Foram vários exames, diariamente feitos, até que, no dia 11, nossas filhas nasceram. Bem prematuras, bem mesmo. Com apenas 30 semanas de gestação.
Beatriz nasceu com 1,330 kg às 20:47 h de olhão aberto e toda corada. Marília deu um beijinho nela e logo a levaram pra incubadora. Daí veio o primeiro susto. Helena não vinha. O útero de Marília se contraiu, dificultando o nascimento de Helena. Num momento de desespero, rezamos a Ave-Maria… E no fim da terceira, veio Helena. Pálida e imóvel, pesando apenas 0,840 kg. Eu logo as batizei, ali no centro cirúrgico mesmo. Minhas filhas despertaram pra vida e para o Céu no mesmo instante.
Logo no seu primeiro dia de vida, Beatriz fez uma cirurgia de emergência. A ventilação mecânica abriu seu pulmão, e esse ar na região do tórax precisou ser drenado. O ar entrava pra ela respirar e a sobra era drenada pra fora. E eu, com 31 anos de idade, nunca quebrei nem um dedo. Foi terrível. Nesse dia, tiramos força de onde não tínhamos. Mal sabíamos que precisaríamos de mais força, e mais força e mais força.
Helena perdeu muito peso, chegou a pesar 0,740 kg e logo no início fomos avisados que com ela os cuidados seriam outros. Seus órgãos não estavam prontos pra vida aqui fora. Precisou-se de medicamento para os rins, pulmões, coração e tireoide. Muita medicação é pela veia, e até mesmo usando um cateter central. Helena teve 3 infecções e também foi diagnosticada com pneumonia, por conta do tempo excessivo com a respiração mecânica.
Mas o pior ainda estava por vir.
Um vaso da artéria pulmonar não se fechou e a cirurgia cardiovascular fez-se necessária. Ela nem estava totalmente curada da pneumonia ainda, mas era preciso. Uma nenê com menos de 1kg iria fazer uma cirurgia grande. E agora? Lembra da força que tínhamos que tirar de onde não tínhamos? Ela veio e a gente deu conta. Helena se recuperou da pneumonia e da cirurgia ao mesmo tempo.
Beatriz teve alta da UTI, após 45 dias de internação. Mas Helena ficou. Precisamos nos dividir para dar o cuidados para as duas. Ah, nisso minhas férias acabaram e com isso veio Rosaura, mãe da Marília para estar conosco nessa empreitada. Ficamos hospedados 2 meses em São José dos Campos na casa dos queridos Luiz e Sayô (nossos compadres, a quem somos gratos por toda nossa vida). Com Beatriz em casa e Helena no hospital, a correria dos mamás foi grande!
E, após 82 dias de UTI, acabou a luta e minha família venceu. Foi-se embora o sensor, a incubadora, os antibióticos, as infecções, as cirurgias, as aspirações pulmonares. O medo foi embora, a ansiedade foi embora. A dor sumiu. E foi-se embora também o açaí, a coxinha e o bolo de pote da cantina do hospital.
No dia 3 de fevereiro (Mês dedicado a Sagrada Família e exatos 3 meses da internação da Marília), na primeira sexta-feira do mês, e às 15h, o Sagrado Coração de Jesus derramou sua misericórdia sobre minha família e Helena teve alta.
Nós saímos do hospital na hora da misericórdia!
Agradecemos a todos os amigos que rezaram por nós! Certamente foi nosso sustento nos momentos mais difíceis. Muito obrigado, mesmo!!!
Para a glória de Deus, minha família está completa.
E partilho com vocês que nós temos dois milagres em casa!
(via Facebook) /Aleteia
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