O documento contém e sintetiza as
respostas ao questionário sobre os temas do matrimônio e da família,
contido no documento preparatório ao Sínodo, publicado em novembro de
2013. A primeira parte – “Comunicar o Evangelho da família hoje” –
reitera antes de tudo o “dado bíblico” da família, baseada no matrimônio
entre homem e mulher, criados à imagem e semelhança de Deus e
colaboradores do Senhor no acolhimento e transmissão da vida.
Uma reflexão específica é dedicada à dificuldade de compreender o
significado e o valor da “lei natural”, colocada na base da dimensão
esponsal entre o homem e a mulher. Para muitos, “natural” é sinônimo de
“espontâneo”, o que comporta que os direitos humanos são entendidos como
a autodeterminação do sujeito individual que tende à realização dos
próprios desejos.
Outro grande desafio indicado pelo texto é a privatização da família, que já não é entendida como um elemento ativo da sociedade e a sua célula fundamental. Por esta razão, é necessário que os núcleos familiares sejam tutelados pelo Estado e recuperem o seu papel de sujeitos sociais nos diferentes contextos: trabalho, educação, saúde, defesa da vida.
A segunda parte do Instrumento de
Trabalho – “A pastoral da família diante dos novos desafios” – chega ao
coração dos desafios pastorais de hoje. São muitas as situações críticas
que a família deve enfrentar atualmente: fragilidade da figura paterna,
fragmentação devida a divórcios e separações, violências e abusos
contra as mulheres e crianças (“um dado realmente muito preocupante que
interroga toda a sociedade e a pastoral familiar da Igreja”), tráfico de
menores, drogas, alcoolismo, dependência do jogo e, também, a
dependência das redes sociais, que impede o diálogo em família e rouba o
tempo livre para as relações interpessoais.
O Documento Sinodal destaca também o
impacto do trabalho sobre a vida familiar: horários extenuantes,
insegurança no emprego, flexibilidade que envolve longos trajetos,
ausência do repouso dominical dificultam a possibilidade de estar
juntos, em família. O Documento enfrenta, depois, as situações pastorais
difíceis, e sublinha que a coabitação e as uniões de fato são muitas
vezes devidas a uma deficiência de formação sobre o matrimônio, a
percepção do amor apenas como “um fato privado”, o medo do empenho
conjugal, entendido como perda da liberdade individual.
O Documento dedica também uma grande
parte às “situações de irregularidade canônica”, porque as respostas
recebidas estão, sobretudo, focalizadas nos divorciados e casados
novamente. Em geral, põe-se em destaque o número consistente daqueles
que vivem com “negligência” de tal condição e não pedem, portanto, para
se aproximarem da Eucaristia e da Reconciliação.
Em certos casos, algumas Conferências
Episcopais pedem novos instrumentos para abrir a possibilidade de
exercer “misericórdia, clemência e indulgência” para com as novas
uniões. O “Instrumentum” mostra que, para as situações difíceis, a
Igreja não deve assumir uma atitude de juiz que condena, mas a de uma
mãe que sempre acolhe os seus filhos, sublinhando que “não aceder aos
sacramentos não significa ser excluído da vida cristã e da relação com
Deus”.
A propósito das uniões entre pessoas do
mesmo sexo, põe-se em evidência que todas as Conferências Episcopais
dizem não à introdução de uma legislação que permite tal união,
“redefinindo” o matrimônio entre homem e mulher. Pede-se, contudo, uma
atitude respeitosa e de não-julgamento em relação a estas pessoas,
enquanto se destaca a falta de programas pastorais a este respeito, uma
vez que se trata de fenômenos recentes.
A terceira parte do Documento – “A abertura à vida e à responsabilidade educativa” – faz notar, antes de mais nada, que é pouco conhecida na sua dimensão positiva à doutrina da Igreja sobre a abertura à vida da parte dos esposos, pelo que é considerada como uma ingerência na vida do casal e uma limitação à autonomia da consciência. Daqui a confusão que se cria entre os contraceptivos e os métodos naturais de regulação da fertilidade. Relativamente à profilaxia contra a Aids, é necessário que a Igreja explique melhor a sua posição, também para contrastar algumas “reduções caricaturais” dos meios de comunicação e para evitar reduzir o problema a uma mera questão “técnica”, quando na realidade se trata de “dramas que marcam profundamente a vida de inumeráveis pessoas”.
A terceira parte do Documento – “A abertura à vida e à responsabilidade educativa” – faz notar, antes de mais nada, que é pouco conhecida na sua dimensão positiva à doutrina da Igreja sobre a abertura à vida da parte dos esposos, pelo que é considerada como uma ingerência na vida do casal e uma limitação à autonomia da consciência. Daqui a confusão que se cria entre os contraceptivos e os métodos naturais de regulação da fertilidade. Relativamente à profilaxia contra a Aids, é necessário que a Igreja explique melhor a sua posição, também para contrastar algumas “reduções caricaturais” dos meios de comunicação e para evitar reduzir o problema a uma mera questão “técnica”, quando na realidade se trata de “dramas que marcam profundamente a vida de inumeráveis pessoas”.
O “Instrumento de Trabalho” para a
preparação e o debate da Assembleia Sinodal de outubro próximo se
conclui com a Oração à Sagrada Família, escrita pelo Papa e por ele
mesmo recitada por ocasião do Angelus de 29 de dezembro do ano passado,
festa da Santa Família de Nazaré.
Que todos os fiéis e homens e mulheres
de boa vontade possam ter presente a importância de meditarmos sobre a
sacralidade da vida matrimonial e da sua fundamental importância como
célula viva da Igreja e da sociedade.
Sagrada Família, protegei nossas famílias!
Sagrada Família, protegei nossas famílias!
Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
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