Sim, serei pai. E, como imagino que deve acontecer com a maioria dos homens, estou morrendo de medo.
Não tenho vergonha de admitir isso, mas
estou certo de que, dentro de alguns meses, negarei ter escrito este
texto. Como pai de primeira viagem, pesquisei na internet todo tipo de
informação, como se existisse um manual de instruções para ser pai.
O resultado está sendo demolidor. Há pessoas que negam a paternidade acima de todas as coisas.
São os “Sem filhos por opção”, que argumentam não haver razão peso para
terfilhos, que eles causam problemas e atrapalham a vida cotidiana.
Além disso, afirmam não ser capazes de assumir a grande responsabilidade
de ter, educar e criar um filho.
Estes são argumentos muito pessoais, com os quais não me identifico em absoluto. Eles
dizem que alguns motivos para não ter filhos são: não querer sacrificar
a privacidade pessoal pelos filhos ou o tempo para seu cuidado e
atenção; não reduzir as possibilidades de promoção no trabalho; manter a
possibilidade e capacidade de estudar, mudar de cidade, de emprego
etc., tanto a curto como a longo prazo.
É muito provável que seja assim
mesmo e não me atrevo a refutá-los. Mas esta é uma visão muito negativa
da paternidade e, definitivamente, para quem pensa assim é preferível
não ter filhos mesmo. Alguns vão além e chegam a dizer coisas
como: é possível oferecer uma maior contribuição à humanidade sem ter
filhos; ter filhos por decisão própria não é adequado, quando existem
muitas crianças no mundo em condições desumanas, algumas delas em
adoção.
Li inclusive apocalípticos que
explicam que é intrinsecamente imoral trazer gente ao mundo e, além
disso, deve-se evitar o sofrimento que acompanha a vida. E existem as feministas, que consideram
a paternidade como uma construção social heteronormativa que subjuga a
identidade pessoal e seu progresso, ao restringir as opções de estilo de
vida.Sempre pensei que fazer dos próprios problemas uma ação categórica não é uma boa solução. Mas,
além disso, a meu ver, a vida não é um sofrimento; não acho que minha
contribuição à humanidade seja tão decisiva assim; e não sei decifrar o
que significa “subjugar a identidade pessoal”.
Por outro lado, existem os que defendem a
paternidade como um bem para a sociedade. São aqueles que falam de ter
filhos como uma forma de garantir a velhice do conjunto da sociedade do
bem-estar; falam da necessidade de filhos para compensar o crescimento
do envelhecimento da população; e os que veem nos filhos uma forma de
transmissão cultural ou social sem a qual seríamos conquistados
culturalmente.
Depois de tanta argumentação a
favor e contra a natalidade, estou horrorizado, porque o amor entre os
pais nunca aparece como um elemento decisivo; então, decidi
parar de pesquisar sobre este tema. É melhor ir dormir e, junto à minha
esposa, desfrutar dos primeiros chutes e movimentos da nossa filha.
Quando ela perguntar por que a trouxemos ao mundo, eu lhe direi que foi
por amor.
Autor: Alvaro Real
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