Jogo a minha
rede no mar da vida e às vezes, quando a recolho, descubro que ela
retorna vazia. Não há como não me entristecer e não há como desistir.
Deixo a lágrima correr, vinda das ondas que me renovam, por dentro, em
silêncio: dor que não verte, envenena.
O coração marejado: arrumo, como posso, os meus sentimentos. Passo a
limpo os meus sonhos. Ajeito, da melhor forma que sei, a força que me
move. Guardo a minha rede e deixo o dia dormir.
Com toda a tristeza pelas redes que voltam vazias, sou corajosa o
bastante para não me acostumar com essa ideia. Se gente não fosse feita
pra ser feliz, Deus não teria caprichado tanto nos detalhes.
Perseverança não é somente acreditar na própria rede. Perseverança é não
deixar de crer na capacidade de renovação das águas.
Hoje, o dia pode não ter sido bom, mas amanhã será outro mar. E eu estarei lá na beira da praia de novo.
por Ranielle
Santos é jovem, pregadora e membro do Grupo de Oração Oráculo do Senhor
da RCC da cidade e diocese de Parnaíba, no Norte Piauiense.
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