Os símbolos da Jornada – a Cruz peregrina
e o ícone de Nossa Senhora – já estão no Estado do Rio de Janeiro e no
início de julho chegarão à nossa capital para a última etapa da
peregrinação.
As últimas visitas dos responsáveis pela vinda do
Santo Padre já aconteceram e as últimas definições, juntamente com as
autoridades brasileiras, já foram tomadas.
As famílias, escolas,
quadras, salões se preparam para acolher jovens de 170 nações e com 55
idiomas. Os locais de catequese, com seus respectivos idiomas, já foram
definidos e começam a ser preparados com alegria pela comunidade
paroquial local.
As viagens marcadas e os deslocamentos
agendados, cidade organizada e preparada para receber um evento
diferente: jovens que querem ser protagonistas de uma nova humanidade na
história! Para isso querem simplesmente viver a vida cristã como
ensinou Jesus Cristo e, em diálogo com todos, propor tempos novos.
Nesse
sentido, a liturgia deste domingo é para nós um belo e importante
sinal. Fala da ressurreição do filho da viúva de Naim. A consternação
geral com o filho único de uma viúva sendo sepultado nos fala de limites
humanos. Demonstra toda a questão da dor do momento e a incerteza do
futuro. Nas tradições da época, uma viúva é alguém desamparada. E mais: a
morte de um jovem que, segundo os cálculos humanos, ainda tem muito
tempo de vida pela frente, sempre desperta uma situação incômoda nas
pessoas ao redor.
Diante desse quadro, vemos também as realidades
de hoje. São muitas dores e situações que machucam a quem observa a
realidade da vida ao redor. O nosso tempo parece demonstrar que existe
uma solidão que machuca as pessoas. Muitas vezes, a falta de
perspectivas para o futuro torna a pessoa desanimada. Continuamos ainda
com guerras fratricidas, bombas, violência, assaltos, mortes, pessoas
trucidadas, ódios e tantas situações a conviver conosco nesse único
planeta que temos para viver. Agora que as comunicações são mais ágeis,
estes acontecimentos inundam nossas mentes pelos meios de comunicação ou
pelas mídias sociais.
Também hoje temos muitas realidades que choram o jovem filho único que jaz prostrado “na morte” causando consternação ao redor.
Cristo
se aproxima, dizendo “não chore”. Manda parar o féretro e diz a palavra
de salvação ao morto: “jovem, eu te ordeno, levanta-te”! E as
maravilhas aconteceram. O jovem foi entregue à mãe e a exultação ao
redor fez espalhar a notícia.
Como naquele tempo, hoje também
Cristo se aproxima das estradas do mundo onde muitos sepultamentos
acontecem, para reavivar a esperança no coração das pessoas. Ainda hoje,
a esperança de uma nova vida ressuscitada está no íntimo de muita
gente.
Uma Jornada Mundial da Juventude é essa oportunidade para
seguidores de Jesus percorrerem as estradas anunciando a vida e a
ressurreição! O querigma tão necessário para a humanidade terá na
diversidade de línguas e nações uma interpretação jovem, que deverá
contagiar a todos.
Agradecemos a Deus por poder proporcionar esse
lugar para este encontro de esperança e trabalho pelo futuro da
humanidade. São muitos os trabalhos e inúmeras as preocupações. Mas
temos certeza de que estamos construindo o futuro.
Teremos alguns
legados nesta Jornada: trabalho em rede com os dependentes químicos,
com a inauguração de uma ala de um hospital, orientações ecológicas para
os jovens, trabalho pela paz no mundo em conjunto com a ONU,
aprofundamento da questão social e possíveis soluções. O país também
terá uma visibilidade muito grande e poderá demonstrar que está
preparado para grandes eventos com a Semana Missionária e com a JMJ. Em
tempo de crise, a movimentação financeira, sem dúvida, ajuda a muitos
que estarão prestando os mais diversos serviços. A abertura de nossas
casas e outros locais para acolher os peregrinos marca uma maior
abertura para o “outro”, que somos chamados a ver como irmãos. Em tempos
de tantas desconfianças das pessoas, do próximo, como aparece com o
medo que se espalha pelo mundo e também por aqui, acolher o outro que
vem de longe é um sinal que modifica nossa mente e comportamento. Porém,
o grande legado está na palavra de Jesus no Evangelho deste domingo:
“levanta-te”! Sim, a esperança de tempos novos, em que as mortes sejam
vencidas e que as pessoas busquem o que é essencial em suas vidas,
lutando por sonhos que se concretizam em uma sociedade justa e fraterna
que se espalha pelo mundo afora, estará na certeza de nossos corações.
Não teremos como mensurar esse resultado, diferentemente dos outros, mas
temos certeza de que o mundo será diferente com esses jovens
protagonistas que farão essa bela experiência de “encontro” na JMJ aqui
no Rio de Janeiro.
Por isso, trabalhamos com mais afinco, lutamos
com mais ardor, buscamos servir com mais alegria, acolhemos com o
coração aberto e olhamos para o horizonte na certeza de que contribuímos
com o amanhã. Com tudo isto, poderemos afirmar como o Evangelho deste
domingo: “Deus veio visitar o seu povo”.
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por Dom Orani João Tempesta, O. Cist. , Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Rádio Vaticano
por Dom Orani João Tempesta, O. Cist. , Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Rádio Vaticano
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