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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Arquivos Históricos do Vaticano serão exibidos ao público, em Roma.

Cerca de cem documentos provenientes dos Arquivos “Secretos” do Vaticano, da bula papal que destituiu um imperador do século XIII a documentos sobre a Segunda Guerra Mundial, deixarão pela primeira vez o Vaticano para serem expostos, anunciou  a Santa Sé.
A exposição realizada no Capitólio de Roma, a sede renascentista da Prefeitura, que recebeu o título “Lux in Arcana”, será aberta em fevereiro em ocasião dos 400 anos da criação desses arquivos, em 1612, pelo Papa Paulo V.
A variedade de documentos históricos, com atas, decretos, pergaminhos de ouro e manuscritos de vários pontífices ao longo de doze séculos (do VIII ao XX) suscitou anos de curiosidade e deu origem a lendas sobre o poder terreno da Igreja.

A mostra, que permanecerá aberta por sete meses, foi inaugurada pelo número dois do Vaticano, o secretário de Estado Tarcisio Bertone, que reconheceu que será um evento especial, já que os documentos deixam excepcionalmente o palácio apostólico com o objetivo de atingir um público mais amplo.
O prefeito para os Arquivos do Vaticano, monsenhor Sergio Pagano, explicou que serão expostos documentos do pontificado de Pio XII durante a Segunda Guerra Mundial, quase todos fotografias, como forma de lembrar as vítimas do nazismo.
A Secretaria de Estado autorizou a exposição desses documentos, apesar de os arquivos relativos aos anos que vão de 1939 a 1958 estarem fechados e poderem ser consultados apenas em casos especiais.
“Permanecerão fechados por mais três, quatro anos”, explicou Pagano.
Muitos documentos que serão exibidos em Roma mudaram a história, como a bula “Dictatus Papae” de Gregório VII, publicada em 1075, com as 27 axiomas que estabeleciam que o pontífice era o imperador do Sacro Império.
Entre os documentos importantes que serão exibidos estão o pedido dirigido a Clemente VII, em 1530, para a anulação do casamento de Henrique VIII com Catarina de Aragão, os recibos de Miquelângelo e as atas do julgamento de Galileu Galilei.
Será exibida também a delicada carta de seda escrita pela imperatriz chinesa Wang, que se converteu ao Catolicismo.
A seleção, feita entre os 85 quilômetros de documentos que formam o mítico arquivo, foi “drástica e dramática”,confessou Pagano.

Entendendo melhor..

Os Arquivos Secretos do Vaticano estão guardados na sede do Papado, na Cidade do Vaticano, localizada na Itália. Eles foram gerados aproximadamente no ano 1610, pelo então Pontífice Paulo V, com a intenção de resguardar o legado de Jesus Cristo herdado por seus seguidores. Eles resguardam toda a trajetória da Igreja Católica, cada decreto, carta, publicação, processos como os da Inquisição, enfim, toda a documentação eclesiástica.
Os representantes do catolicismo afirmam zelar, assim, pelos ensinamentos de Jesus, para que eles sejam transmitidos de geração para geração sem adulterações. Assim, ao longo do tempo, textos evangélicos, correspondências apostólicas e outros escritos foram preservados, bem longe dos olhos do público, pela Igreja. Desta forma, a solução foi criar um Arquivo que pudesse conter e guardar estes documentos.
Estes Arquivos constituem uma rede de aposentos e prédios nos quais são resguardados estes tesouros do Cristianismo, que em seu conteúdo narram toda a História da Igreja Católica. Mas o termo ‘secreto’ encontra-se, atualmente, apenas na expressão que denomina o conjunto destes textos, pois grande parte deles está hoje disponível para estudiosos e pesquisadores, e também virtualmente no site http://www.vatican.va, o endereço eletrônico do Vaticano.
Normalmente o clero torna acessível um documento arquivado depois de 75 anos, desde que os pontífices decidiram tornar este Arquivo parcialmente disponível. Tudo começou com o Papa Leão XIII, em 1883, quando ele tomou a iniciativa de liberar os escritos referentes a 1815 e seus predecessores para pesquisadores não ligados à Igreja. O estudioso Ludwig von Pastor teve o privilégio de ser o pioneiro no estudo destes documentos.
Em 1924 mais textos foram disponibilizados, englobando o período que vai até o fim do apostolado do Papa Gregório XVI, no dia 1 de junho de 1846. A partir de então mais documentos se tornaram acessíveis – em 1966, referentes à permanência de Pio IX à frente da Igreja, de 1846 a 1878; em 1978, textos sobre o pontificado de Leão XIII, de 1878 a 1903; em 1985, escritos de Pio X, que se manteve no Vaticano de 1903 a 1914, e de Bento XV, pontífice de 1914 a 1922.
O Papa João Paulo II, em 2002, tomou a iniciativa de tornar acessível, a partir do ano de 2003, a documentação pertencente ao Arquivo Histórico da Secretaria de Estado (Segunda Seção), que contém os valiosos textos que narram as  interações do Vaticano com a Alemanha durante o Nazismo, quando o pontífice que ocupava o trono de São Pedro era o Papa Pio XI, os quais despertaram intensa curiosidade no meio acadêmico.
Os Arquivos abrigam hoje 85 quilômetros de estantes, nas quais os documentos estão organizados em seis grupos – Cúria, Delegações Papais, Singulares ou Familiares, Concílios, Ordens Religiosas, Mosteiros e Confrarias e Outros. Este complexo está dividido em dois recintos modernos destinados à pesquisa, com capacidade para receber a visita de pelo menos 1500 estudiosos.
Há também um aposento que abriga índices, uma biblioteca, uma sala de restauração e estudos mais secretos, um laboratório de fotografias digitais e outro de informática, além do espaço administrativo. No site, porém, o conteúdo não está ainda acessível no idioma português.

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