Cabreras assegurou que escolheu para seu livro, publicado pela Neverland
Edições, esse título chamativo, que inclusive é o nome de uma famosa
série de TV americana, “para que o público se aproxime da descoberta da
figura de Jesus” e saiba como foi sua morte desde um triplo enfoque:
legista, criminológico e judicial. Em inglês a sigla CSI significa
“Crime Scene Investigation”, em português: Investigação da cena do
crime, na qual os personagens são legistas e agentes da lei que conduzem
suas investigações segundo os rastros deixados nos lugares do crime e
nas evidências nos corpos das vítimas.
Mesmo sem um cadáver pode-se realizar efetuar uma “análise legista
retrospectiva” baseada em testemunhos e na documentação da época, como
os Evangelhos e outros textos apócrifos, e nas imagens do Santo Sudário,
cujo valor “ninguém jamais desmentiu”, disse o legista.
A documentação histórica romana estabelece que desde a prisão até a
morte de Jesus na cruz transcorreram 24 horas, e que, uma vez
crucificado, sobreviveu duas horas, quando alguns crucificados duravam
inclusive vários dias, sinal, segundo Cabreras, da intensidade das
torturas prévias às que foi sujeito.
Um capacete repleto de espinhos
As punções em todo o couro cabeludo assinalam que não foi uma coroa mas
uma espécie de capacete denso de espinhos que Jesus levou na cabeça,
espinheiros que, segundo Cabreras, os legionários romanos não tiveram
trabalho para procurar, porque eram os mesmos utilizados para acender o
fogo e que haviam em abundância na região.
O manto, guardado na cidade de Turim, Itália, evidencia que o nariz de
Cristo tinha fraturado por um golpe e o ombro direito esfolado pelo peso
do patibulum, a parte horizontal da cruz, cujo peso era entre 40 e 50
quilogramas, pois os crucificados não transportavam toda a cruz, a parte
maior, vertical, permanecia cravada no chão, à espera do crucificado.
Segundo os estudos, a flagelação foi realizada ao estilo romano, com um
flagelum, um látego que partia de um pedaço de madeira e cujas caudas
terminavam em bolas de chumbo.
300 marcas de flagelo
A lei proibia golpear com este látego a cabeça ou outros órgãos vitais
para provocar sofrimento, mas não a morte, de modo que Jesus, que
recebeu cerca de 300 impactos dessas bolas de chumbo –o triplo do que
era permitido na lei judia–, já tinha várias costelas fraturadas quando
tomou o ‘patibulum’ sobre os ombros e subiu o calvário.
Ambos os joelhos foram esfolados até a rótula pelo efeito das quedas e o peso do lenho da cruz.
Os pregos atravessaram os pulsos de Cristo passando entre os ossos, enquanto que para os pés, postos um sobre o outro, usou-se um único prego que entrou pelas impigens, local onde o pé é mais largo.
Os pregos atravessaram os pulsos de Cristo passando entre os ossos, enquanto que para os pés, postos um sobre o outro, usou-se um único prego que entrou pelas impigens, local onde o pé é mais largo.
Segundo Cabreras, habitualmente se atava os crucificados e os pregos,
por serem muito caros, reservavam-se para “ocasiões especiais”.
O centurião da guarnição romana, antes de abandonar o lugar do
sacrifício, tinha a missão de assegurar-se de que o crucificado estava
morto para garantir que ninguém o tirava da cruz com vida. Por isso, no
caso de Jesus a lança atravessou o coração de baixo para cima e da
direita à esquerda.
As Sagradas Escrituras narram que brotou água e sangue desta ferida e a
ciência corrobora o fato. “A água era o soro que costuma rodear o
coração quando a agonia se prolonga durante horas”, explicou Cabreras.
Descumprimento nas leis
O legista realiza ainda uma análise criminológica dos elementos que
acompanharam as torturas e outro judicial de “saltos” que se deram no
processo entre as duas leis vigentes na Palestina, a romana e a judia,
com o propósito de prejudicar o réu.
“Pilatos, ao final, não teve nenhum elemento objetivo para condenar Jesus, e o condena por razões políticas”, concluiu.
Cabreras recordou que foi no século XX, ao Papa Pio XII, que o
cirurgião, Pierre Barbet, descreveu as lesões e os sofrimentos de Cristo
desde o ponto de vista científico, e assegurou que o Papa chorou ao
admitir: “Nós não sabíamos, ninguém jamais nos relatou (a Paixão) desta
maneira”.
Fonte: ACI Digital
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