O até então Dom Wojtyla escrevia em suas notas pessoais que “o homem e, ainda mais, o sacerdote/bispo é ‘doulos’, o escravo de Deus”. Porque o fato de obter a Graça depende totalmente e unicamente da bondade e da misericórdia divina.
O poder de Cristo
No episcopado, segundo o arcebispo de Cracóvia “se deveriam unir a paternidade e a maternidade: a participação do Coração Divino de Jesus e do Coração de Maria. Isto se expressa no cuidado dos mais necessitados, seja na alma ou no corpo”. O bispo participa do “poder de Cristo”. O estilo certo para exercitar este poder é o pastoral, “como ressaltou João XXIII”.
O amor universal
A partir daqui, surge uma série de indicações da atividade episcopal, como “a importância da verdade na vida e na atividade do bispo”, o amor, que deve ser “universal, não particular e não pode criar divisão”. Deve ser “servil”, porque “o serviço, pelo que parece na melhor maneira, indica o amor”. Enfim, deve “perdoar”.
Odiar o pecado
Wojtyla sustenta que “cada um de nós é pecador e também os bispos o são”. O pecado é um “peso grande”, e pode, antes de tudo, “fazer desmoronar” toda a Igreja e, de modo particular a própria diocese. “Porque o ódio é indispensável para o pecado”. Para derrotá-lo, aconselha o futuro pontífice, “não basta somente repreender e destruir, é preciso sempre introduzir os ideais positivos”.
O perigo das perseguições
Uma das estradas prioritárias por onde “entra” o pecado são as perseguições. Uma mensagem quase profética se pensarmos naquilo que está acontecendo hoje aos cristãos no Iraque. Não é preciso “desistir”, perante as perseguições, adverte o arcebispo de Cracóvia, que depois esclarece a relação entre o bispo e o pecador. “O bispo precisa ter o coração aberto, aceitar também humilhações da boca dos pecadores” e acreditar na “vitória da Graça sobre o pecado. O nosso trabalho é levar a Graça - ressalta - e não se render diante de nenhum pecado”.
O otimismo e a esperança
A figura central para um bispo é Nossa Senhora. “A participação na fé de Maria é a única estrada diante dos riscos e das ameaças para a fé”. Maria é aquela que infunde “esperança” nos pastores diocesanos. “Vivemos a esperança? - pergunta-se Wojtyla - Apoiamo-nos fundamentalmente e totalmente na Graça de Deus? Com qual estado de espírito as pessoas voltam depois de terem tido um contato conosco? Se permanecem contagiadas pelo otimismo do bispo, cumprimos o serviço da esperança”. Tudo isso é possível se “dentro de nós existir a força de Cristo, do jeito de Maria”.
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