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domingo, 11 de fevereiro de 2018

Com grande simplicidade, Bento XVI conta por que renunciou



No livro “Servo de Deus e da humanidade”, biografia de Bento XVI lançada em agosto de 2016 pelo teólogo italiano Elio Guerriero, o prefácio é assinado por ninguém menos que o Papa Francisco, que presta vibrante homenagem ao seu antecessor:

“Sua discreta presença e oração pela Igreja constituem um apoio e um conforto”.

Uma semana antes do lançamento dessa biografia, Bento XVI tinha concedido uma entrevista ao próprio Elio Guerriero, publicada pelo jornal italiano La Repubblica. O Papa Emérito evocou naquela ocasião, com grande simplicidade, as razões que o haviam levado à histórica decisão de renunciar.

“A renúncia me surgiu como um dever”
Bento XVI declarou, em referência à Jornada Mundial da Juventude que estava prevista para o ano seguinte à sua renúncia, no Rio de Janeiro:

quinta-feira, 6 de abril de 2017

A técnica não salvará o homem. Artigo de Joseph Ratzinger.

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Foi publicado nesta terça-feira, 4 de abril, o livro Il tempo e la storia. Il senso del nostro viaggio [O tempo e a história. O sentido da nossa viagem] (180 páginas), uma coleção de escritos de Joseph Ratzinger inéditos na Itália. São textos dos anos 1970, anteriores à nomeação episcopal do papa emérito, que está prestes a completar, no próximo dia 16 de abril, 90 anos.

Um trecho do livro foi publicado por La Stampa.

” Hoje cresce de novo a angústia que parecia ter desaparecido no momento otimista do pós-guerra. Quando os homens puseram pela primeira vez o pé na lua, ninguém pôde escapar do entusiasmo, do orgulho, da alegria pela grande obra que o ser humano tinha conseguido realizar naquele momento. Acolheu-se o evento como a vitória não de uma nação, mas da humanidade.

No entanto, no momento da alegria, entrelaçavam-se os motivos de uma profunda tristeza, porque o mesmo homem que tinha feito tal obra inédita não é capaz de impedir que, ano após ano, milhares e até milhões de pessoas morram de fome, porque não é capaz de dar a milhões de seres humanos, seus irmãos, uma existência digna do ser humano, porque não é capaz de pôr fim à guerra e de parar a crescente onda de violência. O poder técnica não é necessariamente um poder humanitário; o poder de agir sobre si mesmo está em um plano totalmente diferente no que diz respeito à execução técnica.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

“Bento XVI está semicego há mais de 20 anos”, revela Georg Gänswein, secretário particular de Bento XVI.

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O arcebispo alemão Georg Gänswein, prefeito da Casa Pontifícia e secretário particular de Bento XVI, em artigo publicado no jornal Corriere della Sera, 02-10-2016, comenta o recente livro-entrevista do papa emérito, Ultime conversazioni[Últimas conversas], acrescentando outras revelações sobre o papa emérito.
Gostaria de iniciar com um esclarecimento que, talvez, ainda poderá ser muito útil. Estas“últimas conversas” não são um “hard talk” beligerante, como o famoso programa de televisão da BBC, e Peter Seewald não tentou absolutamente colocar Bento XVI“contra as grades”.
O livro contém, ao contrário, o registro de uma série de encontros “coração a coração”, ocorridos antes e depois da renúncia do papa, entre duas almas muito diferentes entre si, mas bávaras até a medula (isso eu posso dizer, não sendo bávaro e vindo da Floresta Negra), que, interrogando intensamente a memória, entram em confidência. As respostas do papa emérito surpreendem aqui por uma intimidade totalmente particular e nova, em que o livro envolve o leitor, e por uma linguagem direta. Ficamos sabendo, por exemplo, da boca do papa, depois da renúncia, que o seu opositor Hans Küng “falava demais”.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Francisco: Igreja tem grande dívida para com Bento XVI

francisco e bentoO Papa Francisco afirma num texto de homenagem ao seu predecessor que a Igreja Católica tem uma “grande dívida” para com Bento XVI.

“Todos na Igreja temos uma grande dívida de gratidão para com Joseph Ratzinger-Bento XVI pela profundidade e o equilíbrio do seu pensamento teológico, vivido sempre ao serviço da Igreja, até às responsabilidades mais elevadas”, escreve, no prefácio da nova biografia do agora Papa emérito, ‘Servidor de Deus e da humanidade’.

O livro, assinado por Elio Guerriero, tem a chancela da editora Mondadori e vai chegar às bancas a 30 de agosto, incluindo uma entrevista a Bento XVI.

Francisco aceitou prefaciar a obra, elogiando a “coragem e determinação” com que o seu antecessor enfrentou “situações difíceis”, colocando a Igreja num caminho de “renovação e purificação”.

“O contributo da sua fé e da sua cultura para um magistério da Igreja capaz de responder às expectativas do nosso tempo, sobretudo no decorrer das últimas três décadas, foi fundamental”, sustenta o Papa.

O prefácio foi divulgado hoje, na íntegra, pelo jornal ‘Avvenire’, da Conferência Episcopal Italiana.

Francisco fala numa “ligação espiritual” que considera “particularmente profunda” com Bento XVI e agradece a presença “discreta” e a oração do Papa emérito pela Igreja.

Além da nova biografia, vai ser publicada em setembro outra obra dedicada a Bento XVI, intitulada ‘Last Testament: In His Own Word’ (Último Testamento: nas suas próprias palavras), em que o Papa emérito percorre vários temas do seu pontificado, em colaboração com o jornalista alemão Peter Seewald.

Bento XVI anunciou a sua renúncia ao pontificado a 11 de fevereiro de 2013 e está a manter desde então uma vida de recolhimento, no Vaticano, surgindo esporadicamente em público para acompanhar cerimônias presididas por Francisco ou receber homenagens.

Joseph Ratzinger nasceu em Marktl am Inn (Alemanha), no dia 16 de abril de 1927, e passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da Áustria.

Juntamente com o seu irmão Georg, foi ordenado padre a 29 de junho de 1951; dois anos depois, doutorou-se em teologia com a tese ‘Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho’.

De 1962 a 1965, participou no Concílio Vaticano II como ‘perito’, após ter chegado a Roma como consultor teológico do cardeal Joseph Frings, arcebispo de Colônia.

Em 25 de março de 1977, o Papa Paulo VI nomeou-o arcebispo de Munique e Frisinga; a 28 de maio seguinte, recebeu a sagração episcopal e escolheu como lema episcopal ‘Colaborador da verdade’.

O mesmo Paulo VI criou-o cardeal, no consistório de 27 de junho de 1977.

João Paulo II nomeou o cardeal Joseph Ratzinger como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional, em 25 de novembro de 1981.

No dia 19 de abril de 2005 foi eleito como o 265.º Papa, sucedendo a João Paulo II; a 11 de fevereiro de 2013, Dia Mundial do Doente e memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, anunciou a renúncia ao pontificado, com efeitos a partir do dia 28 do mesmo mês, uma decisão inédita em quase 600 anos de história na Igreja Católica.

Durante o pontificado encerrou a sua trilogia sobre ‘Jesus de Nazaré’ com um livro sobre a infância de Cristo e assinou um artigo sobre o Natal no jornal econômico ‘Financial Times’; em 2010 foi lançado o livro-entrevista ‘Luz do Mundo’, de 2010, resultante de uma conversa com o jornalista alemão Peter Seewald.

Fonte: Ecclesia

quarta-feira, 23 de março de 2016

Leia texto integral da recente entrevista com Bento XVI. “A fé cristã não é uma ideia, mas uma vida”.

CRb5n5pUYAAwdTQPublicamos o texto integral da entrevista com Bento XVI contida no livro Per mezzo della fede. Dottrina della giustificazione ed esperienza di Dio nella predicazione della Chiesa e negli Esercizi Spirituali [Por meio da fé. Doutrina da justificação e experiência de Deus na pregação da Igreja e nos Exercícios Espirituais], editado pelo jesuítaDaniel Libanori (Cinisello Balsamo: Edizioni San Paolo, 2016, 208 páginas), no qual o papa emérito fala da centralidade da misericórdia na fé cristã.
O volume reúne as atas de um congresso que ocorreu em outubro passado em Roma. Como escreve Filippo Rizzi no jornal Avvenire dessa quarta-feira, o autor da entrevista (cujo nome não está presente no livro) é o jesuíta Jacques Servais, aluno de Hans Urs von Balthasar e estudioso da sua obra.
A íntegra da conversa foi publicada pelo jornal L’Osservatore Romano.
Eis a entrevista.
Santidade, a questão posta este ano no quadro das jornadas de estudo (8-10 de outubro de 2015) promovidas pela Reitoria do Gesù, em Roma, é a da justificação pela fé. O último volume da sua Opera omnia(GS IV) evidencia a sua afirmação resoluta: “A fé cristã não é uma ideia, mas uma vida”. Comentando a célebre afirmação paulina (Rm 3, 28), o senhor falou, a esse respeito, de uma dupla transcendência: “A fé é um dom aos crentes comunicado através da Comunidade, que, de sua parte, é fruto do dom de Deus” (“Glaube ist Gabe durch die Gemeinschaft, die sich selbst gegeben wird”, GS TV; 512). Poderia explicar o que o senhor quis dizer com essa afirmação, levando em conta, naturalmente, o fato de que o objetivo dessas jornadas é esclarecer a teologia pastoral e vivificar a experiência espiritual dos fiéis?

terça-feira, 7 de julho de 2015

A natureza da Igreja simbolizada em uma imagem: a Lua. Artigo imperdível de Joseph Ratzinger.

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Chamou muito a atenção dos meios de comunicação o pensamento conclusivo, nesse domingo, do Papa Francisco sobre a Lua que não brilha com luz própria no seu discurso de boas-vindas a Quito, no Equador.
O papa disse: “Amigos todos, começo com expectativa e esperança os dias que temos pela frente. No Equador, está o ponto mais próximo do espaço exterior: é o Chimborazo, chamado, por isso, como o lugar ‘mais perto do Sol’, da Lua e das estrelas. Nós, os cristãos, identificamos Jesus Cristo com o Sol e a Lua com a Igreja. E a Lua não tem luz própria. E, se a Lua se esconde do Sol, torna-se escura. O Sol é Jesus Cristo. E, se a Igreja se afasta e se esconde de Jesus Cristo, torna-se escura e não dá testemunho. Que nestes dias torne-se mais evidente para todos a proximidade do Sol que nasce do alto” (Lc 1, 78) e que sejamos um reflexo da sua luz, do seu amor”.
Repropomos um texto do cardeal Jospeh Ratzinger, em que ele reflete sobre essa imagem da Lua e do Sol, a Igreja e Jesus.
O artigo foi publicado no sítio Il Sismografo, 06-07-2015. 
Eis o texto.
Uma Igreja que, contra toda a sua própria história e a sua própria natureza, seja considerada apenas politicamente não tem sentido algum, e a decisão de permanecer nela, se for puramente política, não é leal, mesmo que se apresente como tal.

sábado, 27 de setembro de 2014

Bento XVI participará do encontro do Papa com mais de 40 mil idosos


O Sumo Pontífice Emérito Bento XVI participará neste domingo, 28 de setembro, do encontro que o Papa Francisco terá com mais de 40 mil idosos e avós de todo o mundo. A última participação de Bento XVI em um evento público foi na canonização de São João Paulo II e São João XXIII em 27 de abril de 2014.
Bento XVI participará do encontro do Papa com mais de 40 mil idosos
Bento XVI estará presente no evento durante uma hora, de 9h30 a 10h30 durante o diálogo dos idosos, avós e suas famílias com o Papa Francisco, e não participará da celebração da Santa Missa.

Neste encontro participará um casal, ambos de 70 anos de idade, proveniente de Erbil, no Curdistão iraquiano, que fugiu do local em agosto depois do ataque dos extremistas islâmicos.

O casal, que está casado há 51 anos e têm 10 filhos, terá a oportunidade de cumprimentar o Papa Francisco. Estarão acompanhados de uma de suas filhas de 46 anos que mora atualmente em Qaraqosh pertencente à diocese de Mosul.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Bento XVI tinha razão sobre os muçulmanos

Na noite de 12 de setembro de 2006, minha esposa e eu estávamos jantando em Cracóvia com amigos poloneses quando um agitado vaticanista italiano (me perdoem pela redundância nos adjetivos) me ligou querendo saber o que eu achava "do louco discurso do papa sobre os muçulmanos". Aquele foi, para mim, o primeiro indício de que o rebanho da imprensa mundial estava prestes a bombardear o que Bento XVI tinha dito em Regensburg; uma suposta “gafe” que os meios de comunicação continuariam a trazer à tona o tempo todo, até o final daquele pontificado.

Oito anos depois, a palestra de Regensburg (Ratisbona) desperta reações bem diferentes. Aliás, quem de fato a leu em 2006 entendeu que, longe de cometer uma “gafe”, Bento XVI explorou com precisão acadêmica duas questões fundamentais, cujas respostas influenciariam profundamente a guerra civil que corroi as entranhas do islã: uma guerra cujo resultado determinará se o islã do século XXI é seguro para os seus próprios adeptos e seguro para o mundo.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Um ano após renúncia, como vive hoje o Papa Emérito Bento XVI?


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No mosteiro “Mater Ecclesiae”, o Papa emérito recriou seu universo: os estudos de teologia, o rosário recitado com seu fiel secretário-filho espiritual dom Georg (que continua chamando-lhe de “Santo Padre”), a convivência cotidiana com as quatro Memores Domini que se ocupam do aposento, a correspondência, alguma visita e, é claro, a música adorada. Sobretudo Mozart,Bach e Beethoven.
Com grande lucidez e discreta forma física, vive oculto e em oração, inspirando-se na regra beneditina.
Bergoglio nunca deixou de se dirigir a seu predecessor, com visitas e chamadas telefônicas, para aproveitar o tesouro de sua experiência e para manifestar-lhe seu afeto. Durante as últimas festividades, houve uma troca de visitas. Francisco, pouco antes do Natal, foi ver Ratzinger em seu “bom retiro” (em companhia do mordomo Sandro Mariotti), e o Papa emérito, quatro dias depois, respondeu ao convite de seu sucessor participando de um café da manhã na residência Santa Marta.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Nunca acobertei casos de pedofilia, diz Bento XVI

Nunca acobertei casos de pedofilia, diz Bento XVI
O matemático italiano e ateu militante, Piergiorgio Odifreddi, recebeu no último dia 3 de setembro uma carta muito especial. Um envelope selado, com 11 páginas com data de 30 de agosto e assinada por Bento XVI.


No texto, o Bispo Emérito de Roma responde ao livro de Odifreddi “Caro papa, ti scrivo” (Querido Papa, escrevo-te, Mondadori, 2011). Um livro que, como o autor recorda, desde a capa se define como uma “luciferina introdução ao ateísmo”.


No artigo no qual Odifreddi comenta as suas impressões ao receber esta carta afirma: “Não foi uma coincidência ter dirigido a minha carta aberta a Ratzinger. Depois de ter lido o seu “Introdução ao Cristianismo”, entendi que a fé e a doutrina de Bento XVI, a diferença de outros, eram o suficientemente coerentes e sólidas para poder confrontar perfeitamente e sustentar ataques frontais”.

domingo, 1 de setembro de 2013

Papa Emérito Bento XVI celebra Missa para seus ex-alunos


Papa Emérito Bento XVI celebra Missa para seus ex-alunos
Estamos no caminho certo se tentamos nos tornar pessoas que “descem” para servir e levar a gratuidade de Deus. Assim disse o Papa Emérito Bento XVI na Missa celebrada na manhã deste domingo, 2, na capela do Governatorato no Vaticano. A celebração foi por ocasião do encerramento do tradicional encontro do professor Ratzinger com seus ex-alunos, os “Ratzinger Schuelerkreis”.

O encontro dos alunos aconteceu como de costume em Castel Gandolfo, mas neste ano não contou com a participação do Papa Emérito. Esta 38º edição da reunião foi dedicada ao tema “A questão de Deus diante da secularização”.

Todos na vida querem encontrar o seu lugar bom, mas qual é verdadeiramente este lugar? A homilia de Bento XVI foi, no fundo, uma resposta a esta pergunta e partiu do Evangelho deste domingo, no qual Jesus convida a tomar o último lugar.

domingo, 25 de agosto de 2013

Bento XVI responde por que decidiu renunciar: “Deus me disse”.

Fonte: Frates in Unum
Talvez ele precisasse de respirar um ar diferente daquele dos Jardins do Vaticano, ou, ao terminar o verão, ele quisesse rever a casa onde passou oito verões e apreciar a vista do Lago Albano. O fato é que, ontem à tarde, Bento XVI se permitiu uma curta viagem até Castel Gandolfo, vila que é a residência de verão dos papas desde o papa Urbano VIII, onde passou os primeiros dois meses após a renúncia do ministério petrino.
O papa emérito – de acordo com relatos de fontes do Vaticano – passou cerca de três horas na cidade, caminhou nos jardins do palácio, recitou o rosário e assistiu a um concerto de piano.  Retornou à noite para o mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano, onde decidiu viver “escondido do mundo” após a decisão histórica de 11 de Fevereiro.
Bento XVI, ainda Pontífice reinante, em Castel Gandolfo.
Acompanharam Bento XVI na tarde de ontem, seus “anjos da guarda”: as memores domini,Loredana, Carmela, Cristina e Manuela, quatro leigas consagradas, do movimento Comunhão e Libertação, que cuidavam do apartamento, da capela e do guarda-roupa de Ratzinger nos anos de seu pontificado, e continuam a ajudá-lo, mesmo agora, após a renúncia.
Papa Francisco teria”cedido” o lugar ao predecessor, convidando-o para passar o verão, nas colinas Albani, já que ele ficaria em Roma por “compromissos de trabalho”. O papa emérito recusou o convite, evitando assim o possível rumor de uma transferência e mantendo o perfil discreto.
Cerca de seis meses após o anúncio que chocou o mundo, a decisão de Ratzinger de viver uma vida oculta ainda suscita reflexões e questionamentos. Alguns tiveram o privilégio de ouvir dos lábios do papa emérito as razões desta escolha. Apesar da vida de clausura, Ratzinger concede, esporadicamente, e apenas em certas ocasiões, algumas visitas muito particulares no Mater Ecclesiae. Durante estes encontros, o ex-pontífice não revela segredos, não faz declarações que podem pesar como “as palavras do outro papa”,e mantém a discrição que sempre o caracterizou.
No máximo observa com satisfação as maravilhas que o Espírito Santo está fazendo com o seu sucessor, ou fala sobre si mesmo, de como a escolha de renunciar foi inspiração de Deus.
Assim teria dito Bento XVI a um convidado destes encontros raros que teve a graça de encontrá-lo algumas semanas atrás, em Roma. “Deus me disse”, foi a resposta do papa emérito à pergunta sobre por que ele quis renunciar. Ele imediatamente esclareceu que não houve qualquer tipo de atitude por aparência ou algo parecido, mas foi uma”experiência mística”, em que o Senhor suscitou em seu coração um “desejo absoluto”de ficar a sós com Ele, recolhido em oração.
A atitude de Bento XVI, portanto, não foi uma fuga do mundo, mas um refúgio em Deus para viver do Seu amor. Ratzinger disse -revelou a fonte,que prefere permanecer anônima- que esta “experiência mística”perdura por todos esses longos meses, aumentando cada vez mais o desejo de uma relação única e direta com o Senhor. Além disso, o papa emérito revelou que quanto mais observa o carisma de Francisco, mais compreende o quanto essa escolha foi a vontade de Deus.

domingo, 5 de maio de 2013

Bento XVI está muito contente de ter voltado para o Vaticano

O Bispo Emérito de Roma, Bento XVI, está muito contente depois de sua volta ao Vaticano que ocorreu ontem, concretamente ao mosteiro Mater Ecclesiae, conforme assinala uma nota de imprensa da Santa Sé.
Depois de dois meses na residência de Castel Gandolfo, Bento XVI chegou de helicóptero ao heliporto vaticano pouco depois de 4:45 p.m., acompanhado pelo Arcebispo Georg Gänswein, Prefeito da Casa Pontifícia.
Foi acolhido pelos cardeais Angelo Sodano, Decano do Colégio Cardenalício; Tarcisio Bertone, Secretário de Estado; Giuseppe Bertello, Presidente do Governatorado e pelos arcebispos Angelo Becciu, Substituto da Secretaria de Estado; Dominique Mamberti Secretário para as Relações com os Estados e pelo bispo Giuseppe Sciacca, Secretário Geral do Governatorado.
Bento XVI se transladou depois a sua nova residência, o mosteiro "Mater Ecclesiae". O Papa Francisco o esperava na entrada e lhe deu as boas-vindas com grande cordialidade; os dois foram rezar juntos à capela do mosteiro.
O comunicado da Santa Sé assinala que "Bento XVI está muito contente de voltar para o Vaticano, ao lugar em que quer dedicar-se ao serviço da Igreja, acima de tudo com a oração". Essa intenção foi anunciada por ele mesmo no dia 11 de fevereiro deste ano.
Bento XVI disse que o mosteiro, recentemente restaurado é "uma casa acolhedora, aqui se pode trabalhar bem".
fonte: aci digital

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A “Biblioteca Ratzinger” e sua valiosa contribuição para a Igreja.



A intensa atividade intelectual de Joseph Ratzinger, antes e durante o pontificado, se reflete na publicação de inúmeros artigos, discursos e livros – nem todos traduzidos para o português – que transmitem uma visão espiritual da vida cristã, enaltecendo a importância de vivenciá-la em atos, gestos e palavras cotidianas.
Em geral, pode-se fazer uma distinção entre as obras do pensador Joseph Ratzinger e as do papa Bento XVI. Como cardeal, Ratzinger tenta esclarecer questões relacionadas à fé e ao seu impacto na vida das pessoas e da sociedade.
No período, a obra apontada como uma das mais sig­­nificativas é Introdução ao Cristianismo: preleções ao sím­bolo católico, série de conferências ministradas por Ratzinger durante um curso de verão em 1967, em Tubinga (Alemanha). “Segundo o teólogo Ratzinger– e, como papa, ele sempre reiterou esse aspecto –, o Cristianismo não é o encontro com uma ideia ou uma verdade abstrata ou conceitual, mas é o encontro com uma pessoa, que confere sentido à existência”.
A partir de 2005, quando assume o pontificado, as obras de Bento XVI adotam uma postura mais universal, tentando superar eventuais idiossincrasias acadêmicas. As três encíclicas, além das catequeses e alguns documentos, como a exortação Verbum Domini, sobre a palavra de Deus na vida e missão da Igreja, são exemplos representativos do período.
Outra forma de conhecer o pensamento de Bento XVI é se basear nos livros escritos sobre ele. O papa já foi retratado em diversas obras – algumas nem sempre condizentes com a realidade –, mas é o próprio Ratzinger quem oferece o retrato mais fiel de sua vida na autobiografia parcial” Lembranças da minha vida”, lançada no Brasil em 2006 e que cobre sua vida até 1977, quando se tornou arcebispo.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Os “bastidores” da humildade de Bento XVI.

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abril 21st, 2013
Tudo o que tinha era apenas uma mala, alguns livros e o necessário
Por Mirticeli Dias de Medeiros
Quem diria que aquele velhinho, o qual, todos os dias, com sua maleta, fazia o trajeto de seu apartamento até o trabalho, a pé, tornar-se-ia o 265º Papa da Igreja Católica? Creio que, para muitos, especialmente para aqueles que moravam em Roma, foi uma surpresa vê-lo na sacada central da Basílica de São Pedro, em 19 de abril de 2005, após um dos Conclaves mais rápidos da história – tão rápido quanto o do nosso Papa Francisco. Ratzinger disse, em entrevista, nunca ter almejado cargos na Igreja e nem mesmo visado os “holofotes”, mas afirmou também estar à disposição desta mesma Igreja diante de uma necessidade. No entanto, mal saberia ele que, tamanha disposição e desapego, o levaria à Sé de Pedro.
Um Papa que, em sua infância e adolescência, viu os horrores da guerra, foi obrigado a deixar o seminário para alistar-se e, neste tempo tão doloroso, foi alvo de chacotas entre os soldados de Hitler, porque alimentava um imutável e concreto desejo: ser padre.
O Pontífice que, quando ainda cardeal, ao ser convocado por João Paulo II para transferir-se para Roma, sentiu a dor de deixar sua terra natal, a ponto de querer expressar visivelmente uma vida de simplicidade e renúncia: “Tudo o que tinha era apenas uma mala, alguns livros e o necessário”, ressaltou.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Francisco felicita Bento XVI por telefone pelo seu aniversário


O Papa Francisco telefonou para o Bispo Emérito de Roma, Bento XVI, para felicita-lo pelo seu aniversário de 86 anos, e convidou os fiéis à oração para que o Senhor o acompanhe e conforte.
Durante a conversação, o Papa estendeu as saudações e melhores desejos ao irmão de Bento XVI, Monsenhor Georg Ratzinger, que está há vários dias em Castel Gandolfo para festejar em família o aniversário do Bispo Emérito de Roma.
Do mesmo modo, durante a Missa na capela da Casa Santa Marta, Francisco convidou os presentes a rezar por seu predecessor. "Hoje é o aniversário de Bento XVI, ofereçamos a Missa por ele, para que o Senhor esteja com ele, o conforte e lhe dê muita consolação", expressou.
Bento XVI -Cardeal Joseph Ratzinger-, nasceu em Marktl am Inn, na diocese do Passau (Alemanha), em 16 de abril de 1927.
Entre os importantes trabalhos que desempenhou ao serviço da Igreja destaca que em 1962 participou do Concílio Vaticano II como consultor teológico do então Arcebispo de Colônia (Alemanha), Cardeal Joseph Frings.
Também foi Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé durante anos, Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Pontifícia Comissão Teológica Internacional, assim como Decano do Colégio Cardenalício.
Em 11 de fevereiro de 2013 anunciou sua renúncia ao Pontificado,que se fez efetiva na quinta-feira 28 do mesmo mês. Atualmente mora na residência pontifícia de Castel Gandolfo.
Autor: ACI Digital

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Bento XVI agradece pelas mensagens de afeto chegadas de todo o mundo

  ACI digital.- 

 O Bispo Emérito de Roma Bento XVI "aprecia vivamente" a grande quantidade de mensagens de afeto e proximidade de pessoas de diversas partes do mundo que HazteOir.org recolheu e entregou para ele, conforme se lê em uma carta da Secretaria de Estado assinada pelo substituto, Dom Angelo Becciu.
"Sua Santidade apreciou vivamente esta delicada atenção assim como os sentimentos que a motivaram, e exortou renovar nossa fé no Sumo Pastor da Igreja, Cristo o Senhor. Outorga de coração sua bênção que se extende a todos os que se uniram a esta delicada atenção", assinala a missiva.
Dom Becciu, que dirige a carta ao presidente de HazteOir.org, Ignacio Arsuaga, reconhece o "cordial afeto e proximidade espiritual" que manifestou a Bento XVI e "sua estreita união na oração com motivo de sua renúncia" ao ministério petrino.

sábado, 23 de março de 2013

Política e fé se tocam! O discurso do Papa Bento que fez o PT tremer em 2010.

DISCURSO DO PAPA BENTO XVI
AOS PRELADOS DA CONFERÊNCIA NACIONAL
DOS BISPOS DO BRASIL (REGIONAL NORDESTE V)
EM VISITA «AD LIMINA APOSTOLORUM»
Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010 (antes das eleições presidenciais)
Amados Irmãos no Episcopado,
«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.
Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Cardeais se reúnem pela 1ª vez depois da renúncia de Bento XVI.



Terra
A primeira congregação de cardeais preparatória do conclave que elegerá o sucessor de Bento XVI foi iniciada nesta segunda-feira na Ala Nova do Sínodo, no Vaticano, poucos minutos depois das 5h (de Brasília).
Aproximadamente 150 cardeais, dos 207 que compõem o Colégio Cardinalício, estão presentes nesta primeira congregação, mas o esperado é que o restante chegue entre hoje e a próxima quarta-feira.

sábado, 2 de março de 2013

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