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domingo, 11 de maio de 2014

Santa Mamãe, rogai por nós


dia das maes santaGianna Beretta Molla foi uma médica italiana, casada, mãe de quatro filhos e declarada santa pela Igreja Católica. Durante sua última gravidez, descobriu que tinha um fibroma no útero, que poderia comprometer a vida da criança ou sua própria vida. Alguns dias antes do parto, sempre com grande confiança na Providência, demonstra-se pronta a sacrificar sua vida para salvar a da filha: “Se deveis decidir entre mim e o filho, nenhuma hesitação: escolhei – e isto o exijo – a criança. Salvai-a”. Na manhã de 21 de abril de 1962, nasce Gianna Emmanuella. Apesar dos esforços para salvar ambos, na manhã de 28 de abril, em meio a dores e após ter repetido a jaculatória “Jesus, eu te amo, eu te amo”, Gianna morre.
Confira artigo de Emmir Nogueira , escrito logo após a canonização em 2004, sobre o testemunho dessa mãe:
Diante da recente canonização de Gianna Beretta, algumas pessoas me abordaram perguntando como os quatro filhos de Santa Gianna rezavam para ela. Será que diriam:
“Santa Mamãe, rogai por nós!”?

Claro que achei engraçadíssimo, mas logo depois, fiquei a meditar como deve ser fantástico ter uma mãe canonizada ainda com os filhos em vida. Foi com este pensamento no coração que deparei com a seguinte carta de Gianna, já grávida de dez semanas e sabedora de seu câncer no útero, a seus três “tesouros”, como ela e seu esposo chamavam seus filhos e um ao outro. Na carta, um de seus primeiros testemunhos de fé, de coragem, de caridade, de respeito à vida que não lhe pertence:
Meus caríssimos tesouros,
Papai lhes levará milhões de grandes beijões; desejaria muito ir com ele, mas tenho de ficar de cama, pois estou um pouco dodói.
Comportem-se bem, obedeçam a Mariuccia e a Savina. Perluigi, que é o mais velho, brigue com suas duas irmãzinhas sem implicar. Mariolina, que é “a maior”, seja boa e complacente com Lauretta.
Trago vocês no coração e penso em vocês a cada momento. Rezem uma Ave Maria por mim, assim Nossa Senhorinha me fará ficar boa logo e poderei retornar a Courmayeur para abraçar vocês e ficarmos sempre juntos.
Com todo afeto, beijos e abraços,
Mamãe
“Que crianças de sorte estes Pierluiggi Maria e Laura!”, dizemos hoje. “Terem uma mãe tão afetuosa e, além de tudo, santa, canonizada!!!”
É verdade! No entanto, não consigo deixar de pensar o que diríamos se víssemos no jornal uma manchete assim: “MAE DECIDE NÃO INTERROMPER A GRAVIDEZ APESAR DE CÂNCER UTERINO”.
E, abaixo, a reportagem: “Apesar de ser médica e conhecedora do risco de morte em levar adiante uma gravidez apenas iniciada diante de um quadro de câncer uterino, a Dra. Gianna Beretta Molla insiste em não interromper a gestação de seu quarto filho. Entrevistados, seus médicos se isentam de toda a responsabilidade sobre a vida da paciente, que fizeram assinar termo de responsabilidade, etc…”
Será que, diante de tal manchete, nossa expressão: “crianças de sorte” não seria substituída por “Que mulher irresponsável! Deixar sem mãe quatro crianças! Tem que pensar nos filhos! No marido!” É muito possível que esta segunda exclamação aflorasse, impensada, aos nossos lábios ou corações acostumados com o superficial, viciados na mania de cuidar de tudo, de ter tudo sob o nosso próprio controle, inclusive a nossa vida e a dos outros, ainda que sejam “apenas” embriões.
No entanto, felizmente, ainda tem gente com têmpera de santo, como o casal que me procurou no dia 17 de maio, um dia após a canonização de Gianna Humildes e sofridos, esperaram a tarde inteira na recepção. Queriam oração. Ela está com câncer e no terceiro mês de gravidez, como Gianna. Como ela, foi aconselhada pelos médicos a abortar, palavra escondida pelos profissionais sob o eufemismo de “interromper a gravidez”. Felizmente, como a santa, ela e seu esposo optaram pela vida, pela verdade, pela santidade. Enfrentaram os médicos e decidiram levar a termo a gravidez, mesmo tendo pouco tempo de caminhada, mesmo tendo sido evangelizados há pouco, mesmo ainda conhecendo pouco, a nível de informação, a doutrina e a moral. Friso “a nível de informação” porque, a nível de coração, os dois “dão quinal” em muito teólogo moral com seus muitos anos de estudos.
A mãezinha, na conversa, disse que não tinha forças, que não tinha fé. Contei-lhe, então, como sempre dá certo tomar emprestada a fé de Maria. Enquanto orávamos, observava os dois reunirem todas as suas forças e toda a sua fé diante do sacrário, olhava o ventre ainda pouco crescido da mãezinha, a testa franzida do papai e, entregando-os a Gianna, pensava em nossa imensa responsabilidade de anunciar a verdade do Evangelho e formar segundo o que pensa Jesus, mantendo-nos firmes diante do que diz o mundo.
Pensava, sobretudo, o quanto era feliz aquela criança e o quanto é provável que, como Gianna Emmanuella, a caçula dos Molla, ela diga, com toda razão, desde já: “Santo papai, santa mamãe, rogai por mim, rogai por nós!”
Emmir Nogueira

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