Hoje
– explica o chanceler da Pontifícia Academia das Ciências, Dom Marcelo
Sánchez Sorondo – "as ciências naturais podem oferecer novos
instrumentos a serem utilizados contra essa nova forma de escravidão,
quais um registro digital para comparar o DNA das crianças desaparecidas
não identificadas (inclusos os casos de adoção ilegal) com o de seus
familiares que tenham denunciado o desaparecimento delas".
Ninguém
– prossegue – pode negar que "o tráfico de seres humanos constitui um
terrível delito contra a dignidade humana e uma grave violação dos
direitos humanos fundamentais" e que, neste novo século, serve para a
criação de patrimônios criminosos.
O Concílio Vaticano II já
afirmava que "a escravidão, a prostituição, o mercado de mulheres e de
jovens, ou ainda as ignominiosas condições de trabalho, com as quais os
trabalhadores são tratados como simples instrumentos de ganho, e não
como pessoas livres e responsáveis" são "vergonhosas", "prejudicam a
civilização humana, desonram aqueles que assim se comportam" e "ofendem
grandemente a honra do Criador".
Num dos poucos documentos do
Magistério dos Papas sobre este tema, citado na abertura, o Beato João
Paulo II acrescentou que "estas situações são uma afronta aos valores
fundamentais partilhados por todas as culturas e por todos os povos,
valores radicados na própria natureza da pessoa humana", afirmando, além
disso, que o tema é de importância central para as ciências sociais e
as ciências naturais no contexto da globalização.
"O aumento
alarmante do comércio de seres humanos é um dos prementes problemas
econômicos, sociais e políticos associados ao processo de globalização. É
uma grave ameaça para a segurança de cada nação e uma inadiável questão
de justiça internacional."
Alguns observadores – ressalta Dom
Sorondo – defendem que, daqui a poucos anos, o tráfico de pessoas
superará o tráfico de drogas e de armas, tornando-se assim a atividade
criminosa mais lucrativa do mundo.
Todavia, as tendências
recentes indicam que o tráfico de seres humanos já teria alcançado o
primeiro lugar, porque, longe de ser um crime social em declínio, a sua
presença se torna cada vez mais ameaçadora.
O tráfico
internacional de cunho sexual não se limita às zonas pobres e
subdesenvolvidas, mas se estende virtualmente a todas as regiões do
mundo. Enquanto os países com uma grande (muitas vezes legal) indústria
do sexo geram a procura do tráfico de mulheres, jovens e adolescentes,
são os países economicamente mais pobres os que atendem a tal procura
oferecendo-as na maioria das vezes.
De fato, é nesses países que
os traficantes conseguem com maior facilidade recrutar as vítimas. As
regiões da maior parte das vítimas da exploração sexual são as
ex-repúblicas soviéticas, a Ásia e a América Latina.
Por causa do
escândalo humano e moral que comportam e dos interesses em questão, que
levam ao pessimismo e à resignação, muitas instituições deram as costas
para essa tragédia.
Portanto – prossegue Dom Sorondo –, "é
importante para a Pontifícia Academia das Ciências, a Pontifícia
Academia das Ciências Sociais e a Federação Mundial das Associações
Médicas Católicas, seguir diretamente, ao pé da letra, o desejo do
Papa".
De fato, "devemos ser gratos ao Papa Francisco por ter
identificado um dos mais importantes dramas sociais do nosso tempo e por
ter depositado confiança em nossas instituições católicas pedindo-nos
que organizássemos este grupo de trabalho", expressa o Arcebispo
Sorondo.
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