As
missionárias Rita de Cássia e Fabiany Silva que estão na Missão Uganda,
mantida pela RCC do Brasil, realizaram uma visita a várias casas na
cidade de Mwizi, com o objetivo de conhecer a realidade escolar das
crianças que lá vivem.
Após
cadastrar 50 crianças, as missionárias propuseram aos carismáticos do
Brasil um projeto de apadrinhamento que possibilite a ida destes
pequeninos ugandeses à escola durante o ano de 2014.
Abaixo,
Rita e Fabiany partilham sobre a missão de visita às casas, que
proporcionou um melhor entendimento da realidade infantil e também com
que pudessem fazer orações e ouvir cada família. Acompanhe:
"É Natal cada vez que você sorri e estende a mão para seu irmão"
Bem Aventurada Tereza de Calcutá
Na noite anterior estávamos bem ansiosas, aguardando este momento. Deixamos tudo pronto porque sairíamos bem cedo no dia seguinte. Os sonhos se tornariam reais. E Deus fora confirmando os nossos passos, como quem dissesse: “Estão no caminho certo, Minhas filhas”.
Nos dias anteriores estava chovendo
tanto por aqui. Nesta região de montanha, se chove muito, a gente não
consegue chegar. Um dia antes da nossa partida, não caiu uma gota do
céu. Vibramos! Nós teríamos boa estrada.
Dessa vez, já não iríamos olhar pelos
doentes, mas pelas crianças que estão fora da escola. A paróquia nos
acolheu e o pároco designou um líder católico para nos acompanhar e
levar até aquelas famílias que mais necessitavam. E para nós não
importava qual era a fé que professavam, tanto que encontramos católicos
e protestantes.
Para cadastrar estas cinquenta
crianças, encontrar as que mais precisam, escolheu-se o período de
aulas. Poderíamos então observar em quatro dias as casas e em quais
delas havia crianças. E as encontramos, em número extraordinário.
Algumas estavam apenas paradas, sentadas sobre o chão batido em suas
casas. Outras andando pela rua e outras tantas, lavrando a terra.
Foi muito cansativo. Tivemos que andar
bastante. Em um dos dias, em que o sol parecia um dos mais escaldantes
desta jornada, já eram quase três horas da tarde e não havíamos almoçado
ainda. Estávamos em um lugar que foi necessário percorrermos uma longa
distância e como o desejo de ir ao encontro destas crianças era grande,
nos desatentamos quanto ao horário.
Por causa da fraqueza, eu não
conseguia ficar de pé; e deitei-me ali mesmo, no mato. Precisei voltar
para paróquia. A missão daquele dia tinha-se encerrado pra mim. Hoje
damos boas risadas disto, porque me rendeu alguns dias com coceiras pelo
corpo.
Em contrapartida, pudemos ver com
nossos próprios olhos a situação dessas famílias, ouvir sua história de
vida, rezar com elas. A cada formulário que íamos preenchendo, o nosso
coração se enchia de compaixão. A cada casa que entrávamos e víamos as
condições que viviam, afirmávamos entre nós: “estamos no lugar certo”.
Encontramos muitas crianças órfãs em
que os pais morreram ou, na maioria dos casos, simplesmente as
abandonaram e que estão sendo cuidadas pela avó ou algum tio caridoso.
Em uma visita encontramos um garoto cujo pai é alcoólatra – outro grande
sério problema por aqui – e sua mãe o deixou com a avó e nunca mais
voltou. A avó partilhou conosco que muitas vezes ouvira seu neto pedir
para ir à escola, mas ela não tinha recursos. Ao nos contar isso,
começou a chorar, pois alguma ajuda tinha finalmente chegado para ela.
Outra mãe, 26 anos de idade, estava
com quatro crianças pequenas para cuidar sozinha. Seu esposo estava na
prisão e ela trabalha todos os dias arando a terra para os outros,
recebendo um valor insignificante diariamente que usa para pagar o que o
marido roubou na vila de outra pessoa. Casara-se aos 16 anos de idade.
Alguém nos testemunhou que isto é bastante comum entre as adolescentes,
pois não tem muitas perspectivas de vida nestas vilas pobres.
Entre as 50 crianças, para melhor compreensão, algumas estatísticas:
- 70% são meninas e 30% meninos: a
dura realidade para as meninas, que são preteridas aos meninos quando a
família tem a possibilidade de enviar alguém à escola.
- 56% são protestantes e 44% são
católicas: aqui é comum que junto à paróquia se tenha uma escola
administrada pela mesma, confirmando-nos ainda mais a presença da Igreja
Católica nos trabalhos sociais.
- 78% estão entre 3 a 9 anos: idade da iniciação escolar aqui em Uganda. Muitos já estão tardios, passam dos 40%.
- 80% nunca foram à escola: os outros
começaram, mas precisaram parar por não terem condições, já que o ensino
público não é totalmente gratuito, visto que materiais, como uniforme,
que são obrigatórios, são de responsabilidade financeira da própria
família.
Podemos, a partir do cadastro, ter
outras informações relevantes, como o número de crianças órfãs e as que
estão acometidas pelo HIV. Porém estas são informações que teremos mais
cuidado para divulgá-las. Tudo foi devidamente autorizado pelos seus
pais e/ou responsáveis. O projeto quer, posteriormente, dar assistência
física e psicológica a estas crianças com profissionais adequados.
Nelson Mandela, um grande líder
mundial, especialmente para os africanos, disse que nunca se deve trair
promessas feitas às crianças e que a educação é a arma mais poderosa que
você pode usar para mudar o mundo... Estamos apenas começando!
Projeto Kareebi
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