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domingo, 14 de julho de 2019

Conselhos de Santa Teresinha para você aprender a lidar com pessoas antipáticas

COMP,RELATIONSHIP,ST THERESE OF LISEIUX
Ela também não foi uma pessoa fácil, mas aprendeu a dominar a arte da empatia
Santa Teresa de Lisieux era conhecida como uma mulher tranquila e modesta. E com ela aprendemos que não dá para apelidar de “pequena flor” alguém que propaga insultos no Twitter ou que publica críticas contras os outros.
Santa Teresinha desenvolveu a habilidade de lidar com gente desagradável com tanta doçura que essas pessoas antipáticas pensavam, erroneamente, que ela tinha um carinho especial por elas.

Todos temos pessoas chatas a nossa volta, não é mesmo? Às vezes não nos damos bem com elas, já que elas dão a impressão de que só existem para nos aborrecer.

Essas pessoas que nos fazem bufar estão sempre na mesma festa em que estamos. Assim, tentamos evitar qualquer contato visual quando cruzamos com elas e logo pegamos o telefone para fingir que estamos checando mensagens importantíssimas. Vai dizer que você nunca fez isso?

Porém, não conseguimos escapar completamente delas, porque, como mostra a experiência de Santa Teresa, elas estão por todas as partes, inclusive nos conventos. Santa Teresa dominou rapidamente a arte de tratar com pessoas difíceis e aprendeu a mostrar empatia por elas. Talvez porque a própria Teresinha tenha sido uma pessoa difícil em sua juventude.

O nome de Jesus era realmente “Jesus”?

PASSION
A profecia não afirma que ele seria chamado de "Emanuel"?
Os estudiosos sérios concordam que Jesus existiu historicamente, que ele era um judeu da Galileia que foi batizado por João Batista e começou seu próprio ministério logo depois. Eles também concordam quando afirmam que ele pregou oralmente, foi referido como “rabino”, e não deixou documentos escritos de sua autoria.
A maioria desses estudiosos também afirma que Jesus foi preso, julgado e executado pelas autoridades romanas. Em suma, a pesquisa científica arqueológica, histórica e bibliográfica afirma que havia uma figura histórica com o nome de Jesus que viveu cerca de 2.000 anos atrás.

Mas seu nome era realmente Jesus? Enquanto todos os Evangelhos, os primeiros textos cristãos e os historiadores da Antiguidade de fato se referem a ele como “Iesous” (uma transliteração grega do nome hebraico original “Joshua”), algumas aparentes discrepâncias nos próprios Evangelhos podem iluminar esta questão.

Evangelhos
Vamos dar uma olhada nos Evangelhos de Mateus e Lucas.

O Evangelho de Mateus começa com uma genealogia de Jesus que vai desde Abraão, passando por Davi até chegar em José, apresentando assim Jesus como membro da Casa de Davi. No entanto, Mateus também indica que José não é o pai natural de Jesus. Só se encontra uma ocasião no Evangelho de Mateus em que Jesus é referido como “o filho do carpinteiro” (cf. Mateus 13, 55). Por outro lado, seu Evangelho diz claramente que Maria estava prometida a José quando ele a encontrou “com o filho do Espírito Santo”. José estava prestes a romper o noivado quando um anjo apareceu para ele em sonhos, revelando a origem divina da criança. Lê-se em Mateus 1, 22-23):

José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco.


Mas por que o anjo está dizendo a José para chamar a criança de “Jesus”, se a profecia diz claramente que  eles o chamarão de Emanuel? Parece haver alguma confusão angelical aqui, já que o anjo também diz a Maria, no Evangelho de Lucas (cf. Lc 1, 30-31):

O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.

Emanuel
Os anjos teriam errado em algo?

Não necessariamente. Há uma diferença entre “como ele será chamado” (“Emmanuel”) e o “nome propriamente” (“Jesus”). Para resolver esse aparente quebra-cabeças, precisamos dar uma olhada mais de perto no nome Emanuel e na tradição bíblica.

A primeira vez que o nome “Emanuel” aparece na Bíblia está no livro de Isaías, nos capítulos 7 e 8. No entanto, o nome aqui não tem nenhum significado messiânico, à primeira vista. Ele simplesmente aparece listado entre outros nomes, como um sinal da proteção de Deus sobre a Casa de Davi durante um período de guerra.

Isaías respondeu: Ouvi, casa de Davi: Não vos basta fatigar a paciência dos homens? Pretendeis cansar também o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco. Ele será nutrido com manteiga e mel até que saiba rejeitar o mal e escolher o bem.

Embora haja discussão sobre o que o profeta quis dizer, a tradição rabínica e alguns estudiosos consideram que ele estava apontando para o fato de que o nome “Deus conosco” era um gesto de agradecimento pela proteção de Deus durante tempos difíceis. No entanto, o Evangelho de Mateus entende esse texto de maneira diferente, como profetizando a vinda do Messias, a Encarnação de Deus, literalmente “Deus conosco”.

Jesus
Então, por que o nome Jesus?

O nome Yeshua (a forma original do nome hebraico, sendo ele mesmo uma derivação de Yehoshua) era relativamente popular na Judeia no tempo de Jesus. Encontramos nas obras de Flavius ​​Josephus, historiador do século I, pelo menos 20 pessoas diferentes chamadas de Iesous. Além disso, ele não é o primeiro personagem a se chamar Yeshua (Joshua) na Bíblia (recorde-se o livro de Josué no Antigo Testamento). O nome, etimologicamente, significa “Deus salva”, “Yahweh é salvação”, “Yah salva”. Este é realmente o nome que todos os Evangelhos usam para se referir a Jesus.

Isso significa que Jesus tinha dois nomes?

Bem, esse não é o caso. Um judeu nos dias de Jesus teria apenas um nome, às vezes seguido por “filho de” e pelo nome do pai (é assim que Filipe se refere a Jesus, “Jesus filho de José de Nazaré” no Evangelho de João) ou pela cidade natal da pessoa (como em Marcos 10, 47, “Jesus de Nazaré”).

A resposta é que “Emanuel” é mais um título do que um nome, exatamente como “Cristo”.

O texto de Isaías também explica que o Messias será chamado “Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz” (Isaías 9, 5). Jeremias diz explicitamente que “o rei que reinará sabiamente” será chamado de “o Senhor é a nossa justiça”. Naturalmente, nenhum desses nomes são em si nomes verdadeiros. Estes são atributos que descrevem quem é o Messias. Em hebraico, “ser chamado” e “ser” geralmente significa a mesma coisa, então “ser chamado Emanuel” significa, no fim, que “ele será o Deus vivendo com e entre nós”. Por natureza, ele é o Emanuel. Por nome, ele é Jesus, “o nome acima de todos os nomes” (cf. Filipenses 28, 11).

A santidade de São Luís Martin e Santa Zélia Guérin

Ambos foram pessoas devotas desde muito jovens. Durante sua juventude e antes de se conhecerem, Maria Zélia queria levar uma vida religiosa no mosteiro e Luís Martin sentia o mesmo desejo de dedicar sua vida a Deus.

12 julho 2019
São Luís Martin e Santa Zélia Guérin, pais de Santa Teresa de Lisieux, foram o primeiro casal a ser canonizado em uma mesma cerimônia na história da Igreja.

“Os santos esposos (…) viveram o serviço cristão na família, construindo dia após dia um ambiente cheio de fé e amor; e, neste clima, germinaram as vocações das filhas, nomeadamente a de Santa Teresinha do Menino Jesus”, disse o Papa Francisco em 18 de outubro de 2015, durante a Missa canonização.

A família, depois de dezenove anos de matrimônio, ante à crise econômica que afligia a França, querendo garantir o bem-estar e o futuro a seus filhos, encontrou a força para deixar a cidade francesa de Alençon e se mudar para Lisieux.

Luís Martin trabalhou como relojoeiro e joalheiro, e Zélia Guérin como pequena empresária de uma oficina de bordado. Junto com suas cinco filhas, deram seu tempo e seu dinheiro a fim de ajudar os mais necessitados.

Luís Martin nasceu em Bordeaux (França) em 1823 e faleceu em Arnières-sur-Iton (França) em 1894. Enquanto Maria Zélia Guérin nasceu em San Saint-Denis-Sarthon (França) em 1831 e faleceu em Alençon (França), em 1877.

Desejo de dedicar sua vida a Deus
Ambos foram pessoas devotas desde muito jovens. Durante sua juventude e antes de se conhecerem, Maria Zélia queria levar uma vida religiosa no mosteiro das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, enquanto Luís Martin sentia o mesmo desejo de dedicar sua vida a Deus e foi para o mosteiro do Grande São Bernardo. Nenhum dos dois foi aceito, uma vez que Deus tinha outro plano para eles.

Os jovens se conheceram e o entendimento foi tão rápido que se casaram em 13 de julho de 1858, apenas três meses após seu primeiro encontro. Levaram uma vida matrimonial exemplar: missa diária, oração pessoal e comunitária, confissão frequente, participação na vida paroquial. De sua união, nasceram nove filhos, quatro dos quais morreram prematuramente.

Entre as cinco filhas que sobreviveram, estava Santa Teresinha, a futura santa padroeira das missões, que é uma fonte preciosa para a compreensão da santidade de seus pais: educavam suas filhas para serem boas cristãs e cidadãs honestas.

Quando sua esposa Zélia morreu em 1877, Luís se viu sozinho para seguir adiante com sua família e suas filhas pequenas. Mudou-se para Lisieux, onde morava o irmão de Zélia; deste modo, a tia Celina pode cuidar das filhas.

Entre 1882 e 1887, Luís acompanhou três de suas filhas para o Carmelo. O maior sacrifício foi se separar de Teresa, que entrou no Carmelo aos 15 anos e iniciaria seu caminho para a santidade.

Vaticano publica documento sobre “gênero” onde reforça posição, aberta ao diálogo, ‘sem ideologia’.

Vatican News

Foi publicado o novo documento da Congregação para a Educação Católica intitulado “Homem e Mulher os criou”. Para uma via de diálogo sobre a questão de “gender” (gênero) na educação.

Segundo o Prof. Roberto Zappalà, diretor do Instituto Gonzaga de Milão esse documento se apresentada como uma valiosa contribuição adicional de reflexão (que vai se acrescentar a outros elaborados em precedência) útil para “orientar e apoiar os envolvidos na educação das novas gerações” (n. 5).

O foco do documento é certamente sobre uma das “questões mais debatidas sobre a sexualidade humana hoje”, a questão do “gender” na educação, como já mencionado no título. No entanto, a reflexão articulada no documento assume um âmbito mais amplo: a “emergência educativa”, que enfrentamos e que nasce de uma sociedade e de uma cultura cada vez mais pobres em evidência e valores compartilhados, parece agora unir tantos jovens em formação como os adultos que devem educá-los na mesma percepção de viver como “abalados pelas ondas e levados aqui e ali por qualquer vento de doutrina” (Ef/4, 14).

Esta emergência denota – nas palavras do Papa Bento XVI – uma verdadeira “carência antropológica”, que tende a nos fazer esquecer que a pessoa humana “é um ser integral e não uma soma de elementos que podem ser isolados e manipulados segundo à própria vontade”.

Diante dessa carência antropológica que determina a “desorientação antropológica que caracteriza difusamente o clima cultural de nosso tempo” (n. 1), a Igreja, com este novo documento, assume e convida a assumir uma atitude de escuta, de reflexão e de proposta para “empreender a via do diálogo sobre a questão do “gender” na educação” (n. 6). E é precisamente por esta razão que o documento está dividido em três seções: Ouvir nºs 8-23; Refletir, nºs 24-29; Propor, nºs 30-51:

– Ouvir “do perfil histórico, dos pontos de encontro e das críticas na questão do “gender” (n. 24), bem como da “partilha e apreciável exigência de lutar contra qualquer expressão de injusta discriminação”(n. 15);

– Reflexão crítica sobre os aspectos da “liquidez e fluidez pós-moderna” (n. 19) subordinados à ideologia do “gender” que levam a propor, em nível antropológico, “uma identidade pessoal e uma intimidade afetiva radicalmente desvinculada da diferença biológica entre masculino e feminino. A identidade humana é entregue a uma opção individualista, mutável com o tempo, expressão do modo de pensar e agir, hoje difundido, que confunde “a liberdade genuína com a ideia de que cada um julga como lhe parece, como se, para além dos indivíduos, não houvesse verdades, valores, princípios que nos guiam, como se tudo fosse igual e tudo se devesse permitir” (n. 22);

– Proposta de um cuidadoso discernimento sobre a verdade da pessoa e sobre o significado da sexualidade humana, através de uma clarificação antropológica que tem o seu núcleo naquela “ecologia humana que procura o reconhecimento da dignidade peculiar do ser humano”. Dignidade que o homem mesmo “deve respeitar e não pode manipular como lhe apetece”. (n. 30). E é à luz desta ecologia humana que a mulher e o homem podem “aprender […] qual é o significado do corpo em toda a verdade original da masculinidade e da feminilidade; para se poder reconhecer a si mesmo no encontro com o outro que é diferente […], e enriquecer-se mutuamente “(n. 35).

Nesta antropologia relacional emergem traços fundamentais da antropologia cristã da pessoa, que reconhece “o significado da sexualidade de discriminação e de violência, precisamente porque aprenderam a reconhecer as igualdades das pessoas, não negando, mas sim respeitando e valorizando as suas diferenças .

Da leitura global deste novo documento da Congregação para a Educação Católica emerge claramente que a Igreja olha para a “questão do ‘gender’ na educação” na perspectiva mais ampla do comum compromisso de construir uma convivência social que, como já auspiciara o Concílio, sempre mais “respeite a dignidade, a liberdade e os direitos das pessoas”. E é precisamente na perspectiva deste compromisso comum que a Igreja deseja não só abrir “uma via de diálogo”, mas também tornar-se um “espaço de diálogo” com as instituições culturais, sociais, políticas e com todos os homens, mesmo com aqueles que não partilham a fé cristã, mas “têm o culto de altos valores humanos.

Neste diálogo, a Igreja participa com a convicção de que cada interlocutor “tem algo de bom a dizer” e que, portanto, é necessário “dar espaço ao seu ponto de vista, à sua opinião, às suas propostas, sem cair, obviamente, no relativismo”. E precisamente por isso, como “perita em humanidade”, a Igreja quer oferecer a todos “o que possui por si mesma: uma visão global do homem e da humanidade”, convencida de que só um diálogo aberto e respeitoso, enfrentado sem medo nem radicalismo ideológico, pode contribuir verdadeiramente para uma compreensão mais profunda da sexualidade humana.

Prefeito da Congregação para a Educação Católica apresenta o novo documento “Homem e mulher os criou”
“Devemos encontrar caminhos de diálogo sobre o gender, sem cair nos slogans e nos extremismos. Mas devemos fazê-lo partindo da nossa identidade e também sabendo traduzir à luz que vem da fé em argumentos racionais, porque há muita confusão e nas escolas se corre o risco de impor-se um pensamento único como científico. Respeitamos todos, mas pedimos para ser respeitados.”São palavras do prefeito da Congregação para a Educação Católica, cardeal Giuseppe Versaldi, que – junto com o secretário do Dicastério, o arcebispo Vincenzo Zani – assinou o documento “Homem e mulher os criou”.

Eminência, qual é a finalidade do documento?

“É importante deter-se sobre o subtítulo: ‘Por um caminho de diálogo sobre a questão do gender na educação’. Nosso documento não é doutrinal, é mais metodológico: como educar as jovens gerações a enfrentar esses temas num tempo em que há muita confusão sobre isso. Assistimos ao risco que se imponha nas escolas como sendo científico um pensamento único que não podemos aceitar. Ao mesmo tempo, devemos ser capazes de dialogar, de renovar-nos, e de valorizar aquilo que surgiu de bom das pesquisas sobre o gender.”

Como nasce esse novo texto?

“A ocasião e o estímulo a prepará-lo vieram das visitas ad Limina dos bispos do mundo inteiro e também das viagens que fizemos, sobretudo das escolas e das universidades. Efetivamente, se está difundindo uma ideologia do gender e o ensino da Igreja é taxado como retrógrado. Por isso era necessário buscar formular um diálogo educativo sobre esse tema.”

Quais foram as bases sobre as quais se trabalhou?

“Procuramos fazê-lo num nível de razão, com argumentos racionais, e não com slogans nem de modo fideísta. Para nós a razão é iluminada pela fé e não é contrária à razão. Em todo caso, sobre o tema gender é possível formular o diálogo baseado em argumentos que não requerem a adesão à fé católica, mediante três argumentos: ouvir, raciocinar e propor. Há argumentos racionais que esclarecem a centralidade do corpo como subjetividade que comunica a identidade do ser. Nessa luz se compreende o dado biológico da diferença sexual entre homem e mulher. A formação da identidade se baseia na alteridade e na família a relação perante a mãe e o pai facilita para a criança a elaboração da própria identidade-diferença sexual. O gênero ‘neutro’ ou ‘terceiro gênero’, ao invés, se mostra como uma construção fictícia.”

Documento do Vaticano sobre “gender”: sim ao diálogo sobre estudos, não à ideologia

“Em primeiro lugar, devemos distinguir entre a ideologia gender que é apresentada como científica e que se difunde também nas escolas, das pesquisas sobre o gender. Ao tempo em que não aceitamos a ideologia, reconhecemos pontos de encontro nas pesquisas sobre o gender para crescer na compreensão recíproca. Cito dois exemplos: a igual dignidade entre homem e mulher, após as formas de injusta subordinação que marcaram séculos da nossa história. Há também a educação das crianças e dos jovens a respeitar toda pessoa na sua peculiar e diferente condição – necessidade de cuidados especiais, raça, religião, tendências afetivas – combatendo toda forma de bullying e de injusta discriminação. Outro ponto importante diz respeito aos valores da feminilidade evidenciados na reflexão sobre o gender: muito se tem detido sobre o aspecto físico da sexualidade colocando em segundo plano aspectos culturais que aprofundam a natureza sem, porém, opor-se a ela. Esse aprofundamento do valor da feminilidade é, aliás, bem fundado nos documentos dos últimos Pontífices.”

Em relação aos aspectos mais críticos. Quais são eles?

“As teorias do gender, particularmente as mais radicais, se distanciam do dado natural chegando a uma opção total pela decisão do sujeito emotivo. Desse modo, a identidade sexual e, consequentemente, também a família se tornam ‘líquidas’ e ‘fluidas’, fundadas no desejo do momento, em vez de no dado natural e na verdade do ser. Pretende-se eliminar a diferença sexual, tornando-a irrelevante para o desenvolvimento da pessoa.”

Quais resultados se espera alcançar com este novo texto?

“Propondo o caminho do diálogo fundado em argumentos racionais, respeitamos as posições distantes das nossas e pedimos respeito pelas nossas. Não somos nós que escolhemos os alunos das escolas e das universidades católicas, são as famílias e os estudantes que escolhem essas escolas e esses ateneus, sabendo que são católicos. Não podemos faltar à nossa identidade aderindo a um pensamento único que gostaria de eliminar a diferença sexual reduzindo a um mero dado ligado às circunstâncias culturais e sociais. Devemos evitar os dois extremismos: o do pensamento único e da ideologia que se conduz por slogans, e aquele segundo o qual somente quem partilha a fé católica e pensa como nós deveria vir a nossas escolas. Devemos buscar caminhos de diálogo e responder à emergência educacional sobre esses temas. O documento é uma contribuição nesse sentido.”

Cientistas identificam manuscrito cristão mais antigo do mundo.

Cientistas da Universidade de Basileia (Suíça) identificaram a carta privada cristã mais antiga que se conhece, do início do século III, e nomeada “P.Bas. 2.43”, indica um comunicado divulgado pela instituição.

A carta, datada do ano 230 depois de Cristo, oferece informação sobre o mundo dos primeiros cristãos do Império Romano e é mais antiga do que todos os testemunhos documentais cristãos previamente conhecidos do Egipto-romano.

O texto inscrito em papiro revela que em princípios do século III os cristãos já se encontravam longe das cidades do interior egípcio, onde assumiram funções de liderança política e na sua vida quotidiana não se distinguiam no ambiente pagão.

Desta forma, a informação põe em causa a ideia que normalmente associa os primeiros cristãos do Império Romano a povos excêntricos e perseguidos.

O papiro, há mais de cem anos propriedade da Universidade de Basileia, inclui uma carta de Arrianus enviada ao seu irmão Paulus e “destaca-se”, segundo o comunicado da universidade, de outras cartas oriundas do Egito greco-romano pela sua fórmula de saudação final: “Rezo para que estejas bem, ´no Senhor´”, usando uma ortografia abreviada no final.

O uso desta abreviatura, estamos a falar do chamado ´nomen sacrum´, não deixa dúvidas sobre o sentimento cristão do autor”, disse Sabine Huebner, professora de História Antiga da Universidade de Basileia.
Paulo é um nome muito raro na altura e podemos deduzir que os pais mencionados na carta já eram cristãos e que decidiram dar ao filho o nome do apóstolo, 200 anos depois de Cristo”, explicou Huebner.
A carta proporciona também detalhes sobre as origens sociais desta família cristã primitiva: os dois irmãos eram filhos jovens educados da elite local, terratenentes e funcionários.

Não é surpreendente que os primeiros cristãos também tenham participado na vida quotidiana romana. E também usufruíram dos mesmos prazeres que os seus concidadãos não cristãos”, afirmou à agência Efe Sebastian Ristow, do Instituto Arqueológico da Universidade de Colonia (Alemanha).
O fato de apenas uma parte dos primeiros cristãos ter vivido de uma forma “verdadeiramente ascética” está documentado, acrescentou.

O papiro provém da povoação de Theadelphia (Egito) e pertence ao Heroninos, o maior arquivo de papiro da época romana.

A Universidade de Basileia foi uma das primeiras universidades de língua alemã e a primeira na Suíça alemã a criar uma coleção de papiros própria, no início do século XX.

Na altura, o estudo de textos em papiros era uma disciplina florescente e esperava-se ganhar com ela informações sobre a evolução do cristianismo primitivo.

Fonte: TVi 24

domingo, 9 de junho de 2019

Frei Patrício: O Espírito Santo é sempre criativo e atual

No Pentecostes, recebe-se uma ordem por parte de Deus: sair ao descoberto, não ter mais medo, ir pelo mundo afora e anunciar para todos que Jesus não está morto, e que, na verdade, está vivo, Ressuscitado!

7 junho 2019
Nunca nos cansamos de celebrar as festas que são importantes na nossa vida, na Igreja, no mundo. Soam sempre cheias de novidades, de canto, de esperança. Nunca vi a Igreja se cansar de celebrar o Natal, a Páscoa, ou as festas de Maria. Todos os anos celebramos e nunca da mesma maneira. Há sempre um toque novo de alegria e de luz. Assim é o nosso aniversário, sempre com uma velinha a mais, uma flor diferente e alguém que canta os parabéns com um tom diferente e mais festivo. Mas se há uma festa, na vida da igreja, que tem um sabor diferente e que nos surpreende sempre é o Pentecostes.

Esta festa tem algo que mexe conosco, com os nossos sentimentos, e nos deixa sempre surpresos pela sua atualidade e novidade. A Igreja viveu o primeiro Pentecostes lá no Cenáculo de Jerusalém, onde estavam todos encerrados por medo dos judeus e por medo de ter o mesmo fim de Jesus, ou seja, de morrerem todos crucificados. Estavam em oração junto a Maria, quando se manifestou o mistério inaudito: a vinda do Espírito Santo, que vence todos os medos. O Pentecostes é a vitória para sempre sobre o medo. Seja qual for a sua causa, ele é, então, destruído, e a coragem, para dizê-lo com uma palavra que é bíblica, a parresia, igual à coragem e verdade, começa a fazer parte da vida de cada cristão.

Nestes últimos tempos da Igreja, somos espectadores desta vitória sobre seus medos internos e externos. Muitos falsos profetas querem dominá-la com o medo, enterrando problemas, “tapando o sol com a peneira”, fazendo de conta que tudo vai mal ou que tudo vai bem. A Igreja o vence com a luz do Espírito Santo, sabendo assim, discernir o que vai mal e, com força, tentar vencê-lo, e também sabe discernir o que vai bem e, com a mesma força, tentar salvá- lo e protegê-lo.

Uma nova evangelização
É tempo precioso o que estamos vivendo, o vento e o fogo do Espírito Santo descobrem os telhados de nossas cabeças, para infundir a eterna sabedoria que não conhece ocaso; os missionários continuam a ser enviados pelo mundo afora, tentando levar somente o Evangelho e com a força da paz da Cruz de Cristo chamar todos à conversão. Uma nova evangelização mais ousada, mais kerigmática, e mais humana e divina está penetrando em nossas igrejas, a fim de que os evangelizadores, fortes, com o Espírito de Deus, e inculturando o Evangelho onde forem enviados, sejam capazes de não trair a genuína mensagem de Jesus de Nazaré.

Vaticano realiza conferência mundial sobre o ateísmo.

De terça (28) até quinta-feira (30)do mes de maio de 2019, o Vaticano, centro espiritual e político da Igreja Católica, sediou um evento inusitado, se considerarmos seus princípios. Trata-se da Understanding Unbelief, apresentada como a maior conferência mundial sobre ateísmo. O programa, financiado pela Fundação John Templeton, é organizado por quatro instituições acadêmicas, todas do Reino Unido. Na coordenação está a Universidade de Kent. E colaboram as universidades Conventry, Queen’s e de Saint Mary. 

Este evento não se realizaria no Vaticano se não fosse por uma efeméride: trata-se do 50º aniversário de uma conferência semelhante realizada no Vaticano”, afirmou à BBC News Brasil o antropólogo Jonathan Lanman, diretor do Instituto de Cognição e Cultura e professor da Universidade Queen’s Belfast, um dos organizadores do evento, Ele contou que um dos pesquisadores entrou em contato com o Vaticano e então “eles concordaram em revisitar os temas da ‘incredulidade'”.

A conferência de 1969, a primeira do gênero sobre o tema, ocorreu como consequência da abertura provocada pelo Concílio Vaticano II, ocorrido de 1962 a 1965.  O papa Paulo 6º (1897-1978) era um entusiasta do diálogo com outros cristãos, judeus e adeptos de outras religiões. E também criou um secretariado próprio para ouvir a quem chamava de “descrentes” – segundo suas palavras, o ateísmo era “um dos assuntos mais sérios de nosso tempo”

Você é uma pessoa humilde? Conheça os cinco tipos de ‘falsa humildade’.

Humildade deriva da palavra humus, terra, não só porque é humilde o homem que se reconhece terra, mas também porque a humildade é a terra fértil onde se cultivam as demais virtudes.1

A importância da humildade para avançar na amizade com Deus é expressa em diversos versículos bíblicos e também por muitos santos. Embora saibamos da importância desta virtude humana para avançar na vida espiritual, dificilmente refletimos se estamos trilhando, de fato, um caminho que leva à humildade. Neste texto, mostrarei cinco tipos de falsa humildade para que, a partir delas, possamos meditar se estamos ou não sendo humildes.

No paraíso há alguns que não foram mártires, nem contemplativos, nem virgens, mas não há nenhum que não tenha sido humilde. Santo Agostinho Roscelli
1- A humildade racionalista
Uma das formas de se alcançar a humildade (humana) é a razão. Basta observar a realidade, analisando o próprio passado, por exemplo, e perceberemos todas as vezes em que erramos, fomos fracos, insuficientes… Embora possa produzir bons frutos, a humildade puramente racionalista não é o bastante pois, por não estar fundada na fé, não consegue compreender a humildade dos santos que se alegraram ante a humilhação para imitar a Nosso Senhor!

sábado, 6 de abril de 2019

“Poder Oculto” de Padre Manzotti está entre os mais vendidos do Brasil



Mais um livro de Padre Reginaldo Manzotti se encaminha para a lista dos mais vendidos do país. Desta vez, a obra  O Poder Oculto (Petra), já ocupa o terceiro lugar no ranking, segundo o site especializado no assunto,  Publishnews.
O livro fala que há em nós um poder oculto capaz de nos conduzir à única felicidade real. Mas, para podermos encontrá-lo, devemos passar por um treinamento especial – ou, se quiser usar o termo do momento, por um coaching.

Padre Cantalamessa: “Adorarás o Senhor teu Deus”

Quarta Pregação, Quaresma de 2019


Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap

“ADORARÁS O SENHOR TEU DEUS”

Quarta Pregação, Quaresma 2019



Este ano celebramos o oitavo centenário do encontro de Francisco de Assis com o Sultão do Egito al-Kamil, em 1219. Recordo-o aqui por um detalhe que diz respeito ao tema das nossas meditações sobre o Deus vivo.

Depois de retornar de sua viagem ao Oriente em 1219, Francisco de Assis escreveu uma carta dirigida “Aos Regentes dos povos”. Nela dizia, entre outras coisas:

Sois obrigados a dar ao Senhor tanta honra entre o povo que vos foi confiado, que todas as tardes se anuncie, através de um pregoeiro ou qualquer outro sinal, a obrigação de se dar o louvor e a gratidão ao onipotente Senhor Deus de todo o povo. E, se não fizerdes isto, sabei que tereis de prestar contas a Deus perante vosso Senhor Jesus Cristo no dia do juízo.


Acredita-se amplamente que o santo tenha inspirado esta exortação no que tinha observado na sua viagem ao Oriente, onde ouviu o apelo vespertino à oração feita pelos muezins de cima dos minaretes. Um belo exemplo não só de diálogo entre as diferentes religiões, mas também de enriquecimento mútuo. Uma missionária que trabalha há muitos anos num país africano escreveu estas palavras: “Nós somos chamados a responder a uma necessidade fundamental dos homens, à necessidade profunda de Deus, à sede de Absoluto, a ensinar o caminho de Deus, a ensinar a rezar. É por isso que os muçulmanos fazem, nestas regiões, muitos prosélitos: ensinam imediatamente e de modo simples, a adorar a Deus”.   

Nós, cristãos, temos uma imagem diferente de Deus – um Deus que é amor infinito antes mesmo que poder infinito -, mas isto não deve fazer-nos esquecer o dever primário da adoração. À provocação da mulher samaritana: “Os nossos pais adoraram neste monte; mas vós dizeis que é em Jerusalém que devemos adorar”, Jesus responde com palavras que são a magna carta da adoração cristã:

“Mulher, acredi­ta-me, vem a hora em que não adorareis o Pai, nem neste monte nem em Jerusalém. Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade”. (Jo 4,21-24).

Foi o Novo Testamento que elevou a palavra adoração a esta dignidade que não tinha antes. No Antigo Testamento, além de Deus, o culto é também dirigido em alguns casos a um anjo (cf. Nm 22,31) ou ao rei (1 Sam 24,9); pelo contrário, no Novo Testamento toda vez que se tenta adorar alguém que não seja Deus e a pessoa de Cristo, mesmo que seja um anjo, a reação imediata é: “Não faça isso!  É Deus que deve ser adorado”.  É quase como se alguém estivesse correndo, caso contrário, um perigo mortal. É o que Jesus, no deserto, recorda peremptoriamente ao tentador que lhe pediu que o adorasse: “Está escrito: O Senhor, teu Deus adorarás, só a ele darás culto” (Mt 4, 10).

A Igreja retomou este ensinamento, fazendo da adoração o ato por excelência do culto de Latria, distinto da chamada dulia reservada aos Santos e da chamada hiperdulia reservada à Virgem.  A adoração é, pois, o único ato religioso que não pode ser oferecido a mais ninguém, em todo o universo, nem sequer a Nossa Senhora, mas apenas a Deus. Aqui está a sua dignidade e força única.

A adoração (proskunesis) no início indicava o gesto material de prostrar-se ao chão diante de alguém, como sinal de reverência e submissão. Neste sentido plástico a palavra ainda é usada nos Evangelhos e no Apocalipse. Neles a pessoa diante da qual se prostrar, na terra é Jesus Cristo e na liturgia celestial o Cordeiro imolado ou o Onipotente. Só no diálogo com a samaritana e em 1 Cor 14,25 é que aparece agora dissolvida do seu significado exterior e indica uma disposição interior da alma para com Deus. Este se tornará cada vez mais o sentido ordinário do termo e, neste sentido, no credo, dizemos do Espírito Santo que “adorado e glorificado” com o Pai e o Filho.

Para indicar a atitude externa correspondente à adoração, prefere-se o gesto de dobrar os joelhos, a genuflexão. Este último gesto também é reservado exclusivamente para a divindade. Podemos estar de joelhos diante da imagem de Nossa Senhora, mas não fazemos genuflexão diante dela, como fazemos diante do Santíssimo Sacramento ou do Crucifixo.  

O que significa adorar

Mas, mais do que o significado e o desenvolvimento do termo, estamos interessados em saber em que consiste e como podemos praticar a adoração. A adoração pode ser preparada por uma longa reflexão, mas termina com uma intuição e, como qualquer intuição, ela não dura muito tempo. É como um clarão de luz na noite. Mas de uma luz especial: não tanto a luz da verdade, mas a luz da realidade. É a percepção da grandeza, da majestade, da beleza e, ao mesmo tempo, da bondade de Deus e da sua presença que tira o fôlego. É uma espécie de naufrágio no oceano sem costas e sem fundo da majestade de Deus. Adorar, segundo a expressão de Santa Ângela de Foligno mencionada no início, significa “recolher-se em unidade e mergulhar no abismo infinito de Deus”.

Uma expressão de adoração, mais eficaz que qualquer palavra, é o silêncio. Na verdade, ele diz por si mesmo que a realidade está muito além de qualquer palavra.  Na Bíblia, a insinuação ressoa alto: “Toda a terra está em silêncio diante dele! (Hab 2,20) e: “Silêncio na presença do Senhor Deus!” (Sof 1, 7). Quando “os sentidos estão envoltos em silêncio sem limites e as memórias envelhecem com a ajuda do silêncio”, disse um Padre do deserto, então tudo o que resta é adorar.

Foi um gesto de adoração o de Jó, quando, tendo vindo ver face a face o Onipotente no final da sua história, exclama: ” ““Leviano como sou, que posso responder-te? Ponho a minha mão sobre a boca.” (Jó 40,4). Neste sentido, o versículo de um salmo, mais tarde retomado pela liturgia, no texto hebraico, dizia: “Por ti o silêncio é louvor”, Tibi silentium laus! (cf. Sl 65,2, texto Massorético). Adorar – segundo a estupenda expressão de São Gregório de Nazianzeno – significa elevar a Deus um “hino de silêncio”. À medida que o ar se torna mais rarefeito ao se subir uma alta montanha, da mesma forma ao se aproximar de Deus a palavra deve tornar-se mais curta, até que se torne, no final, completamente silenciosa e se una em silêncio com aquele que é o inefável.

Se precisamente se busca “parar” a mente e impedi-la de vaguear sobre outros objetos, convém fazê-lo com a palavra mais curta que existe: Amém, Sim. Adorar, de fato, é consentir.  É deixar Deus ser Deus. É dizer sim a Deus como Deus e a si mesmo como criaturas de Deus. Neste sentido, Jesus é definido no Apocalipse como o Amém, o Sim que se fez pessoa (cf. Ap 3,14), ou seja, repetir incessantemente com os Serafins: “Qadosh, qadosh, qadosh: Santo! Santo! Santo!

A adoração requer, portanto, que nos curvemos e fiquemos em silêncio.  Mas será que tal ato é digno do homem? Não o humilha, derrogando a sua dignidade? Na verdade, isso é realmente digno de Deus? Que Deus é esse que precisa que as suas criaturas se inclinem à terra diante dele e se calem? É, Deus, como um daqueles soberanos orientais que inventaram a adoração para si próprios? É inútil negá-lo, a adoração implica para as criaturas também um aspecto de humilhação radical, de se tornarem pequenas, de se entregarem e de se submeterem. A adoração envolve sempre um aspecto de sacrifício, uma imolação de algo. Precisamente assim ela atesta que Deus é Deus e que nada nem ninguém tem direito de existir diante dele, senão na sua graça. Com a adoração se imola e se sacrifica o próprio eu, a própria glória, a própria autossuficiência. Mas esta é uma glória falsa e inconsistente, e é uma libertação para o homem se livrar dela.

Adorando, a pessoa “liberta a verdade que era prisioneira da injustiça”. A pessoa torna-se “autêntica” no sentido mais profundo da palavra. Na adoração já se antecipa o retorno de todas as coisas a Deus. Há um abandono ao significado e ao fluxo do ser.  Assim como a água encontra a sua paz ao fluir em direção ao mar e o pássaro sua alegria ao seguir o curso do vento, assim também o adorador ao adorar. Adorar a Deus não é, portanto, tanto um dever, uma obrigação, mas um privilégio, uma necessidade. O homem precisa de algo majestoso para amar e adorar! Foi feito para isto.  

Portanto, não é Deus que precisa ser adorado, mas o homem que precisa adorar. Um prefácio da Missa diz: “Tu não precisas do nosso louvor, mas por um dom do teu amor nos chamas a dar-te graças; os nossos hinos de bênção não aumentam a tua grandeza, mas obtêm para nós a graça que nos salva, por Cristo nosso Senhor”. F. Nietzsche estava completamente fora do caminho quando definiu o Deus da Bíblia como “aquele oriental ganancioso por honras em seu assento celestial”.

A adoração deve, no entanto, ser livre. O que torna a adoração digna de Deus e ao mesmo tempo digna do homem é a liberdade, entendida não só negativamente como ausência de coação, mas também positivamente como um alegre impulso, dom espontâneo da criatura que assim exprime a sua alegria de não ser ele próprio Deus, para poder ter um Deus acima de si para adorar, admirar, celebrar.

A adoração Eucarística

A Igreja Católica conhece uma forma particular de adoração que é a adoração eucarística. Cada grande corrente espiritual dentro do cristianismo teve o seu próprio carisma particular, que constitui a sua particular contribuição para a riqueza de toda a Igreja. Para os protestantes, este é o culto da palavra de Deus; para os ortodoxos, o culto dos ícones; para a Igreja Católica, é o culto eucarístico. Através de cada um destes três caminhos, realiza-se o mesmo objetivo fundamental, que é a contemplação de Cristo e do seu mistério.

O culto e a adoração da Eucaristia fora da Missa é um fruto relativamente recente da piedade cristã. Começou a desenvolver-se no Ocidente no século XI como reação à heresia de Berengário de Tours, que negava a presença “real” e admitia apenas uma presença simbólica de Jesus na Eucaristia. Desde essa data, porém, não houve, pode-se dizer, um santo sequer, em cuja vida não se percebe uma influência decisiva da piedade eucarística. Ela tem sido uma fonte de imensa energia espiritual, uma espécie de lareira sempre acesa no meio da casa de Deus, à qual todos os grandes filhos da Igreja se aqueceram. Gerações e gerações de fiéis católicos sentiram o tremor da presença de Deus cantando o hino Adoro te devote, diante do Santíssimo exposto.

O que direi sobre a adoração e a contemplação eucarística aplica-se quase inteiramente também à contemplação do ícone de Cristo. A diferença é que no primeiro caso tem-se uma presença real de Cristo, no segundo apenas uma presença intencional. Ambos se baseiam na certeza de que o Cristo ressuscitado está vivo e se faz presente nos sinais sacramentais e na fé.

Estando calmos e silenciosos, e possivelmente por muito tempo, diante de Jesus no Santíssimo Sacramento, ou diante de um dos seus ícones, percebem-se os seus desejos a nosso respeito, os próprios projetos caem para dar lugar aos de Cristo, a luz de Deus penetra, aos poucos, no coração e o cura. Acontece algo que recorda o que acontece nas árvores na primavera, e que é o processo de fotossíntese. Emergem dos ramos as folhas verdes; estas absorvem da atmosfera certos elementos que, sob a ação da luz solar, são “fixados” e transformados em alimento para a planta. Sem estas folhas verdes, a planta não poderia crescer e dar frutos e não ajudaria a regenerar o oxigênio que nós próprios respiramos.

Nós devemos ser como aquelas folhas verdes! São um símbolo das almas eucarísticas e das almas contemplativas. Contemplando o “sol de justiça” que é Cristo, elas “fixam” o alimento que é o Espírito Santo, em benefício de toda a grande árvore que é a Igreja. Em outras palavras, isto é o que diz também o apóstolo Paulo quando escreve: “Todos nós, com o rosto descoberto, refletindo a glória do Senhor como em um espelho, somos transformados naquela mesma imagem, de glória em glória, segundo a ação do Espírito do Senhor” (2 Cor 3, 18).

Um dos nossos poetas, Giuseppe Ungaretti, contemplando o nascer do sol uma manhã junto ao mar, escreveu um poema de apenas dois versículos muito curtos, três palavras ao todo: “Mi illumino d’imenso” (Me ilumino imensamente). São palavras que poderiam dizer aqueles que estão em adoração diante do Santíssimo Sacramento.  Só Deus conhece quantas graças escondidas caíram sobre a Igreja graças a estas almas adoradoras.

A adoração eucarística é também uma das formas mais eficazes de evangelização.  Muitas paróquias e comunidades que a colocaram no seu horário diário ou semanal fazem uma experiência direta dela. A visão de pessoas que à tarde ou à noite estão em adoração silenciosa diante do Santíssimo Sacramento, numa Igreja iluminada, levou muitos transeuntes a entrar e depois de parar por um momento a exclamar: “Aqui está Deus! Assim como está escrito que acontecia nas primeiras assembleias dos cristãos (cf. 1 Cor 14, 25).

A contemplação cristã nunca é de sentido único. Não consiste em olhar, como dizem, para o umbigo, em busca do próprio eu mais profundo. Consiste sempre em dois olhares cruzados. Aquele camponês da paróquia de Ars, que passava horas e horas imóvel na igreja, com os olhos voltados para o tabernáculo e que, quando perguntado pelo Santo Cura o que fazia o dia todo, respondeu: “Nada, eu olho para ele e ele olha para mim!”

Se às vezes baixamos o olhar e o perdemos, no entanto, o de Deus nunca falha. Às vezes a contemplação eucarística reduz-se à simples companhia de Jesus, a estar sob o seu olhar, a dar-lhe a alegria de contemplar também a nós, que, por mais criaturas e pecadores que sejamos, somos, no entanto, fruto da sua paixão, aqueles por quem ele deu a sua vida. É uma resposta ao convite de Jesus aos discípulos do Getsêmani: “Fiquem aqui e vigiem comigo” (Mt 26, 38).

Portanto, a contemplação eucarística não é impedida, em si mesma, pela aridez que por vezes se pode experimentar, seja por causa da nossa dissipação, seja também por permissão de Deus para a nossa purificação. Basta dar-lhe um sentido, renunciando também à nossa satisfação que deriva do fervor, para fazê-lo feliz e dizer, como dizia Charles de Foucauld: “A tua felicidade, Jesus, me basta!”; isto é: basta-me que sejas feliz. Jesus tem a eternidade à sua disposição para nos fazer felizes; nós só temos apenas este breve espaço de tempo para o fazer feliz: como podemos resignar-nos a perder esta oportunidade que nunca mais voltará?

Contemplando Jesus no sacramento do altar, damo-nos conta da profecia feita no momento da morte de Jesus na cruz: “Olharão para Aquele que trespassaram” (Jo 19, 37). De fato, tal contemplação é em si mesma uma profecia, porque antecipa o que faremos para sempre na Jerusalém celestial. É a atividade mais escatológica e profética que se pode realizar na Igreja. No fim, o Cordeiro não será mais imolado, nem a sua carne será comida. Isto é, a consagração e a comunhão cessarão; mas a contemplação do Cordeiro imolado por nós não cessará. Isto é o que os santos fazem no céu (cf. Ap 5,1 ss.). Quando estamos diante do tabernáculo, já formamos um único coro com a Igreja lá em cima: eles diante de nós, por assim dizer, atrás do altar; eles na visão, nós na fé.

Em 1967 começou a Renovação Carismática Católica que em cinquenta anos tocou e renovou milhões de crentes e despertou inúmeras novas realidades, tanto pessoais como comunitárias.

Nunca é demais insistir que não se trata de um movimento eclesial, no sentido comum do termo; é uma corrente de graça destinada a toda a Igreja, uma “injeção do Espírito Santo” que ela precisa desesperadamente. É como um choque elétrico destinado a se descarregar sobre a massa que é a Igreja e, uma vez que isso tenha acontecido, desaparecer. Menciono esta realidade aqui porque começou com uma extraordinária experiência de adoração do Deus vivo que foi o tema desta nossa meditação.

O grupo de estudantes da Universidade Duquesne de Pittsburgh, que participou do primeiro retiro, encontrou-se uma noite na capela em frente ao Santíssimo Sacramento, quando, de repente, aconteceu algo inusitado, que um deles descreveu mais tarde assim:

“O temor do Senhor começou a fluir entre nós; uma espécie de terror sagrado impedia-nos de levantar os olhos. Ele estava lá pessoalmente presente e nós tínhamos medo de não conseguirmos ficar de pé diante do seu excessivo amor. O adoramos, descobrindo pela primeira vez o que significa adorar. Tivemos uma experiência ardente da terrível realidade e presença do Senhor. Desde então, compreendemos com uma nova e direta clareza as imagens de Jahweh que, no Monte Sinai, troveja e explode com o fogo do seu próprio ser; compreendemos a experiência de Isaías e a afirmação de que o nosso Deus é um fogo devorador. Este sagrado temor era, de alguma forma, a mesma coisa que amor, ou assim era sentido por nós. Era algo extremamente amável e belo, embora nenhum de nós visse qualquer imagem sensível. Era como se a realidade pessoal de Deus, gloriosa e deslumbrante, tivesse entrado na sala enchendo-a e a nós juntos.”   

Simultânea presença de majestade e de bondade em Deus, de temor e amor na criatura; o “mistério tremendo e fascinante”, como o definem os estudiosos das religiões. A pessoa que descreveu nesses termos a experiência daquele momento não sabia que estava fazendo uma síntese perfeita dos traços que caracterizam o Deus vivo da Bíblia, e isso torna seu testemunho ainda mais convincente. Quando, no encontro no Estádio Olímpico de 2015, o Papa Francisco instou a Renovação Carismática a adorar, pensei imediatamente na sua origem.

Terminamos  com um verso do Salmo 95 com o qual a Liturgia das Horas, no Invitatório, nos convida a començar um novo dia:

“Vinde, inclinemo-nos em adoraçao,

De joelhos diante do Senor que nos criou.

Ele é nosso Deus; nós somos o povo de que ele é o pastor,

As ovelhas que as suas mãos conduzem”



Tradução Thácio Siqueira