava que ele já não estava mais lá. Mas, subitamente, ele surge de trás das cortinas da alma. Renasce das cinzas. 

Um Deus que espera algo de mim. Que quer um sim sem reservas. Que se escandaliza diante dos meus pecados, diante do meu egoísmo, diante dos meus nãos e resistências. 

Um Deus que exige de mim um comportamento exemplar e se sente decepcionado quando eu falho. Nunca está contente com o que eu faço. Eu noto isso em seu olhar. Ele não aceita meus defeitos e não perdoa minhas fraquezas. 

Não sei como, mas ele volta a aparecer quando eu achava que o tinha destruído. 

Mudo o meu olhar. Olho para este Deus em que eu creio de verdade. Este Deus que me olha complacente. E se alegra com meus sucessos. Que se comove quando eu caio. Sorri com meu sorriso.

Ele me olha, dizendo que minha vida tem sentido e vale a pena. E me diz: “Eu te amo hoje mais do ontem, antes de sua queda”. 

Não entendendo esse Jesus que quer reinar em mim e pretende me amar do jeito que eu sou. Ele conhece os meus limites. Eu, que pensava ser dono da minha vida, seguro de meus talentos e virtudes. Tive que acariciar a humilhação para me sentir amado. Percorri o caminho do perdão para poder me encontrar com seus olhos mais verdadeiros. 

A luta entre esses dois deuses que convivem em meu interior me desconcerta. Creio que vence o bondoso. O rosto de Deus Pai, que me mostra Jesus, com seu amor incondicional e gratuito. 

E surge da morte esse Deus juiz, que eu achava que estava morto e esquecido. E me julga mais do que eu mesmo. Ou talvez seja eu que não me perdoo? E me olho mal? 

Sou parte desse Deus que eu conheci alguma vez na minha vida. Em algum rincão escondido da minha alma volta a surgir seu rosto, cheio de raiva, distante e perfeccionista. 

Um rosto que não é o daquele Deus que me causa alegria. Mas de outro Deus, que me pressiona, exige e entristece. Eu achava que o tinha vencido. Mas ele volta. 

Preciso, então, olhar o Jesus que me ama, que não me julga. O menino que nasce. Preciso encontrá-lo. Dentro de mim. E em outros olhares humanos, que me olham da mesma forma e me fazem acreditar que eu valho muito mais do que acredito. Essa crença já não me limita. Pelo contrário: essa fé me levanta, me alegra e me eleva sobre os meus limites. 

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Esta é a oração que Padre Pio fazia quando rezava por alguém

PADRE PIO

Milhares de milagres foram obtidos através desta simples oração

Normalmente, temos nossa oração “de cabeceira” para fazer quando alguém nos pede que rezemos por uma intenção específica, né? Pode ser o Terço, o Pai Nosso ou simplesmente uma súplica sincera a Deus.
São Pio de Pietrelcina – mais conhecido como Padre Pio – tinha sua oração favorita, que ele rezava para todos que pediam. E, muitas vezes, a intenção era milagrosamente respondida por Deus.
Abaixo, reproduzimos esta oração poderosa. Na realidade, a oração foi composta por Santa Margarida Maria Alacoque e é conhecida como “Novena do Sagrado Coração de Jesus”.
O coração de Jesus é cheio de amor e compaixão. E esta oração é uma declaração de confiança neste amor, na crença de que Ele pode atender nossos pedidos, se for de sua santa vontade.
Mas devemos rezar com uma fé sincera, como o Padre Pio fazia. Esta oração não é mágica, e Deus não é um gênio que nos concede tudo o que pedimos. Mas ele sabe exatamente do que precisamos.

I. Ó, meu Jesus, que disseste: “Peçam, e lhes será dadobusquem, e encontrarãobatam, e a portalhes será aberta”, eis me aqui que, confiando em tuas santas palavras, bato à porta, busco e peço a graça …. (formular o pedido).
Rezar: Pai Nosso, Ave Maria e Glória. “Sagrado Coração de Jesus, espero e confio em Ti”.
II. Ó, meu Jesus, que disseste: “Céus e terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão”, eis me aqui, e, confiando na infalibilidade de tuas santas peço a graça… (formular o pedido). 
Rezar: Pai Nosso, Ave Maria e Glória. “Sagrado Coração de Jesus, espero e confio em Ti”.
III. Ó, meu Deus, que disseste: “Tudo o que pedires a meu Pai em meu nome vo-lo farei”, eis me aqui, e ao Pai Eterno e em teu nome peço a graça… (formular o pedido). 
Rezar: Pai Nosso, Ave Maria e Glória. “Sagrado Coração de Jesus, espero e confio em Ti”.
Ó, Sagrado Coração de Jesus, que é incapaz de não sentir compaixão pelos infelizes, tem piedade de nós, pobres pecadores, e concede-nos as graças que pedimos em nome do Imaculado Coração de Maria, nossa Mãe. São José, pai adotivo do Sagrado Coração de Jesus, rogai por nós. Amém.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Como fazer a Lectio Divina?



Lectio Divina é um exercício de escuta pessoal da Palavra de Deus. Funciona como uma escada de quatro degraus espirituais.
A Bíblia é a Palavra de Deus viva, é a comunicação do Senhor que se releva ao Seu povo, relatando a história do povo de Deus, as Suas promessas e a Sua vitória sobre a morte. Dentro da Comunidade Católica Shalom, a vivência com a Palavra é fundamental e essencial para cultivar e crescer na amizade com Deus. O método utilizado para o estudo bíblico é a Lectio Divina.
Lectio Divina é um exercício de escuta pessoal da Palavra de Deus. Funciona como uma escada de quatro degraus espirituais: Leitura, Meditação, Oração, Contemplação. Sendo que os degraus são mais para a compreensão, pois o Senhor, na liberdade do seu Espírito, pode elevar à oração e à contemplação no momento que lhe aprouver. É preciso, portanto, estar aberto à ação do Espírito Santo: “Buscai na leitura e encontrareis na meditação; batei pela oração e encontrareis pela contemplação” (Monge Guido II, Idade média).
Para compreendermos melhor e crescermos na intimidade com Deus, vejamos os passos a seguir:
Comecemos invocando o Espírito Santo.
Leitura
O que fala o texto? É necessário está atento aos detalhes: o ambiente, o desenrolar dos acontecimentos, os personagens do texto, quais são os diálogos, a reação das pessoas; procurando perceber os seus sentimentos, as questões mais interessantes, as palavras e trechos que chamam mais atenção. Esse passo é o que exige maior esforço da nossa parte.

Meditação
O que diz o texto de forma pessoal para mim? Este é o momento de se colocar diante da Palavra. É hora de “ruminar”, saborear a Palavra de Deus. Na meditação vamos questionando, confrontando a passagem com a nossa vida, por meio do Espírito Santo.
Oração
O que o texto me faz responder ao Senhor? A oração nasce como fruto da meditação. Os sentimentos nos levam a dar uma resposta a Deus. Através do Espírito Santo, nos é suscitado o louvor, a súplica, a oração penitencial, a oferta.
Contemplação
O que a Palavra faz em mim? É o próprio Deus que age em nossas vidas. É permitir a ação de Deus que recebe a nossa oração e nos leva ao Seu coração. Na contemplação nós somos impelidos a ser como Cristo.
Que o próprio Deus nos conceda a graça de a cada novo dia crescermos na intimidade com a Sua palavra.
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