Apresentamos aqui os argumentos para a
existência de Deus utilizados pelo Dr. Willian Lane Craig, teólogo,
filósofo analítico e apologista evangélico estadunidense, conhecido por
seu trabalho na Filosofia da Religião. (www.reasonablefaith.org)
Dr. Craig participou de vários debates com ateus e céticos e expõe, em geral, 6 argumentos a favor do teísmo.
O presente resumo foi feito a partir do debate “Deus existe? Willian Lane Craig X Austin Dacey”:http://www.youtube.com/watch?v=ALtK4u8tpYk&list=PL8482658C6296B14B&index=1
Comentário crítico: Os
argumentos do Dr. Craig e sua exposição são claros, válidos e
convincentes, baseados na filosofia em diálogo com a ciência,
principalmente a cosmologia. O sexto argumento, ele o declara, não é um
argumento, mas poderia ser se apresentasse como senso religioso inato no
homem, apoiado sobre dados sociológicos e antropológicos.
Os argumentos filosóficos e
cosmológicos poderiam ser mais aprofundados com os dados da filosofia
tomista e as cinco vias. A origem protestante do Dr. Craig o impede de
ir além nos testemunhos históricos da Tradição católica e no relato
científico de milagres, importantes argumentos sempre atuais em favor da
atuação direta de Deus na história.
Perguntados se Deus existe, temos que pensar em duas outras questões:
1. Que boas razões existem para pensarmos que Deus existe?
2. Que boas razões existem para pensarmos que Deus NÃO existe?
Dr. Craig expões seis
linhas de evidências a favor da existência de Deus, deixando as razões
para que Deus não exista para seu oponente no debate.
Razão 1: Deus é a melhor explicação para o porquê existe alguma coisa, além do nada.
Qualquer coisa que existe possui uma explicação para sua existência. E
a explicação só pode ser de dois tipos: ou a causa está na sua própria
natureza ou a causa é externa.É óbvio que o Universo existe e existem
explicações para sua existência, porque o Universo veio a existir no
tempo, antes dele nada havia, segundo os cosmólogos. Logo, a causa do
Universo é externa.
Então, a causa do Universo deve ser
maior que o Universo, isto é, estar fora do espaço e do tempo, logo,
imaterial e atemporal (pois não existia matéria e tempo antes do
Universo).Ora, só existem dois tipos de objetos que são assim: objetos
abstratos, como números, ou uma mente inteligente.Mas objetos abstratos
não causam nada, portanto, se segue que a explicação do universo é uma
causa pessoal, externa e transcendente.
Razão 2: A existência de Deus é inferida pela origem do universo.
Uma objeção pode
surgir do primeiro argumento: o universo poderia existir de forma
necessária, pela sua própria natureza. Mas este segundo argumento impede
este escape: qualquer coisa que exista de forma necessária deve existir
eternamente.As ciências evidenciam que o Universo teve uma origem no
tempo, no evento conhecido como Big Bang, do qual surgiu todo o espaço
físico e o tempo. Não havia espaço, tempo e matéria pré-existente.Mas a
pergunta necessária é por que o Universo veio a existir. A menos que se
queira crer que algo possa surgir do nada, temos por conclusão
que(1) Qualquer coisa que comece a existir tem uma causa;(2) O
Universo começou a existir;(3) Portanto, o Universo tem uma causa.A
causa do espaço e do tempo deve ser eterna, não espacial, imaterial e de
um poder insondável. Além disso, deve ser um ser pessoal.Porque deve
haver um ser pessoal nessas condições? O único modo da causa ser eterna e
o efeito ter início no tempo é se a causa for um agente pessoal, que
livremente escolheu criar um efeito no tempo, sem nenhuma condição
predeterminada.
Razão 3: O ajuste fino do universo aponta para um projetista inteligente.
As leis da natureza
apresentam algumas constâncias, como a constante gravitacional. Estas
não são determinadas pela natureza, mas foram elas que deram
possibilidade de existência para o universo.Ainda, existem certas
quantidades arbitrárias colocadas como condições iniciais sobre as quais
as leis da natureza operam, por exemplo, a quantidade de entropia ou o
equilíbrio entre matéria e antimatéria.Todas essas constantes e
quantidades se encaixam extraordinariamente em uma faixa muito estreita
de valores infinitesimais que permitem a existência de vida. Se esses
valores e quantidades fossem infinitesimamente diferentes, nada
existiria.Existe somente três possibilidades de explicar este ajuste
fino do universo: necessidade física, acaso ou design
(projeto).Necessidade física não pode ser, pois vimos que os valores
independem e são condições necessárias para as leis da natureza.O Acaso,
é matematicamente impossível. A probabilidade de que todas estas
constantes e quantidade se encaixem é absurdamente pequena, e os acertos
do acaso teriam que se repetir sequencialmente um número absurdo de
vezes.Portanto, o ajuste fino implica a existência de um Projetista
inteligente.
Razão 4: É plausível que os valores morais objetivos sejam fundamentados em Deus.
Se Deus não existe,
tampouco valores objetivos (válidos e obrigatórios por si, independente
de pessoa ou aceitação).Um certo evolucionismo moderno afirma que os
valores morais são fruto de evolução tanto quanto órgãos e membros
biológicos, portanto, uma moral objetiva é ilusória. Nietzsche, que
proclamou a morte de Deus, entendeu que sem Deus não há sentido e valor
objetivo para a vida.A questão não é que devamos crer em Deus para
reconhecer e viver valores morais. A questão é que na ausência de Deus
como fonte da lei moral objetiva, não podemos reconhecer nenhuma moral,
pois que seria fruto de evolução, portanto, mutável, não objetiva. Na
visão ateísta, não há nada de absolutamente errado em estuprar alguém ou
infringir qualquer sofrimento a um inocente. São meras convenções
sociais evolucionárias.Assim, (1) se Deus não existe, valores morais
objetivos não existem. (2)E, mesmo que no fundo, todos sabem que valores
objetivos existem. (3) Logo, Deus existe.
Razão 5: Os fatos históricos relacionados à vida, morte e ressurreição de Jesus.
Críticos do Novo Testamento chegaram a algum consenso de que o Jesus histórico
veio à cena com um senso de autoridade divina. Ele levou uma vida
austera de pregação e atos miraculosos.Mas a confirmação suprema de suas
afirmações foi sua ressurreição de dentre os mortos. Se Jesus
ressuscitou, parece que temos um milagre divino em nossas mãos e, assim,
uma evidência para a existência de Deus.
Existem três fatos históricos
estabelecidos, reconhecidos pelos historiadores, que são evidências
para a ressurreição de Jesus: (1) a tumba encontrada vazia no Domingo
após a crucifixão; (2) a experiência de inúmeras aparições do
ressuscitado; (3) os discípulos acreditaram na ressurreição num ambiente
totalmente contrário a isso.
Tentativas de rejeitar esses fatos (se
os discípulos roubassem o corpo; ou que Jesus não teria morrido de fato)
são amplamente recusadas pelos críticos.Portanto, (1) existem três
fatos históricos confirmados a favor da ressurreição, (2) a hipótese
“Deus ressuscitou Jesus de dentre os mortos” é a melhor explicação para
estes fatos, (3) isto implicaria a existência de Deus, (4) portanto,
Deus existe.
Razão 6: A experiência pessoal de Deus.
Este não é
verdadeiramente um argumento, mas antes uma afirmação da sua existência
simplesmente pela experiência pessoal imediata e evidente que dá sentido
a vida.Portanto, para acreditar que o ateísmo está correto, então o
opositor terá primeiro que derrubar as seis razões apresentadas e em seu
lugar apresentar razões porque o ateísmo é verdadeiro. A não ser que
isto aconteça, nós podemos concluir que o teísmo é a cosmovisão mais
plausível.
Respostas a algumas objeções:
Em geral se observa
que os argumentos do ateísmo estão baseados na dúvida se Deus preenche
ou não nossas expectativas. É uma pressuposição perigosa pensar que se
nossas expectativas sobre Deus não forem satisfeitas, Deus não existe. O
mais provável é que as expectativas estejam equivocadas.
Objeção 1: O sumiço de Deus
Não há razão para
esperar mais evidências além das que Ele já deixou. Por que esperar mais
evidências que um universo contingente, surgido do nada, o ajuste fino
para a existência de vida inteligente, o conjunto de valores
transcendentes, a ressurreição e as afirmações de Jesus, e a experiência
imediata do próprio Deus?O objetivo principal de Deus é atrair as
pessoas para uma relação livre e amorosa com Ele, não apenas
convencê-los de que Ele existe. Uma manifestação mais direta poderia ter
o efeito contrária: forçar a relação não dá espaço para a liberdade e o
amor.
Objeção 2: O sucesso das ciências naturais
Primeiro, é o teísmo
que garante o sucesso das ciências naturais. O mundo é racional e opera
segundo leis claras e observáveis, como vimos no argumento do
design.Segundo, Deus pode intervir periodicamente no processo natural
que ele mesmo criou. Por exemplo, a ressurreição de Jesus. Toda a
história de Israel foi pontuada com a autorrevelação de Deus na
história.
Objeção 3: O dualismo mente-corpo ensinado pelo teísmo.
Correlações entre
eventos cerebrais e mentais não provam que não existe um “eu”, alma ou
mente imaterial que seja correlacionada com o cérebro. O materialismo
reducionista diz que eu sou o mesmo que meu cérebro ou sistema nervoso.
Porém, as propriedades mentais não são do mesmo tipo que propriedades
físicas: “estados de espírito”, percepção moral e identidade pessoal,
intenções, sabedoria, liberdade. Não saber como um agente imaterial
interage com o material (o cérebro e o corpo) não é razão para negar a
realidade da alma, muito menos que Deus existe.
Objeção 4: A evolução extravagante e ineficiente é incompatível com a existência de um Deus inteligente.
Em primeiro lugar,
eficiência é importante apenas para uma pessoa que tenha tempo e
recursos limitados. Dizer que a via que Ele escolheu é ineficiente é
apenas afirmar que não correspondeu a nossas expectativas.Segundo, o
argumento supõe que a teoria macro-evolucionária é verdadeira, mas isso
está longe de ser provado. Somente no exemplo do homo sapiens, existem
pelo menos 10 passos tão improváveis que, antes que eles possam ter
acontecido simplesmente pelo acaso, o sol e a Terra deixariam de
existir.Portanto, se a evolução aconteceu, isto seria literalmente um
milagre, e portanto evidência para a existência de Deus.
Objeção 5: O sofrimento dos inocentes no mundo.
Deve-se distinguir
“problema emocional do sofrimento” e “problema intelectual do
sofrimento”. Dor e sofrimento são uma objeção emocional para reconhecer a
existência de Deus, mas não intelectual.Primeiro, não está claro que o
sofrimento seja sem sentido. Apenas não estamos em condições de fazer
esse tipo de julgamento. Ao sermos limitados por tempo e espaço, nós não
temos condições de conhecer o fim da história e as razões dos
acontecimentos. Isso não passa de ressentimento por não saber essa e
tantas outras coisas.Segundo, é logicamente impossível Deus nos dizer,
de modo compreensível, a cada um, a razão de tudo. Ele nos diz de uma
forma mais geral, de modo que podemos confiar nele e esperar o
cumprimento de suas promessas para além desta vida.
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