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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Todos já ouvimos diversas histórias sobre Timothy Brown. Assistimos à suas entrevistas na TV. Para os que estiveram vivendo um casulo nos últimos meses, Tim, também conhecido com o “paciente de Berlim” é aquele que foi curado do HIV através de um longo e arriscado procedimento de quimioterapia, radiação e transplante de medula óssea com células CCR5-negativas.
Desde que vi o primeiro pôster que mencionava o seu caso, na conferência CROI 2007, tenho imaginado como seria estar curado. Até aquele momento, essa ideia nunca me ocorrera. Como seria não ter que tomar mais as cápsulas todos os dias, não ter mais que se preocupar com os efeitos colaterais, não ter que visitar médicos com tanta frequência, não ter que ter medo de rejeição, não ter que ler tanto sobre informações médicas, não ter que se preocupar com a resistência aos medicamentos e a morte, não ter que se sentir diferente dos outros?

Fiquei feliz de conhecer Timothy Brown nesta semana, enquanto filmava meu documentário sobre os desafios na pesquisa da cura para o HIV. Foi uma grande oportunidade de conhecê-lo, mas, também, de saber como é estar livre do HIV e vivendo nos Estados Unidos.
Timothy muito educadamente concordou em me encontrar para uma entrevista em São Francisco, mesmo já tendo sido convidado tantas vezes a fazer isso nos últimos meses. Ele apareceu elegantemente vestido em um terno, como um vistoso empresário pronto para uma reunião importante. Meu amigo e eu, junto com o cameraman, Greg Fowler, disparamos as perguntas, muitas das quais ele já ouvira antes, mas mantendo-se sincero a acessível durante toda a entrevista, enquanto ofuscávamos seu rosto com as fortes luzes de filmagem. Nesse tempo, pude fazer perguntas pessoais sobre sua luta ao longo de sua experiência, que acabou por ser uma bem sucedida provação.
Há aproximadamente um ano, Timothy mudou-se de Berlim, onde fez a quimioterapia, radioterapia e dois transplantes de medula óssea, que levaram a remissão de sua leucemia e a eliminação do HIV em seu corpo, para os Estados Unidos. Esse procedimento foi integralmente pago pelo governo alemão. Seu criativo oncologista, Dr. Gero Hütter, foi também um grande advogado de sua saúde, e não desistiu, mesmo depois do primeiro transplante de células-tronco ter falhado em controlar sua leucemia. Tim não teve que se preocupar com os altos custos do tratamento; é a vantagem de viver em um país que oferece assistência médica para toda sua população. Ele sabe que, se estivesse vivendo nos Estados Unidos, não teria sido assim e, por consequência, ele não teria sido curado. Esse mesmo procedimento, se feito nos Estados Unidos, exigiria um longo processo através de “Comitês de Ética”, os quais teriam considerado o tratamento de Tim arriscado demais, mesmo se justificado o seu custo-benefício.
A provação de Timothy não terminou quando ele saiu do hospital. Certa noite, voltando para casa, ele foi assaltado e espancado. Os ferimentos persistem até hoje, exigindo fisioterapia.
Devido à perda da assistência médica em Berlim, Tim decidiu vir para seu país, a fim de começar uma nova vida, depois de tantos anos na Europa. O que ele descobriu, depois de chegar nos Estados Unidos, o surpreendeu.
Hoje, Timothy voltou a viver em São Francisco e encara os obstáculos de um sistema de saúde sem acesso universal, no qual ele percorre logos processos até obter benefícios. Por ser soronegativo, ele não pode ser beneficiado peloRyan White Act. Sua saúde é boa, no entanto, ele ainda cuida de fortalecer seu organismo, afetado pela rigorosa quimioterapia, um ano de hospital e pelas sequelas do espancamento que sofreu. Ele está contente por ter entrado para a história da medicina, como o primeiro caso de cura do HIV, ao mesmo tempo que está chocado pelas complicações criadas pela burocracia do sistema de saúde americano. Ele me disse que acha surpreendente não ter sido a sua terra natal que permitiu a sua cura, e, esse mesmo país, não poder apoiar sua luta no fortalecimento da sua saúde.
Fonte: Diário de um jovem soropositivo.

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