Quando falamos de crescimento espiritual, uma primeira verdade a ser
lembrada é a nossa vocação à Santidade. A Palavra nos diz: “Deus nos
escolheu [...] para sermos santos [...], no amor” (Ef 1,4). E ainda:
“esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1Ts 4,3); O próprio
Deus nos ordenou: “Sede santos, por que eu sou santo” (Lv11,44; Cf. tb.
1Pd 1,16). E Jesus determinou: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai
celeste é perfeito” (Mt 5,48). Alcançar a santidade é alcançar a
perfeição do Amor! E a medida é o próprio Deus. O ponto máximo do
crescimento espiritual é estarmos “repletos da plenitude de Deus” (Ef
3,19), que “é Amor” (1Jo 4,8); a meta é alcançarmos a “plenitude de
Cristo” (Ef 4,13).
Simplificando, podemos dizer que a Santidade é a configuração do nosso
coração ao coração de Cristo. Uma pessoa está no caminho de santidade
quanto mais o seu coração se vai conformando com o de Cristo, a ponto de
chegar ao estado de perfeição em que chegou São Paulo quando disse: “Eu
vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). Mas, como
é o coração de Cristo? É um coração ardente de amor-caridade. Ele viveu
aquilo que todos nós somos chamados a viver: “Amarás o Senhor, teu
Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e
com todo o teu entendimento; e o teu próximo como a ti mesmo” (Lc10,27.
Cf. Dt6,5; Lv19,18). Será que podemos dizer isto de nós mesmos no
estágio em que estamos em nossa vida espiritual? É Cristo que
verdadeiramente vive e ama em nós, em cada instante de nossa vida?
Amamos a Deus com esse amor intenso? E ao próximo?
Se fizermos um sincero exame de consciência, veremos que ainda não!
Possivelmente iremos nos deparar com realidades nas quais ainda
padecemos em nossa vida cristã: pecados (mortais e veniais),
dificuldades em nossa união a Deus através da oração (sensação de
fracasso, de desânimo; cansaço, superficialidade, inconstâncias...),
sentimentos e atitudes de orgulho, de vaidade, de soberba; desordens
interiores, apegos, dificuldades no relacionamento com os irmãos (ira,
ressentimentos, impaciência, ciúmes, divisões...); infidelidades no
nosso ministério; e tantas outras realidades que possamos viver e com as
quais sofremos. Enfim, veremos que ainda falta santidade em nós, falta
amor! Com isto, muitas vezes somos tentados a desistir de tudo! No
entanto, o Espírito Santo continua a ressoar em nossos corações: “Sede
Santos”, “sede perfeitos”.
Há este desejo em nosso coração! Há esta sede em nossa alma! Mas, como
alcançar isto? Como progredir no amor até alcançar a perfeição a que
chegaram os santos? Como atingir a nossa meta? Antes ainda: isto é
possível? Respondo a você com convicção: sim, é possível! A tradição
espiritual da Igreja e os Santos nos ensinam que é possível e nos
mostram o caminho para alcançarmos a perfeição, a santidade.
A Igreja tem claro que a santidade não é um comportamento certinho que
podemos ter, mas é a nossa participação na vida divina pela progressiva
união à Santíssima Trindade; é participar do Amor de Deus. A santidade é
o Amor Perfeito de Deus atuando em nós! É chegar a amar Deus com o
mesmo amor com que somos amados por Ele. E, não amaremos se Deus não nos
der o Amor, que é o próprio Espirito Santo: “O amor de Deus foi
derramado em nossos corações pelo Espirito Santo que nos foi dado” (Rm
5,5).
Outro dado importante que os Santos nos ensinam, é que a vida espiritual passa por três fases: a primeira fase é a dos iniciantes; a segunda é a fase dos avançados; e a terceira e última, a fase dos perfeitos.
Além disto, nos ensinam que a passagem de uma fase para a outra se faz
através de uma conversão.Enfrentamos dilemas, crises, consolações e
desapegos. São as purificações necessárias em nossa alma para que o
próprio Amor Perfeito de Deus possa atuar em nós. Passamos, então, por
trêsconversões.
Descrevendo de forma bem simples: os principiantes são aqueles
que, depois de um generoso caminho de esforço na oração e na
penitência, colaborando com a Graça de Deus, chegam a amar a Deus de
forma a não mais cometer o pecado mortal; os avançados são os
que, além de praticamente não pecar mortalmente, alcançam a graça de
amar Deus de forma a evitar inclusive os pecados veniais. E os perfeitos
são aqueles que chegaram a uma união tal a Deus, uma configuração
maravilhosa com o coração amoroso de Cristo que amam Deus e os irmãos
com o mesmo amor com que são por Ele amados, e vivem todo o tempo em Sua
presença, numa espécie de “matrimônio espiritual”. E o mais maravilhoso
em todo esse caminho é ver a ação de Deus: é Ele que vai fazendo a
pessoa progredir, purificando-lhe a alma e doando a ela,
progressivamente, o seu Amor Perfeito.
Entender todo este processo é muito importante para nós. Gostaria, porém, de me deter na primeira fase, a dos iniciantes; a fase em que provavelmente eu e você estamos.
Primeiramente, saibamos o que é a “primeira conversão”: é a passagem do
estado de pecado para o estado da graça. Acontece pelo chamado de
Cristo. Lembremo-nos de quando Deus tomou a iniciativa e chamou-nos,
como a Pedro: “segui-me e vos farei pescadores de homens” (Mc 1,17).
Deus nos visitou e nos fez renascer. A graça nos alcançou e passamos a
amar a Jesus de uma forma nova. Fomos separando-nos progressivamente do
espírito do mundo para nos voltar a Deus. Passamos a lutar contra o
pecado mortal, a rezar, a conhecer mais a Deus e a nossa miséria, a
servir a Cristo e aos irmãos. Com esta graça, os principiantes passam a
travar uma generosa luta para purificar-se de suas impurezas e fraquezas
no amor. E, de acordo com a generosidade nesta batalha, os
principiantes recebem, como recompensa, consolações sensíveis na oração e
no estudo das coisas divinas. Quantas consolações de amor o Senhor nos
foi dando. Como foi – ou é ainda – fácil “sentir” Deus em nossa alma,
nos momentos de oração, de leitura das Sagradas Escrituras... Creio que
você consiga enxergar isto em sua vida! Porém, o amor do iniciante,
ainda não é um amor puro e perfeito. O principiante generoso já ama a
Deus “de todo o coração”, mas ainda não de toda alma ou com todas as
forças, nem de todo o seu entendimento. Ainda é como uma criança em
Cristo (cf. 1Cor 3,2). Ainda é um amor que tem muito egoísmo; enche-se
por vezes de orgulho, mesmo que inconsciente quando alcança sucesso em
uma missão, por exemplo. Vê em si a vaidade quando utiliza os dons e
carismas que recebe do Espírito Santo. Por outro lado, começa a ter
dificuldades com os irmãos nos seus relacionamentos... É, então, que
Deus toma mais uma vez a iniciativa, para poder purificar esta alma,
para fazê-la amar mais perfeitamente, para que progrida no amor,
passando para a fase dos avançados.
É necessária uma segunda conversão. E como Deus faz isto? Do que se
trata? É aquela conversão descrita por São João da Cruz e denominada de purificação passiva dos sentidos,
“comum ao maior número de principiantes” (Noite Escura, I, cap. 8).
Esta purificação acontece através de uma aridez na alma, na vida
espiritual. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, a aridez “acontece
na oração, quando o coração está desanimado, sem gosto com relação aos
pensamentos, às lembranças e aos sentimentos, mesmos espirituais”
(2.731). Então, o principiante não experimenta mais as consolações
sensíveis em que antes muito se comprazia. Talvez, muitos de nós
estejamos vivendo isto. Parece que tudo ficou meio pesado. A alma está
seca, árida... Além disto, não é raro que apareçam outras dificuldades
purificadoras, por exemplo, no estudo das coisas de Deus, no exercício
dos deveres do ministério, no relacionamento com as pessoas,
especialmente aquelas em que se tinha um demasiado apego – às vezes o
Senhor as afasta dolorosa e repentinamente. Podem surgir, também, fortes
tentações na área da sexualidade. Quantos irmãos, sem entender isto e
sem lutar, sucumbiram e abandonaram o ministério e o próprio Senhor;
sente-se, também com frequência, uma impaciência com os irmãos.
O que dizer de tudo isto? Primeiro: não se assuste! Não ceda à tentação
de abandonar o ministério, ou o seu itinerário espiritual. Tudo isto
faz parte deste necessário caminho de purificação do amor. Tudo isto
mostra o quanto ainda não amamos com o Amor divino.
Mas, como reagir? No que diz respeito à “noite escura dos sentidos”, ou
seja, à aridez, primeiramente você precisa ver se esta aridez é mesmo
enviada pelo Senhor ou é consequência de uma situação de pecado. Neste
caso, “[...] o combate deve ir na linha da conversão” (Catecismo da
Igreja Católica, 2731). A solução é passar por um verdadeiro
arrependimento – suplicar isto ao Espírito Santo – e buscar a confissão
sacramental para voltar à união com Deus. A aridez pode ter, também, uma
causa física, ou seja, como resultado de estresse e de ativismo, ou de
uma doença. Neste caso, trate destas causas: tome remédio, cuide da
saúde, diminua o ritmo de atividades descansando um pouco mais. O corpo
precisa te ajudar. Ajude-o nisto. A aridez pode acontecer, ainda, por
causa da tibieza, ou seja, aquela preguiça espiritual, aquela frouxidão,
que leva a pessoa à falta de ardor ao Senhor. O remédio é ser mais
generoso no serviço a Deus, e não pensar em desistir dele.
E, quais os sinais que indicam que se trata daquela aridez permitida
pelo Senhor? Primeiramente, esta aridez é um tanto prolongada. Por um
bom tempo não se experimenta os consolos na alma, conforme dito acima.
Segundo, é que, porém, permanece na alma um desejo vivo de Deus – “Eu
quero Deus” –, e o temor de O ofender. É preciso, então, ter visão
sobrenatural e perceber que não se trata de um distanciamento de Deus,
nem de um fracasso, mas de um momento de graça no seu crescimento
espiritual. O que fazer então? Primeira coisa: aceite esta falta de
consolação permitida pelo Senhor. Diga “sim” a ela. Depois, tenha uma
atitude de humildade diante do Senhor. Reconheça sua pequenez diante
Dele e o fato de que você não merece qualquer consolação. Reconheça a
grande bondade e misericórdia de Deus. Fique firme! Não desista do seu
caminho espiritual! Receba este momento com fé e confiança em Deus, o
Divino Pedagogo. O Catecismo diz que este “é o momento da fé pura que se
mantem fielmente com Jesus na agonia e no túmulo. ‘Se o grão de trigo
que cai na terra morrer, produzirá fruto’ (Jo 12,24)” (2.731). Esta é a
outra postura no momento da aridez: unir-se a Jesus no Horto das
Oliveiras. Sofrer com Ele a angústia e com Ele suportá-la. Então, seja
fiel, abrace a Cruz! Ame ao Senhor! Seja generoso! Este é o remédio para
a aridez. Aumente seu tempo de oração; vá rezar mesmo sem aquele gosto
sensível na sua alma, mesmo sem querer. Isto torna este momento muito
mais precioso aos olhos de Deus do que outras orações feitas em momentos
de consolação. E aumente também seu tempo de dedicação às coisas de
Deus. Sirva-O no seu ministério mesmo sem que você sinta consolo
sensível para tal. Entregue sua vida em sacrifício de amor. A grande
Santa Tereza D’Avila nos diz: “Talvez nem saibamos o que é amar, o que
não me espanta. Não consiste o amor em ser favorecido de consolações.
Consiste, sim, numa total determinação e desejo de contentar a Deus em
tudo, em procurar, o quanto pudermos, não ofendê-lo” (Castelo Interior
ou Moradas, Quartas Moradas, capítulo 1, n. 7.). Eis o que é o amor: não
um sentimento, mas uma determinação em contentar a Deus em tudo!
Caro irmão: se formos generosos na oração, na penitência, e nas
mortificações; se formos fiéis a Ele abraçando a nossa cruz do
dia-a-dia, tudo por amor, tudo com uma determinação de agradá-lo, nós
iremos alcançar dEle a graça santificante que nos fará amar mais
perfeitamente a Ele, e, neste Amor, amar nossos irmãos. Estaremos
adentrando na fase dos avançados na vida espiritual.
Caminhemos, então, de forma humilde e confiante! Avancemos de forma
generosa, amando de volta o Amor, pela oração e pela penitência.
Progridamos suplicando a Deus o Amor, pois “O amor vem de Deus” (1Jo
4,7a). Supliquemos insistentemente a graça de amá-Lo com o mesmo Amor
que Ele nos ama, ou seja, com o próprio Espírito Santo, fogo ardente que
abrasa as almas que a Ele se entregam. Assim seja!
Padre Reginaldo de Souza Oliveira
Sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá e Assessor Eclesiástico da RCC MT
Núcleo Nacional do Ministério de Intercessão
INTENÇÕES PARA ESTE MÊS
1. Para que cesse a violência no Brasil e no mundo.
2. Pelas eleições para deputados, governadores e presidente no Brasil em outubro.
3. Pelo Encontro Nacional de Cura e Libertação para mandatários católicos nos dias 24 a 26 de abril em Brasília.
4. Pelo Encontro Nacional de Formação para coordenadores diocesanos
que acontecerá em Brasília nos dias 01 a 04 de maio de 2014.
5. Pelo encontro Nacional de Intercessão Profética que acontecerá em Aparecida/SP nos dias 25 a 28 de setembro de 2014.
6. Pela Reunião de Oração do seu Grupo de Oração (pelo pregador,
dirigente, músicos e demais servos e pelas pessoas que participam da
Reunião de Oração).
7. Pelos Grupos de Oração na sua Diocese, no seu Estado e no Brasil.
8. Pelos Ministérios da RCC no seu Grupo de Oração, Diocese, Estado e no Brasil.
9. Pelas necessidades espirituais e financeiras dos escritórios diocesano, estadual e nacional da RCC.
10. Pelos projetos da RCC na Diocese, no Estado, no Brasil na América Latina e no Mundo.
11. Pelos eventos de evangelização da RCC no seu Grupo de Oração, na sua Diocese, no seu Estado e no Brasil.
12. Pela Reunião dos Conselhos Diocesano, Estadual e Nacional neste ano.
13. Pelas coordenações do seu Grupo de Oração, da RCC na sua Diocese,
no seu Estado e no Brasil (Coordenadora Nacional: Katia Roldi Zavaris e
sua família).
14. Pela Santa Igreja, pelo Santo Padre, o Papa Francisco, pelo seu
Bispo diocesano, pelos Sacerdotes, Diáconos, Religiosos e Religiosas e
pelos Seminaristas.
15. Pelas casas de missão da RCCBRASIL e pelos missionários e missionárias.
16. Pela construção da Sede Nacional da RCC do Brasil e pelos seus colaboradores.
17. Para que todos os membros da RCC do Brasil se abram para a moção da Reconstrução.
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