O primeiro degrau faz a alma enfermar-se
proveitosamente… porque nele a alma morre para o pecado e para todas as
coisas que não são de Deus.
O segundo degrau faz a alma buscar a Deus sem cessar.
O terceiro degrau da escala amorosa é o que faz a alma agir e lhe dá
calor e ardor para não pecar. Diz o salmista: “Feliz quem teme o Senhor e
se entusiasma com seus mandamentos” (Salmo 11,1)… Considera pequenas as
grandes obras que fazes pelo Amado; as que são muitas, considera
poucas.
O quarto degrau é o constante sofrimento sem desânimo.
O quinto degrau do amor impele a alma a desejar a Deus impacientemente.
O sexto degrau faz a alma correr com leveza para Deus e tocá-lo
muitas vezes e, sem desfalecer, correr pela esperança. O amor a faz tão
forte que a leva a voar suave. Diz Isaías: “Os que esperam no Senhor
renovam suas forças, abrem as asas como as águias, correm sem cansar-se,
caminham sem desfalecer” (Isaías 40, 31).
O sétimo degrau desta escada torna a alma atrevida e veemente. É o
que diz o Apóstolo: “A caridade tudo crê, tudo espera e tudo pode” (1Cor
13, 7). Os que alcançaram este grau conseguem de Deus o que lhe pedem
com gosto: “Será o Senhor a tua delícia e te dará o que pede o teu
coração”.
O oitavo degrau do amor leva a alma a segurar-se no Amado sem
soltar-se dele, como diz a esposa: “Encontrei o amor da minha alma;
agarrei-o e não mais o soltarei” (Ct, 3, 4).
O nono degrau faz a alma arder suavemente. Este é o degrau dos
perfeitos, que ardem suavemente, porque o Espírito Santo produz neles
este ardor suave e deleitoso, consequência da união que têm com Deus.
O décimo degrau já não é desta vida. O décimo e último degrau desta
escada secreta do amor torna a alma totalmente semelhante a Deus pela
clara visão de Deus que a alma possui imediatamente, pois, havendo
chegado nesta vida ao nono grau, ela sai do corpo. Estes poucos que o
alcançam não entram no purgatório, pois já estão mais do que purificados
pelo amor.
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