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domingo, 25 de julho de 2010

“Contatos de 4º Grau” e a fé católica.




A possibilidade de existir vida “além terra” não é contraria à fé.O que acho estranho nessas crenças é o seu componente espiritualista, sempre associado a seres “bondosos” que abduzem, nos visitam em naves rápidas sempre filmadas a distância e que nunca deixam prova cientifica de sua passagem entre nós..

Embora defendam “valores” com verniz moral, o contexto geral leva-nos a crer que não se deve ver nestes fatos  algo que tenha a ver com a fé católica e muito menos com a ciência séria, que aceita a possibilidade de vidas fora da terra ( A ciência delimita bem o conceito de vida “inteligente” e vida “microscópica”) mas que anda à cata de comprovações concretas desta possibilidade.

O católico, fruto de uma espiritualidade saudável, não acredita nestas coisas nem lhes dá crédito ja que são oriundos de dados obscuros e, em alguns aspectos, associados a manifestações de natureza espiritual muito questionáveis e até muito próximas das ações do maligno conforme narradas pelas sagradas escrituras.

Na realidade, os Ets fazem parte do pacote religioso do homem “moderno” que acredita na “Nova Era”, mas que rejeita a fé inteligente e responsável oferecida pelo catolicismo, provado em 2 mil anos de existência, que longe de apresentar-se como uma fé “velha e superada”, afirma-se como uma fé sólida, comprovada e sempre nova por causa de sua origem efetivamente divina.

Engraçado é que o homem de hoje acha mais plausivel acreditar nestes seres e em sua suposta presença no céu (seres horrendos de cabeça grande e olhos esbugalhados) do que acreditar no dado cientifico, histórico e comprovado de que o filho de Deus esteve entre nós e que conosco continua, facilmente encontrável na vida de seus filhos espalhados no mundo inteiro, sem alarde, e também na Eucaristia na capela católica próxima a aquela locadora onde o filme foi alugado.

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Por Luiz Felipe Pondé

O thriller “Contatos de 4º Grau”, com Milla Jovovich, vale a pena ser visto. Com roteiro eficiente e boa construção de personagens, o filme mistura gravações da personagem real (uma psicóloga) interpretada pela atriz com ficção construída a partir de seu material de pesquisa em consultório.
Trata-se da reconstrução de eventos misteriosos do ano 2000 numa pequena cidade no Alasca. O filme discute o velho tema das visitas de extraterrestres e sequestros de seres humanos. Um contato de quarto grau significa contatos com extraterrestres que envolvem sequestros de seres humanos.

Tenho algum conhecimento do tema. Não sou um iniciado no contato com extraterrestres “cinzentos de cabeça grande” nem nunca vi luzes estranhas no céu. Mas devido a uma pesquisa sobre mídia e novas crenças com alunos de comunicação, desenvolvida desde 1997, já recebi inúmeros iniciados em aula. Entre eles, ufólogos e pessoas que já foram abduzidas. Pelo menos relatam isso. E pasme, caro leitor: já conversei com vários extraterrestres. Pelo menos assim se apresentam. São seres que dizem assumir a forma humana para melhor desenvolver sua pesquisa entre nós. Muitas delas poderiam estar sentadas do seu lado no metrô. Discorrem tranquilamente sobre seus planetas de origem.Alguns traços se repetem. Apesar de confirmarem que existem malvados entre eles, os malvados nunca “foram à minha aula”. Os bons têm missões relacionadas à evolução moral dos seres humanos em assuntos como solidariedade social e interplanetária ou cuidados com o ambiente e com excessos tecnológicos. Um tema também recorrente é a questão da espiritualidade. Essas crenças misturam extraterrestres e divindades variadas, de egípcias a astecas ou maias. Normalmente essa espiritualidade apresenta valores morais comuns a outras formas de espiritualidade: bondade, crença numa vida melhor após a morte, preocupação com a alimentação ou responsabilidade com o universo. Chama a atenção no filme o tipo específico de espiritualidade que esses eventos no Alasca narram. Segundo as gravações das entrevistas com os pacientes da psicóloga (e com ela mesma, que também é vítima de abduções), os extraterrestres do Alasca falavam sumeriano (uma língua muito antiga), traduzido por um especialista, hoje professor em uma renomada universidade canadense. Mas o mais importante é o conteúdo das falas. Esse conteúdo marca uma grande diferença entre a maioria esmagadora de relatos de eventos como esse e o caso do Alasca.
A espiritualidade deles é agressiva e leva suas testemunhas ao desespero existencial e, em alguns casos, a suicídios e homicídios. A psicóloga diz que o afeto causado por eles é de total “hopelessness” (negação absoluta de qualquer esperança). Eles falam pela boca de suas vítimas, assim como se fosse uma possessão demoníaca. Numa das visitas noturnas à casa da psicóloga, um deles afirma: “Sou deus”.
Que tipo de deus causa “hopelessness”? Aí adentramos uma questão importante da história das religiões antigas. Trata-se do fenômeno chamado “gnosticismo”. O termo é tardio (século 18), mas o fenômeno data, no mínimo, do primeiro século da Era Cristã, e foi objeto de interesse de gente como o grande psiquiatra Jung. Temos muitos textos de época que atestam o fenômeno. Para muitos desses gnósticos, a criação é fruto de um deus mau que nos tortura. As provas são inúmeras: para viver, matamos, sabemos que vamos morrer e isso nos corrói, a injustiça sempre vence e os virtuosos nos parecem bobos, enfim, a consciência é uma câmara de horrores.
Na versão cristã (alguns textos são de cristãos da época), Cristo é visto como alguém enviado pelo “Pai silencioso” (outro deus) que não criou o mundo, mas que salva alguns de nós que despertam para o fato de que “não há qualquer esperança no mundo porque seu criador é perverso”.
O filósofo Hans Jonas (século 20), estudioso do fenômeno, via no gnosticismo a marca da constante niilista no ser humano, que se repete, segundo ele, em escolas como o existencialismo e a tragédia. Nesse sentido, a espiritualidade dos “ETs” do Alasca está em sintonia com velhas crenças humanas, mas raras nas “religiões de ETs” mais comuns. Ao contrário de reforçar a crença na felicidade, sufoca suas vítimas numa consciência insuportável da inviabilidade de tudo o que respira.

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