O caso de João XXIII
João XXIII foi Papa entre o dia 28 de
outubro de 1958 e 3 de junho de 1963 e foi beatificado no ano 2000 por
João Paulo II graças à cura milagrosa da religiosa italiana Caterina
Capitani em 1966, que esteve a ponto de morrer por uma perfuração
gástrica hemorrágica com fístula externa e peritonite aguda.
O relatório da Congregação para as Causas
dos Santos indica que em 22 de maio de 1966 as irmãs da religiosa
colocaram sobre o seu estômago uma imagem do falecido pontífice. Aos
poucos minutos a religiosa se recuperou e pediu para comer.
Durante seu testemunho, a irmã Capitani
relatou que João XXIII sentou-se ao pé de sua cama e lhe assegurou que o
seu pedido tinha sido escutado no céu.
Por sua parte, os médicos que a atendiam
em Nápoles (Itália), fizeram-lhe uma radiografia no estômago e
comprovaram o desaparecimento completo da doença, sem sinais de
cicatrizes causadas pela fístula.
Anos depois, em julho de 2013, o Papa
Francisco aprovava os decretos que canonizam João XXIII junto com João
Paulo II, sem requerer o reconhecimento de uma intercessão milagrosa por
parte do Papa Bom.
Em declarações ao Grupo ACI no dia 5 de
julho, o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi,
explicou que sobre a canonização do Papa João XXIII, na qual se
prescindirá da aprovação do milagre depois de sua beatificação, “isto é
algo que está no poder do Papa, não é uma coisa particularmente
especial”.
“Um milagre é uma visão teológica da
Igreja, a prova, a demonstração do poder de intercessão, e a confirmação
por parte de Deus da santidade de uma pessoa, mas não é um dogma de fé
que seja necessário de alguma maneira”, indicou.
Recordou que “por exemplo, os mártires
são beatificados sem nenhum milagre, o que quer dizer que os milagres
por tradição e teologia acontecem normalmente quando são pedidos, mas
não são uma necessidade absoluta”.
As intercessões de João Paulo II
O Papa polonês guiou a barca de Pedro
entre 16 de outubro de 1978 e 2 de abril de 2005 e em seu caminho aos
altares a Santa Sé lhe reconhece duas intercessões milagrosas.
A primeira corresponde ao processo de
beatificação e a beneficiada foi a religiosa francesa Marie
Simon-Pierre, que sofria de Mal de Parkinson e trabalha em uma clínica
de maternidade em Paris (França).
Em 14 de janeiro de 2011 a religiosa
contou à rede francesa KTOtv e à rede italiana RAI Vaticano que a sua
cura aconteceu em 2 de junho de 2005. “Esse dia pela manhã eu estava
completamente impedida e já não podia mais”, indicou, por isso solicitou
sua demissão à superiora de sua comunidade para “deixar de oferecer o
meu serviço na maternidade onde trabalhava (…). Eu não consigo fazer com
que isto deixe de avançar, não é possível”.
Entretanto, seu pedido foi rejeitado com
amabilidade e em troca a superiora lhe propôs pedir a graça de sua cura a
João Paulo II, quem ao final de sua vida também sofreu com o Mal de
Parkinson.
Quando isto aconteceu, “sentimos por um
bom momento uma grande mudança no seu escritório, diria que uma grande
paz, uma paz muito grande e uma grande serenidade, me sentia muito
tranquila e ela também”.
Nesse momento, pediu-lhe escrever o nome
de João Paulo II em um papel. O avanço da doença tinha afetado seu braço
esquerdo e sofria de intensos tremores. Sua superiora lhe propôs
escrever com a mão direita. “Disse-lhe que não podia porque minha mão
direita também ficava tremendo, mas ela insistiu: ‘sim pode, sim pode’”.
Escreveu algo ilegível, mas pensou que de
repente “ocorre um milagre se é que acredito”. “Essa noite continuei os
meus afazeres como de costume com a janta comunitária, logo um pouco
mais de serviço e depois a oração noturna na capela”.
No seu quarto, a religiosa se obrigou a escrever e viu com surpresa que podia fazê-lo.
Às 4h30 da madrugada de 3 de junho
acordou sentindo que “já não era a mesma. Havia uma alegria interior e
uma grande paz; e logo me surpreendi muito pelos gestos do meu corpo”.
Depois de rezar na madrugada, Irmã Marie
foi ao oratório da capela, pois sua comunidade celebrava a Missa às 6am.
No trajeto “percebi que meu braço esquerdo já não ficava imóvel ao
caminhar, mas balançava normalmente. Na Eucaristia tive a certeza de que
estava curada”.
A Congregação para as Causas dos Santos
estudou a cura de Simon-Pierre e determinou que foi por intercessão de
João Paulo II, a quem beatificou em 1º de maio de 2011.
O segundo milagre atribuído à intercessão
de Karol Wojtyla foi a cura de Floribeth Mora, uma mulher
costa-riquenha que padecia de um aneurisma cerebral.
O fato ocorreu no dia 1º de maio de 2011, o mesmo dia da beatificação de João Paulo II.
Nesse dia, Floribeth foi com a sua família à Missa dominical. No centro do bairro estava passando uma procissão. “Nesse momento estava passando uma carroça com a imagem de Jesus Sacramentado e senti um frio no corpo. Desci do carro e fui até ali”. Então, o sacerdote que acompanhava a procissão declamava uma oração: “Oh, Senhor! Há uma cura”.
Nesse dia, Floribeth foi com a sua família à Missa dominical. No centro do bairro estava passando uma procissão. “Nesse momento estava passando uma carroça com a imagem de Jesus Sacramentado e senti um frio no corpo. Desci do carro e fui até ali”. Então, o sacerdote que acompanhava a procissão declamava uma oração: “Oh, Senhor! Há uma cura”.
“Pedimos ao nosso Papa João Paulo que nos
ajudasse a pedir a Deus que me ajudasse”. E nesse preciso instante,
algo começou a mudar. “Saí desse parque com a fé de que eu tinha sido
curada”, expressou Floribeth.
Dias depois foi ao Santuário da Virgem de
Ujarrás para rezar, consciente de que o templo tinha recebido um
relicário com mostras de sangue do novo Beato. “De novo, um milagre”.
Quando chegou já tinha terminado a exposição, porém, o Pe. Dónald Solano
fez uma exceção. “Mostrou-me a relíquia e eu a toquei. Seis meses
depois me fizeram outro exame no cérebro e me indicaram que o aneurisma
tinha desaparecido para a honra e a glória de meu Deus”, afirmou
Floribeth.
Conforme publicou o jornal “La Nación” da
Costa Rica, o neurocirurgião Alejandro Vargas Román, que atendeu
Floribeth Mora durante a sua doença, confirmou que não encontrou
explicação científica ao desaparecimento repentino do aneurisma que
padecia quando analisaram exames posteriores àquele do dia 1º de maio de
2011.
Fonte: Aci Digital
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